Imagens e Ídolos
Desde os primeiros séculos os cristãos pintaram e esculpiram imagens de Jesus, de Nossa Senhora, dos Santos e dos Anjos, não para adorá´las, mas para venerá´las. As catacumbas e as igrejas de Roma, dos primeiros séculos, são testemunhas disso. Só para citar um exemplo, podemos mencionar aqui o fragmento de um afresco da catacumba de Priscila, em Roma, do início do século III. É a mais antiga imagem da Santissima Virgem, uma das mais antigas da arte cristã, sobre o mistério da Encarnação do Verbo. Mostra a imagem de um homem que aponta para uma estrela situada acima da Virgem Maria com o Menino nos braços. O Catecismo da Igreja traz uma cópia dessa imagem (Ed. de bolso, Ed. Loyola, pag.19). Este exemplo mostra que desde os primeiros séculos os cristãos já tinham o salutar costume de representar os mistérios da fé por imagens, em forma de ícones ou estátuas. É o caso de se perguntar, então: Será que foram eles ´idólatras´ por cultuarem essas imagens? É claro que não? Eles foram santos, mártires, derramaram, muitos deles, o sangue em testemunho da fé. Seria blasfêmia acusar os primeiros mártires da fé de idólatras. No século VIII, sob influência do judaísmo e do islamismo, surgiu um movimento herético que se pôs a combater o uso das imagens. Eram os iconoclastas. O grande e principal defensor do uso das imagens na época, foi o santo e doutor da Igreja S. João Damasceno (de Damasco), falecido em 749, o qual foi muito perseguido por se manter fiel e defensor dessa santa Tradição cristã. A fim de dirimir as dúvidas sobre a questão, o Papa Adriano I (772´795) convocou o II Concílio Ecumênico de Nicéia, que se realizou de 24/09 a 23/10/787. Assim se expressou o Concílio, resolvendo para sempre a questão: “Na trilha da doutrina divinamente inspirada dos nossos santos Padres, e da Tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda a certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como a representação da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre os utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em quadros, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, quanto a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos” (Catecismo da Igreja Católica, nº 1161). Essas palavras, por serem de um Concílio da Igreja, são ensinamentos oficiais e infalíveis, e não podemos colocá´los em dúvida. O grande S. João Damasceno dizia : “A beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus “ (nº 1162). O nosso Catecismo explica que: “A imagem sacra, o ícone litúrgico, representa principalmente Cristo. Ela não pode representar o Deus invisível e incompreensível; é a encarnação do Filho de Deus que inaugurou uma nova “economia” das imagens”( 1159). S. Tomás de Aquino (1225´1274) também defendia o uso das imagens, afirmando: “O culto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é imagem“( 2131). Muitos querem incriminar a Igreja Católica, afirmando que ela desrespeita a ordem que Deus deu a Moisés : “não vos pervertais, fazendo para vós uma imagem esculpida em forma de ídolo...” (Dt 4,15´16). Os cristãos, desde os primeiros séculos, entenderam, sob a luz do Espírito Santo, que Deus nunca proibiu fazer imagens, e sim “ídolos”, deuses, para adorar. O povo de Deus vivia na terra de Canaã, cercado de povos pagãos que adoravam ídolos em forma de imagens (Baals, Moloc, etc). Era isso que Deus proibia terminantemente. A prova de que Deus nunca proíbiu imagens, é que Ele próprio ordenou a Moisés que fabricasse imagens de dois Querubins e que também pintasse as suas imagens nas cortinas do Tabernáculo. Os querubins foram colocados sobre a Arca da Aliança. “Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro... Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto e protegerão com elas a tampa ... “ (Ex. 25,18s, Ex 37,7; 1 Rs. 6,23; 2 Cr. 3,10). “Farás o tabernáculo com dez cortinas de linho fino retorcido, de púrpura violeta sobre as quais alguns querubins serão artísticamente bordados” (Ex. 26,1.31). Que fique claro, de uma vez por todas, Deus nunca proibiu imagens, e sim, “fabricar imagens de deuses falsos” . O mesmo Deus mandou que, no deserto, Moisés fizesse uma imagem de uma serpente de bronze (Nm 21, 8´9), que prefigurava Jesus pregado na cruz (Jo 3,14). Também o rei Salomão, quando construiu o templo, mandou fazer querubins e outras imagens (I Rs 7,29). O culto que a Igreja Católica presta a Deus, e só a Deus, é um culto chamado “latria”, isto é, de adoração. Aos anjos e santos é um culto chamado “dulia”, de veneração. Maria, como Mãe de Deus recebe o culto de “hiper´dulia”, super´veneração digamos, mas que está muito longe da adoração devida só a Deus. São Pedro, ao terminar a segunda Carta falava do perigo daqueles que interpretavam erroneamente as Escrituras: “Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2 Pe 3,16). Infelizmente isto continua a acontecer com aqueles que querem dar uma interpretação individual à Palavra de Deus, sem autorização oficial da Igreja, levando multidões ao erro. Só a Igreja é a autêntica intérprete da Bíblia (cf.Dei Verbum,10), pois foi ela que, inspirada pelo Espírito do Senhor (Jo 16,12), a compôs. As imagens, sempre foram, em todos os tempos, um testemunho da fé. Para muitos que não sabiam ler, as belas imagens e esculturas foram como que o Evangelho pintado nas paredes ou reproduzido nas esculturas. E assim há de continuar a ser. É claro que o culto por excelência é prestado a Deus, mas isto não justifica que as imagens sejam retiradas das nossas igrejas. Ao contrário, elas nos lembram que aqueles que elas representam, chegaram à santidade por graça e obra do próprio Deus. Assim, as imagens, dão, antes de tudo, glória a Deus.
Devoção mariana e culto das imagens

1. Depois de ter justificado doutrinariamente o culto da Bem´aventurada Virgem, o Concílio Vaticano II exorta todos os fiéis a tornarem os seus promotores: “Muito de caso pensado ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao mesmo tempo recomenda a todos os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham em grande estima as práticas e exercícios de piedade para com Ela, aprovado no decorrer dos séculos pelo Magistério” (LG, 67).Com esta última afirmação os padres conciliares, sem chegar a determinações particulares queriam reafirmar a validade de algumas orações como o Rosário e o Angelus, caras à tradição do povo cristão e frequentemente encorajadas pelos Sumos Pontífices, como meios eficazes para alimentar a vida de fé e a devoção à Virgem.2. O texto conciliar prossegue pedindo aos crentes que “mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos santos” (LG, 67).Repropõe assim as decisões do II Concílio de Niceia, que se realizou no ano de 787 e confirmou a legitimidade do culto das imagens sagradas, contra quantos queriam destruí´las, considerando´as inadequadas para representar a divindade.“Nós definimos ´ declararam os padres daquela assembléia conciliar ´ com todo o rigor e cuidado que, à semelhança da representação da cruz preciosa e vivificante, assim as venerandas e sagradas imagens pintadas quer em mosaico quer em qualquer outro material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias sagradas, nos paramentos sagrados, nas paredes e mesas, nas casas e ruas; sejam elas a imagem do Senhor Deus e Salvador nosso Jesus Cristo, ou a da imaculada Senhora nossa, a Santa Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e justos” (DS, 600).Evocando essa definição, a Lumen gentium quis reafirmar a legitimidade e a validade das imagens sagradas em relação a algumas tendências que têm em vista eliminá´las das igrejas e dos santuários, a fim de concentrar toda a atenção em Cristo.3. O II Concílio de Niceia não se limita a afirmar a legitimidade das imagens, mas procura ilustrar a sua utilidade para a piedade cristã: “Com efeito, quanto mais freqüentemente estas imagens foram contempladas, tanto mais os que as virem serão levados à recordação e ao desejo dos modelos originários e a tributar´lhes, beijando´as, respeito, e veneração” (DS, 601).Trata´se de indicações que valem de modo particular para o culto da Virgem. As imagens, os ícones e as estátuas de Nossa Senhora, presentes nas casas, nos lugares públicos e em inúmeras igrejas e capelas, ajudam os fiéis a invocar a sua presença constante e o seu misericordioso patrocínio nas diferentes circunstâncias da vida. Ao tornarem concreta e quase visível a ternura materna da Virgem, elas convidam a dirigir´se a Ela, a suplicar´lhe com confiança e a imitá´la, acolhendo com generosidade a vontade divina.Nenhuma das imagens conhecidas reproduz o rosto autêntico de Maria, como já reconhecia Santo Agostinho (De Trinitate 8,7); contudo, ajudam´nos a estabelecer relações mais vivas com Ela. Deve ser encorajado, portanto o uso de expor as imagens de Maria nos lugares de culto e noutros edifícios, para sentir a sua ajuda nas dificuldades e o apelo a uma vida cada vez mais santa e fiel a Deus.4. Para promover o correto uso das sagradas efígies, o Concílio de Niceia recorda que “a honra tributada a imagem, na realidade, pertence àquele que nela é representado; e quem venera a imagem, venera a realidade daquele que nela é reproduzido” (DS, 601).Assim, adorando a imagem de Cristo a pessoa do Verbo Encarnado, os fiéis realizam um genuíno ato de culto, que nada tem em comum com a idolatria.De maneira análoga, ao venerar as representações de Maria, o crente realiza um ato destinado em definitivo a honrar a pessoa da Mãe de Jesus.5. O Vaticano II exorta, porém, os teólogos e os pregadores a evitarem tanto exageros como atitudes de demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus. E acrescenta: “Estudando, sob a orientação do Magistério, a Sagrada Escritura, os Santos Padres e Doutores, e as liturgias da Igreja, expliquem como convém as funções e os privilégios da Santíssima Virgem, os quais dizem todos respeito a Cristo, origem de toda verdade, santidade e piedade” (LG,67).A autêntica doutrina mariana é assegurada pela fidelidade à Escritura e à Tradição, assim como aos textos litúrgicos e ao Magistério. A sua característica imprescindível é a referência a Cristo: tudo, de fato, em Maria deriva de Cristo e para Ele está orientado.6. O Concílio oferece, por fim, aos crentes alguns critérios para viverem de maneira autêntica a sua relação filial com Maria: “E os fiéis lembrem´se de que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes” (LG, 67).Com estas palavras os Padres conciliares advertem contra a “vã credulidade” e o predomínio do sentimento. Eles têm em vista sobretudo reafirmar que a devoção mariana autêntica, procedendo da fé e do amoroso reconhecimento da dignidade de Maria, impele ao afeto filial para com ela e suscita o firme propósito de imitar as suas virtudes.
Veneração de Imagens
CARTA APOSTÓLICA DUODECIM SAECULUM DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II AO EPISCOPADO DA IGREJA CATÓLICA SOBRE A VENERAÇÃO DAS IMAGENS POR OCASIÃO DO XII CENTENÁRIO DO II CONCÍLIO DE NICÉIA (Esta transcrição é feito do Jornal L´Osservatore Romano, ou do site do Vaticano, edição em português, de Portugal; algumas palavras são escritas de forma diferente do português usado no Brasil) Veneráveis Irmãos, saúde e Bênção Apostólica!1. O décimo segundo centenário do II Concilio de Nicéia (a. 787) foi objeto de numerosas comemorações eclesiais e acadêmicas, as quais também esta Sé Apostólica se associou (1). O acontecimento foi celebrado igualmente com a publicação de uma Encíclica de Sua Santidade o Patriarca de Constantinopla e do Santo Sínodo (2), iniciativa que evidencia a importância teológica e o alcance ecumênico, ainda atuais, do sétimo e último Concílio plenamente reconhecido pela Igreja católica e pela Igreja ortodoxa. A doutrina definida por este Concílio quanto a legitimidade da veneração dos ícones (imagens) na Igreja merece também ela uma atenção especial, não só pela riqueza das suas implicações espirituais, mas também pelas exigências que ela impõe em todo o âmbito da arte sacra. O relevo dado pelo II Concílio de Nicéia ao assunto da Tradição, e mais precisamente da tradição não´escrita, constitui para nós católicos, assim como para os nossos irmãos ortodoxos, um convite a percorrermos de novo juntos o caminho da Tradição da Igreja não dividida, para reexaminar à sua luz as divergências, que os longos séculos de separação acentuaram entre nós, e para reencontrar; conforme o que Jesus pediu ao Pai (cf. Jo 17,11.20´21), a comunhão plena na unidade visível. 2. O Patriarca de Constantinopla São Tarásio, moderador do II Concílio Niceno, ao apresentar ao Papa Adriano I o relatório do desenrolar do Concílio, escrevia: ´Depois de termos todos ocupado o próprio lugar, nós estabelecemos ter Cristo como (nosso) chefe. Com efeito, o Santo Evangelho foi colocado em cima dum trono, como convite a todos os presentes a julgarem segundo a justiça´ (3).O fato de se ter constituído Cristo como presidente da assembléia conciliar, que se reunia no seu nome e sob a sua autoridade, foi um gesto eloquente para afirmar que a unidade da Igreja não pode realizar´se a não ser na obediência ao seu único Senhor. 3. Os imperadores que tinham convocado o Concílio, Irene e Constantino VI, tinham convidado o meu Predecessor Adriano I, ´enquanto verdadeiro primeiro Pontífice, que preside no lugar e na sede do santo e muito venerável Apóstolo Pedro´ (4). Ele fez´se representar pelo Arcebispo da Igreja romana e pelo Hegúmeno (Abade) do mosteiro grego de São Sabas em Roma. Para assegurar a representatividade universal da Igreja, era requerida também a presença dos Patriarcas orientais (5). Uma vez que os seus territórios se encontravam já sob o domínio muçulmano, os Patriarcas de Alexandria e de Antioquia enviaram conjuntamente uma carta comum a São Tarásio; e o Patriarca de Jerusalém enviou uma carta sinodal. Uma e outra foram lidas no Concílio (6). Admitia´se então comumente que as decisões de um Concílio ecumênico eram válidas somente se o Bispo de Roma nelas tivesse colaborado e se os Patriarcas orientais tivessem manifestado o seu acordo (7). Neste processo o papel da Igreja de Roma era reconhecido como insubstituível (8). Assim o II Concílio Niceno aprovou a explicação do Diácono João, segundo a qual a assembléia dos iconoclastas, realizada em Hiéria em 754, não era legítima, porque ´o Papa de Roma e os Bispos que estão à sua volta não tinham colaborado nela, nem através de legados, nem mediante uma carta encíclica, segundo a lei dos Concílios´; e ´os Patriarcas do Oriente... e os Bispos que estão com eles não lhe tinham dado o seu consenso´ (9). Por outro lado os Padres do II Concílio Niceno declararam que ´acolhiam, acatavam e seguiam´ a Carta enviada pelo Papa Adriano aos imperadores (10) assim como a dirigida ao Patriarca. Estas Cartas foram lidas, em latim e na sua tradução grega, e todos foram convidados a dar´lhes individualmente o próprio assenso (11). 4. O Concílio saudou unanimemente nas pessoas dos legados pontifícios ´a santíssíma Igreja de Roma, ou seja, do Apóstolo São Pedro´ (12) e da ´Cátedra apostólica´ (13), adotando a fórmula romana (14); e o Patriarca Tarásio, escrevendo ao meu predessor em nome do Concílio, reconhecia nele aquele que ´herdou a Cátedra do Apóstolo São Pedro´, e que, ´revestido do Sumo Pontificado, tem a subida honra de presidir, legitimamente e por vontade de Deus, à sagrada Hierarquia´ (15). Um dos momentos decisivos no decorrer do Concílio parece ter sido aquele em que ele se pronunciou a favor do restabelecimento do culto das imagens, quando os participantes acolheram, em unanimidade, a proposta dos legados romanos de fazer colocar no meio da assembléia um venerável ícone, para que os Padres pudessem prestar´lhes a sua veneração (16). O último Concílio ecumênico reconhecido quer pela Igreja católica quer pela Igreja ortodoxa é um exemplo notável de ´sinergia´ entre a sede de Roma e uma assembléia conciliar. Ele inscreve´se na perspectiva da eclesiologia patrística de comuhão, fundamentada na Tradição, como o Concílio Ecumênico Vaticano II, justamente, uma vez mais pôs em evidência.5. O Concílio Niceno II afirmou solenemente a existência da ´tradição eclesiástica escrita e não´escrita´ (17), como referência normativa para a fé e para a disciplina da Igreja. Os Padres manifestaram o seu desejo de ´conservar intactas todas as tradições da Igreja, que lhes foram confiadas, sejam elas escritas ou não´escritas. Uma delas consiste precisamente na pintura dos icones, em conformidade com a carta da pregação apostólica´ (18). Contra a corrente iconoclasta, que também tinha apelado para a Escritura e para a Tradição dos Padres, especialmente para o pseudo´sínodo de Hiéria de 754, o II Concílio de Nicéía sanciona a legitimidade da veneração das imagens, confirmando ´o ensino divinamente inspirado dos santos Padres e da Tradição da Igreja católica´ (19). Os Padres do II Concílio Niceno entendiam a ´tradição eclesiástica´ como tradição dos seisl´O na sua humanidade somente seria dívidi´l´O separando n´Ele a divindade da humanidade. Escolher uma ou outra destas duas vias levaria às duas heresias cristológicas opostas do monofisismo e do nestorianismo. Com efeito, quem pretendesse representar Cristo na sua divindade condenar´se´ia a absorver nessa representação a sua humanidade; e quem mostrasse apenas um retrato de homem, acabaria por ocultar que ele é também Deus.9. O dilema posto pelos iconoclastas envolvia algo que ia muito além da questão da possibilidade de uma arte cristã; punha em causa toda a visão cristã da realidade da Encarnação e, portanto, das relações de Deus com o mundo, e da graça com a natureza, numa palavra, a especificidade da ´Nova Aliança´, que Deus concluiu com os homens em Jesus Cristo. Os defensores das imagens advertiram muito bem isso: segundo uma expressão do Patriarca de Constantinopla São Germano, ilustre vítima da heresia iconoclasta, era toda ´a economia divina segundo a carne´ (31) que era posta de novo em questão. Com efeito, ver representado o rosto humano do Filho de Deus, ´imagem de Deus invisível´ (Cl 1,15), é ver o Verbo feito carne (cf. Jo 1,14), o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf. Jo 1,29). Portanto, a arte pode representar a forma, a efígie do rosto humano de Deus e levar aquele que o contempla ao mistério inefável do mesmo Deus feito homem para a nossa salvação. Assim, o Papa Adriano pôde escrever: ´Graças a um rosto visível, o nosso espírito será transportado, por um atrativo espiritual, até à majestade invisível da divindade, através da contemplação da imagem em que está representada a carne, que o Filho de Deus se dignou assumir para a nossa salvação. E, sendo assim, nós adoramos e conjuntamente louvamos, glorifificando´o em espírito, este mesmo Redentor, porque, como está escrito, ´Deus éEspírito´ e é por isso que nós adoramos espiritualmente a sua divindade´ (32). O Concílio Niceno II, portanto, reafirmou solenemente a distinção tradicional entre ´a verdadeira adoração (latria)´ que, ´segundo a nossa fé, é devida somente à natureza divina´ e ´a prosternação de honra´ (timetiké proskynesis), que é prestada aos icones, porque ´aquele que se prostra diante do icone, prostra´se diante da pessoa (a hipóstase) daquele que na figuração é representado´ (33). A iconografia de Cristo implica, portanto, toda a fé na realidade da Encarnação e no seu significado inexaurível para a Igreja e para o mundo. Se a Igreja costuma pô´la em prática, fá´lo porque está convencida que o Deus revelado em Jesus Cristo resgatou realmente e santificou a carne e o inteiro mundo sensível, ou seja, o homem com os seus cinco sentidos, a fim de lhe permitir renovar´se constantemente ´´a imagem d´Aquele que o criou´ (Cl 3,10). 10. O Concílio Niceno II, por conseguinte, sancionou a tradição segundo a qual ´devem expor´se as venerandas imagens sacras, manufaturadas com tintas, com mosaico e com outras matérias idôneas, nas igrejas consagradas a Deus, nos vasos e paramentos sagrados, nas paredes e nos retábulos, nas casas e nas ruas; e isto aplica´se tanto à imagem de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo e à de Nossa Senhora Imaculada, a santa Theotokos, como às imagens dos veneráveis anjos e de todos os homens santos e piedosos´ (34). A doutrina deste Concilio sustentou a arte da Igreja, tanto no Oriente como no Ocidente, inspirando´lhe obras de uma beleza e de uma profundidade sublimes. Em particular, a Igreja grega e as Igrejas eslavas, apoiando´se nas obras dos grandes teólogos São Nicéforo de Constantinopla e São Teodoro Studita, apologistas do culto das imagens, consideraram a veneração do ícone como parte integrante da Liturgia, à semelhança da celebração da Palavra. Como a leitura dos livros materiais permite a audição da Palavra viva do Senhor, assim a exposição de um ícone figurativo permite àqueles que o contemplam ter acesso aos mistérios da Salvação mediante a vista. ´Aquilo que por um lado é manifestado pela tinta e pelo papel, por outro, no ícone, é manifestado pelas várias cores e pelos outros materiais´ (35). No Ocidente, a Igreja de Roma destinguiu´se, numa continuidade sem interrupção, pela sua ação a favor das imagens (36), sobretudo no momento crítico em que, entre os anos de 825 e 843, os impérios bizantino e franco se demonstraram ambos hostis ao Concílio Niceno II. No Concílio de Trento, a Igreja católica reafirmou a doutrina tradicional, contra uma nova forma de iconoclastia que então se manifestava. Mais recentemente, o Concílio Vaticano II recordou com sobriedade a posição constante da Igreja a respeito das imagens (37) e da arte sacra em geral (38). 11. Desde há alguns decênios para cá nota´se um surto de interesse pela teologia e pela espiritualidade dos ícones orientais; isso é sinal de ritual da arte autenticamente cristã. A este propósito, não posso deixer de exortar os meus Irmãos no Episcopado a ´manterem o uso de expor imagens nas Igrejas à veneração dos fiéis´ (39) e a empenharem´se para que surjam cada vez mais obras de qualidade verdadeiramente eclesial. O crente de hoje, como o de ontem, há de ser ajudado na oração e na vida espiritual mediante a visão de obras que procurem exprimir o mistério sem nunca o ocultar. É esta a razão pela qual, hoje como no passsado, a fé é a indispensável inspiradora da arte da Igreja. A arte pela arte, que não leve a pensar senão no seu autor, sem estabelecer uma relação com o mundo divino, não encontra espaço na concepção cristã do ícone. Seja qual for o estilo que adote, todo o tipo de arte sacra deve exprimir a fé e a esperança da Igreja. A tradição das imagens mostra que o artista deve ter consciência de cumprir uma missão a serviço da Igreja. A arte cristã autêntica é aquela que, através da percepção sensível, leva à intuição de que o Senhor está presente na sua Igreja, que os acontecimentos da história da Salvação dão sentido e orientação à nossa vida e que a glória que nos está prometida começa já a transformar a nossa existência. A arte sacra deve tender a proporcionar´nos uma síntese visual de todas as dimensões da nossa fé. A arte da Igreja deve ter a preocupação de falar a linguagem da Encarnação e exprimir, com os elementos da matéria, Aquele que ´se dignou habitar na matéria e realizar a nossa salvação através da matéria´, segundo a fórmula feliz de São João Damasceno (40). A redescoberta do ícone cristão ajudará também a tomar consciência da urgência de reagir contra os efeitos despersonalizadores, e às vezes degradantes, das múltiplas imagens que condicionam a nossa vida, na publicidade e nos ´mass´media´; trata´se de fato de uma imagem que faz chegar até nós o olhar de um Outro invisível e que nos dá acesso à realidade do mundo espiritual e escatológico. 12. Amadíssimos Irmãos: Ao recordar a atualidade da doutrina do VII Concílio Ecumênico, parece´me que estamos perante um chamamento à nossa tarefa primordial de evangelização. A secularização crescente da sociedade mostra que ela está se tornando, em larga escala, alheia aos valores espirituais, ao mistério da nossa Salvação em Jesus Cristo e à realidade do mundo futuro. A nossa tradição mais autêntica, que compartilhamos plenamente com os nossos irmãos ortodoxos, ensina´nos que a linguagem da beleza, posta a serviço da fé, é capaz de atingir o coração dos homens e de os levar a conhecer, a partir de dentro, Aquele que ousamos representar nas imagens, Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, o mesmo, ontem e hoje e por todos os séculos´ (Hb 13,8).A todos dou, de coração, a Bênção Apostólica. Dado em Roma, junto de São Pedro, a 4 de dezembro, memória litúrgica de São João Damasceno, Presbítero e Doutor da Igreja, do ano de 1987, décimo do meu Pontificado. Referências1. Especialmente com a Carta de 8 de outubro de 1987, do Cardeal Secretário de Estado ao Presidente da Sociedade Internacional para a História dos Concílios, por ocasião do Simpósio de Istambul (L´Osservatore Romano, ed. quot. 12/13.10.87).2. Epi te 1200 è epetèio apo tes syncleoseos tes en Nikai Aghias z´Oikomenikes Synodoy (787´1987), Fanar, 14 de setembro de 1987. 3. J. D. Mansi, Sacrorum Conciliorum nova et amplissima colectio (= Mansi) XIII, 459c. 4. Mansi XII, 985.5. Cf. Mansi XII, 1007.1086 e Monumenta Germaniae Historica (= MGH), (Epistulae Karolini Aevi, t. 3), p. 29. 30´33. 6. Cf. Mansi XII, 1127´1135 e 1135´1145.7. Segundo o Presbítero João, representante dos Patriarcas orientais, Mansi XII, 990A e XIII, 4A.8. Cf. Mansi XII, 1134. 9. Mansi XIII, 208´209.10. Mansi XI, 1085.11. Cf. Mansi XII, 1085´1111. 12. Maisi XII, 994.1041.1114; XIII, 157.204.366.13. Mansi XII, 1086.14. Cf. carta de Adriano I a Carlos Magno, em: MGH, Epistulae III (Epistulae Merowingici et Karolini Aevi, t. I) p. 587, 5.15. Mansi XIII, 463BC.16. Cf. Mansi XIII, 200.17. Cf. Quartum anatema, em: Mansi XIII, 400.18. Horos, in: Mansi XIII, 377BC. 19. Ibid., 377C. 20. Cf. Santo Ireneu, Adversus Haereses 1, 10, 1; I, 22. 1; em: Sources Chrétiennes (= SCH) 264, p. 154´158; 308´310; Tertuliano, De praescriptione 13, 16; em Corpus Christianorum, Series Latina (= CChL), I, p. 197´198; Orígenes, Perì Archòn, Pref. 4, 10, em SCh 252, p. 80´89.21. De Baptismo IV, 24, 31; em: Corpus Scriptorum Ecclesiasticorum Latinorum (= CSEL) 51, p. 259.22. Sobre o Espirito Santo, VII 16, 21.32; IX 22, 3; XXIX 71, 6; XXX 79, 15; em SCh 17 bis, p. 298.300.322.500.528. 23. Ibid. XXVII 66; 1´3, p. 478´480. 24. Cf. Horos, in: Mansi XIII, 378E.25. Discurso sobre as imagens III, 3, em: PG 94, 1320´1321; e B. Katter, Die Schriften des Johannes von Damaskos, vol. III (Contra imaginum calumniatores orationes tres), em: ´Patristische Texte und Studien´ 17, Berlim´Nova Iorque, 1975, III, 3, p. 72´73.26. Dei Verbum, 9.27. Ibid., 8.28. Ibid., l0.29. Sobre o Espírito Santo, XVIII 45, 19, em: SCh 17 bis, p. 496; Nicéia II, Horos, em: Mansi XIII, 377E.30. Cartas de São Gregório Magno ao Bispo Sereno de Marselha, em: MGH, Gregorii I Papae Registrum Epistularum II, 1, lib. IX, 208, p. 195 e II, 2, lib. XI, 10, p 270´271; ou em: CChL 140A, lib. IX, 209, p. 768 e lib. XI, 10, p. 874´875. 31. Cf. Teófano, Chronographia ad annum, 6221, ed. C. de Boor I, Leipzig, 1883, p. 404; ou PG 108, 821C. 32. Carta de Adriano I aos Imperadores, em: Mansi XII, 1062 AB.33. Horos, em: Mansi XIII, 377E.34. Ibid., 377D.35. Teodoro Studita, Antirrheticus, 1, 10, in: PG 99, 339D.36. Cf. Carta de Adriano a Carlos Magno, em: MGH, Epistulae V (Epistulae Karolini Aevi, t. III), p. 5´57; ou PL 98, 1248´1292.37. Cf. Sacrosanctum Concilium, 111, 1; 125; 128; Lumen Gentium, 51; 67; Gaudium et Spes, 62, 4´5; e também Código de Direito Canônico, cân. 1255 e 1276. 38. Sacrosanctum Concilium, 122´124.39. Ibid., 125.40. Discurso sobre as imagens, I, 16, em: PG. 94, 1246A: e ed. Kotter 1, 16, p. 89. Concílios ecumênicos precedentes e dos Padres ortodoxos, cujo ensino era acolhido comumente na Igreja. O Concílio, deste modo, definiu como sendo de fé aquela verdade essencial, segundo a qual a mensagem cristã é ´tradição´, paràdosis. A medida que a Igreja se foi desenvolvendo, no tempo e no espaço, a sua inteligência da Tradição, da qual é portadora, conheceu também ela as fases de um desenvolvimento, cuja investigação constitui, para o diálogo ecumênico e para toda a reflexão teológica autêntica, um percurso obrigatório.6. Já São Paulo nos ensina que, para a primeira geração cristã, a paràdosis consiste na proclamação do Acontecimento de Cristo e do seu significado atual, que realiza a Salvação mediante a ação do Espírito Santo (cf. 1Cor 15,3´8; 11,2). A tradição das palavras e dos atos do Senhor foi recolhida nos quatro Evangelhos, mas sem se exaurir neles (cf. Lc 1,1; Jo 20,30; 21,25). Esta tradição primigênia é tradição ´apostólica´ (cf. 2Ts 2,14´15; Jd 17; 2Pd 3,2). Ela diz respeito não apenas ao ´depósito´ da ´sã doutrina´ (cf. 2Tm 1,6´12; Tt 1,9), mas também às normas de comportamento e às regras da vida comunitária (cf. lTs 4,1´7; 1Cor 4,17; 7,17; 11,16; 14,33). A Igreja lê a Escritura à luz da ´regra da fé´ (20), quer dizer, da sua fé viva mantida coerente com o ensino dos Apóstolos. Aquilo que a Igreja sempre acreditou e praticou, ela considera´o justamente como ´Tradição apostólica´. Santo Agostinho dizia: ´Uma observância mantida pela Igreja inteira e conservada sempre, que não tenha sido instituída pelos Concílios, acaba por não ser outra coisa, com pleno direito, senão uma tradição que emana da autoridade dos Apóstolos´ (21). De fato, as tomadas de posição dos Padres no decorrer dos grandes debates teológicos dos séculos IV e V, a importância crescente da instituição sinodal a nível regional e universal, fizeram com que, pouco a pouco, a tradição se tornasse a ´tradição dos Padres´ ou ´tradição eclesiástica´, entendida como desenvolvimento homogêneo da Tradição apostólica. Foi por isto que São Basílio Magno fez apelo às ´tradições não´escritas´, que são as ´tradições dos Padres´ (22), para fundamentar a sua teologia trinitária, e sublinha a proveniência dupla da doutrina da Igreja ´do ensino escrito, bem como da tradição apostólica´ (23). O próprio Concilio Niceno II, que cita oportunamente São Basílio a propósito da teologia das imagens (24), invocou também a autoridade dos grandes doutores ortodoxos, como São Gregório Nazianzeno, São Gregório de Nissa, São Cirilo de Alexandria. São João Damasceno pôs também ele em relevo a importância para a fé das ´tradições não escritas´, isto é, não contidas na Escritura, ao declarar: ´Se alguém se apresentar com um Evangelho diferente daquele que a Igreja católica recebeu dos Santos Apóstolos, dos Padres e dos Concílios e que ela conservou até aos nossos dias, não o escuteis´ (25).7. Mais próximo de nós, o Concílio Vaticano II apresentou novamente em plena luz a importância da ´tradição que provém dos Apóstolos´. De fato, ´a Sagrada Escritura é a Palavra de Deus, enquanto consignada por escrito sob a inspiração do Espírito divino; a Sagrada Tradição, por seu lado, é portadora da Palavra de Deus, confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, e transmite´a integralmente aos seus sucessores´ (26). ´Ora, aquilo que foi transmitido pelos Apóstolos compreende tudo quanto contribui para que o Povo de Deus viva santamente e para o aumento da sua fé´ (27). Juntamente com a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição constitui ´um único depósito sagrado da Palavra de Deus, confiado à Igreja´. A interpretação autêntica ´da Palavra de Deus escrita ou contida na Tradição foi confiada unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo´ (28). É mediante uma fidelidade igual ao tesouro comum da Tradição que remonta aos Apóstolos, que as Igrejas se esforçam hoje por aprofundar os motivos das suas divergências e as razões que há para as superar. 8. A terrível ´controvérsia sobre as imagens´, que dilacerou o império bizantino sob os imperadores isáuricos Leão III e Constantino V, entre os anos de 730 e 780, e de novo sob Leão V, de 814 a 843, explica´se principalmente pelo debate teológico que, desde o início, foi o seu fulcro. Sem ignorar o perigo de um ressurgimento sempre possível das praticas idolátricas do paganismo, a Igreja admitia que o Senhor, a Bem´aventurada Virgem Maria, os Mártires e os Santos fossem representados em formas pictóricas ou plásticas para favorecer a oração e a devoção dos fiéis. Era claro para todos, segundo a fórmula de São Basílio, recordada pelo Concílio Niceno II, que ´a honra prestada ao ícone é dirigida ao protótipo´ (29). No Ocidente, o Papa São Gregório Magno tinha insistido no caráter didático das pinturas nas igrejas, úteis para que os analfabetos, ´ao contemplá´las, possam ler, pelo menos nas paredes, aquilo que não são capazes de ler nos livros´, e acentuava que esta contemplação devia levar à adoração da ´única e onipotente Trindade Santíssima´ (30). Foi neste contexto que se desenvolveu, de maneira particular em Roma durante o século VIII, o culto das imagens dos Santos, dando lugar a uma produção artística admirável. O movimento iconoclasta, rompendo com a tradição autêntica da Igreja, considerava a veneração das imagens como um retorno à idolatria. Não sem contradição e ambiguidade, ele proibia a representação de Cristo e as imagens religiosas em geral, enquanto continuava a admitir as imagens profanas, em particular as imagens do imperador, com os sinais de reverência que a elas andavam ligados. A base da argumentação dos iconoclastas era de natureza cristológica. Como pintar Cristo que unia na sua Pessoa, sem as confundir nem as separar, a natureza divina e a natureza humana? Por outro lado, seria impossível representar a sua divindade inapreensível; por outro, representá.
Adorar Imagens
Escrito por Wladimir
Amigos: Li este artigo em um outro site Católico e achei muito bem escrito, resolvi colocar aqui também. Vale a pena ler.
Wladimir ADORAR IMAGENS A imensa maioria das cartas que temos recebido de nossos irmãos evangélicos, também dos ataques que eles têm feito contra a nossa Igreja, é certamente quanto à questão das imagens do culto católico. Para isso citam velhos chavões surrados, usam os mesmos textos bíblicos que aplicam de forma errada e as mesmas acusações sem fundamento, eis que o próprio divisor trata de acicatar os ânimos deles, nos colocando ao nível de adoradores de ídolos. E nisso muitos se comprazem e se deliciam, auto-elevando-se eles mesmos ao nível de divindades, ao acusar, a ao condenar – quando Jesus, Eu não vim para condenar, mas para salvar – nos julgando a todos já perdidos eternamente, pois dignos de ser explorados, roubados e até de padecer no inferno. Belo amor este! Já diversas pessoas nos pediram para escrever sobre este assunto, e temos a dizer que muitos padres da nossa Igreja já o fizeram, muito bem fundamentados por sinal. Entretanto, nosso modo de sentir as coisas, nos faz compreender que nada do que lhes dissermos por hora será levado em conta, uma vez que apenas o Divino Espírito Santo – a seu tempo – o fará. Entretanto, nesta semana uma história inusitada, um fato real acontecido há algum tempo, porém voltado ao mesmo assunto, me faz tentar colocar as coisas de uma forma talvez diferente. Penso que, pelo menos os mais inteligentes deles, perceberão que não estamos errados – que aliás, muitos estão sendo enganados por alguns de seus espertos pastores – e, quem sabe, pelo menos nos deixarão em paz... com as nossas imagens.
A história relata o diálogo entre um senhor, católico, que tem sob seus cuidados uma capelinha de bairro, e gosta de mantê-la aberta diariamente, para as pessoas irem lá rezar. Daremos a ele o nome de José, em homenagem ao querido São José. Pois este senhor tem como vizinho de porta um pastor da Assembléia de Deus, pessoa por sinal muito ponderada com quem José tem sempre dialogado.
Daremos a este pastor o nome de Antonio, em homenagem a Santo Antonio. Na verdade o pastor Antonio já fez saber a José, por diversas vezes, que aprecia muito o espírito de oração da família dele e de todas as pessoas que lá vão para rezar, pois “nem parecem ser católicos de tanto que oram” – boa fisgada esta na gente, não é, meus queridos irmãos católicos? – enfim, eles sempre se deram muito bem.
Pois aconteceu que dia destes, observando de uma certa distância, José percebeu que o pastor havia entrado na capelinha e depois de alguns instantes saiu. Acontece que, sempre que havia um aviso de: “Cenáculo com Maria” na porta da capelinha o mesmo era arrancado, e José desconfiou do pastor. Como ao sair ele tomou o rumo contrário, José entrou na capelinha a fim de ver o que ele havia mudado ou se havia retirado alguma coisa do lugar. Encontrou tudo no lugar, apenas a Bíblia que estava aberta em página diferente, desta vez apontando o Capítulo 15 do Livro da Sabedoria, que traça um paralelo entre os idólatras e os adoradores do Verdadeiro Deus. Então José percebeu que o pastor lhe queria dar um recado, porque a capelinha é cheia de imagens de Nossa Senhora e de santos. Minutos depois, eis que volta o pastor e ao passar em frente à capelinha, como sempre, cumprimentou a José. Deu-se então, mais ou menos o seguinte diálogo entre eles: - Penso que você quis me dar um recado hoje, não foi pastor? Perguntou José! - De que se trata seu José? - Vem cá, vamos conversar um pouco! É que vi que você abriu a nossa Bíblia no Livro da Sabedoria no capítulo 15, que fala sobre as imagens. Está vendo aquelas imagens ali? - Sim estou! - Veja, aquela é Nossa Senhora Aparecida, aquela é Nossa Senhora como Rosa Mística, ali está Santa Filomena, ali São José. Diga-me uma coisa: qual delas é Deus? - Nenhum seu José, nenhum! Mas a gente vê vocês, que são pessoas inteligentes, e ficam aí com estas imagens todas... quando Deus diz para não fazer imagens. - Se vocês sabem que não são Deus, como então dizem que nós católicos adoramos imagens? Por que insistem tanto numa coisa que não tem fundamento algum? Isso é prova também de falta de inteligência, pois há uma diferença muito grande entre adorar e estimar, venerar, ter como um modelo! É simplesmente só isso! - Eu sei, respondeu o pastor. E vou lhe confessar uma coisa. Nós, os pastores, os que têm verdadeira instrução, nós sabemos de fato que vocês não adoram imagens, mas o povão não entende assim. - Mas não seria um contra-senso? Vocês pastores, que devem bem conduzir o povo, sabem da verdade, entretanto deixam os outros no erro? - Sei, mas é que o povo simples, eles estão tão desiludidos com o comportamento dos católicos, que é melhor a gente deixar como está.
E a seguir relatou a seguinte história. Sabe, eu vou lhe revelar um fato que aconteceu em nossa igreja, justo com a minha turma, a que se formou comigo. Uns dias após a formatura, um dos meus colegas teve uma visão do próprio Jesus. E ele lhe falou assim: Bom, agora que você já está formado, vai então falar aos outros sobre Mim e explica a eles o que lhe aconteceu hoje e a visão que teve. Impressionado com uma tal revelação, o pastor saiu a campo, a falar para a Assembléia, explicando a eles aquela visão. Mas o povo crente parecia não entender. Por mais que ele tentasse, não conseguia fazer as pessoas compreenderem como era este Jesus que lhe havia aparecido. Então o pastor se pôs a rezar, pedindo a Jesus que o ajudasse naquela situação. Então Jesus lhe apareceu de novo e disse assim: É fácil filho! Escolhe um bom arquiteto, ou um homem que sabe fazer imagens e descreve a ele exatamente aquilo que você viu e manda que ele faça uma imagem minha. Depois de pronta, leva a minha imagem e mostra ao povo. Aí eles entenderão perfeitamente! Foi esta a história. Sim, o pastor entendeu o recado, assim como o pastor Antonio também entendeu e todos os de sua turma entenderam muito bem. Porém, de uma forma não muito justa, preferem deixar o povo desconhecendo a verdade, antes permitindo que as divisões se aprofundem ainda mais entre nós, não só divisão, mas até mesmo que satanás semeie seu ódio para nos destruir a todos. E ainda mais, o tal pastor da visão escreveu um livro sobre esta passagem de sua vida e temos um exemplar conosco.
Pena que ele nunca teve coragem de publicar em larga escala, deixando tantas pessoas na ilusão. Depois disso, mais uma vez José explicou o sentimento dos católicos em relação às imagens, em relação à Virgem Maria, ao arrebatamento, ao purgatório, aos cemitérios, coisa que o pastor Antonio ia concordando com um acenar de cabeça. Como não foi gravado o diálogo, vou fazer minhas as palavras de José, e imaginar que o pastor Antonio, pessoa tão boa, me esteja escutando. Eis a conversa que se deu entre eles. Disse José: Sabe, Antonio, na Bíblia Javé diz: não terás OUTROS deuses diante de Mim (Ex 20,3). Ora, aqui tem duas palavras a se observar: 1 – Outros e 2 – deuses, na forma plural. Veja, deuses, não existem, porque eu e você cremos em um só e mesmo Deus. Mas Ele diz OUTROS, ou seja, sendo uma imagem de Jesus Cristo, figurando a Ele, querendo significar Ele, querendo explicar ao povo como Ele é – assim como foi pedido ao pastor que fizesse – isso pode, não acha? Ora, nós somos sensitivos, isto é, aprendemos pelos sentidos e o ver e o tocar, fazem parte de nossos sentimentos. Quando a gente vê uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, lembra de Deus, e sente na alma imediatamente o efeito da graça. Quando a gente não tem uma imagem para ver, também não lembra, e assim, envolvido pelas coisas do dia a dia, acaba passando tempos sem lembrar de Deus. Assim, mesmo sendo uma imagem do Filho de Deus, não adoramos a imagem, mas sim o Deus que ela representa. Assim ocorre também com nossos santos. Para nós, os santos não são deuses, mas perfeitos exemplos de vida cristã e de virtude e que devem ser seguidos, jamais adorados. São, pois, apenas pessoas especiais, e modelos que devem ser imitadas. Quando a Igreja eleva uma pessoa destas à honra dos altares, ela não estabelece um novo ídolo, mas sim um novo sinal, como exemplo de vida. E assim, quando vemos a imagem daquele santo, por conhecermos a história da vida heróica dele, nos é dado ver melhor nosso próprio caminho. Ou seja, temos um modelo a seguir. E buscando seguir o modelo de vida dos santos, nos sentimos imbuídos mais fortemente em crescer igualmente em via e santidade. É assim que as coisas funcionam. Para compreender isso, Antonio, é preciso entender o que é uma graça. Graça é um favor recebido de Deus, seja por um simples gesto de carinho pelas coisas Dele, seja por grandes obras em favor da causa do Reino. Assim, quando vocês louvam e oram, recebem graças de Deus, e graças que salvam vossas almas.
Ou seja, o que salva uma pessoa na verdade, é a soma das graças que ela obteve em vida, que deve ultrapassar em peso o montante dos pecados cometidos. Se a soma das graças for maior, ela se salva. Se houver um pequeno desequilíbrio, resta o purgatório – que depois explico – e se houver muita falta, vem com certeza o inferno. Ora, é fácil alcançar graças. E as imagens dos santos e as fotos deles, nos ajudam nisso. Quando uma dona de casa tem uma imagem de Nossa Senhora em cima da geladeira, ou num altarzinho, cada vez que ela passa em frente e vê a imagem, lembra de Nossa Mãe, e recebe uma graça. E assim, numa vida interia, são milhares as graças que nós católicos acumulamos, e vocês, infelizmente, perdem! E mais tarde isso fará muita falta! Mas, continuando com os santos, eu explico melhor com Maria Santíssima. À parte de vocês a tratarem como mulher comum, para nós ela é o exemplo máximo de perfeição, virtude e graça, pois Ela atingiu, por seus méritos exclusivos e humildade, o máximo em perfeição jamais alcançado por outro ser humano. Não poderia ser diferente. O Divino não pode nascer das trevas! O Luminoso não pode brotar da escuridão. O Santo não pode ter raiz no pecado. Não adianta vocês negarem as evidências: Para carregar o Corpo Puríssimo de Jesus, o Filho de Deus, somente poderia acontecer por intermédio de um tabernáculo ímpar em perfeição e pureza, luz e graça. Ou seja, sem esta pureza, Deus nasceria contaminado pelo pecado dela. Ora, Deus não se pode contaminar com o pecado. Como poderia nascer de uma pecadora comum e permanecer no ventre dela por nove meses sem que isso acontecesse? Não seria então um Deus perfeito, nem jamais puro, e, portanto, jamais seria Deus. Ademais, se ela fosse mãe de outros filhos como vocês dizem, como provar, pelo menos, que Jesus era o primogênito? E se não tem provas, por que insistir neste vazio que denigre e deforma a uma criatura tão santa e tão pura? E mais, vocês usam a passagem onde a Bíblia fala dos irmãos de Jesus, certo? Ora, vocês que são pastores estudados e inteligentes, sabem perfeitamente que na língua pátria de Jesus não existe um termo para indicar “irmão”, tanto que Jesus diz: quem são meus irmãos? (Mt 12,48) Todo aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos céus... Ou seja, eu e você somos irmãos de Jesus, se cumprimos Sua Palavra. Também vocês dizem que as famílias antigas eram sempre numerosas, o que não é verdade. Abraão teve dois filhos! Isaac dois filhos! Joaquim e Ana tiveram uma filha, e apenas na sua velhice, assim como Isabel e Zacarias tiveram apenas João Batista. Por que insistir em macular justo a Virgem Maria, a quem Deus criou especial para Si, com exclusividade absoluta? Pois para ser a Virgem diga de menção anunciada pelos profetas, deveria ser Virgem antes, Virgem durante e Virgem depois da gravidez. E assim foi, e assim um dia, não muito distante, vocês irão entender também. Veja, não é Jesus, jamais, quem vos faz atacar Nossa Senhora e tentar maculá-la e sim nosso inimigo comum, satanás, pois será sim, esta mesma Virgem Puríssima, quem o irá esmagar, e você sabe da história, pois está na Bíblia. Antonio, não há uma só passagem no Evangelho, onde Jesus mande condenar alguém! O que Ele faz é mandar não julgar, para não ser julgado! Por que então não pregar apenas o Amor de Jesus, o perdão e rezar, sim, rezar, para que o Espírito Santo converta os católicos adoradores de imagens? Não seria mais bonito? Mais edificante? Mais próprio do Evangelho de Jesus? Compreenda, pastor Antonio, os ataques mútuos, interessam apenas a satanás, não ao nosso querido Jesus! Ou você acha que Ele fica satisfeito quando desmerecem a Mãe Dele? Quando a destratam, a rebaixam, em alguns casos ao nível das mulheres mais vulgares? Será que isso fará feliz a Jesus? Acaso você gostaria que fizessem isso com a sua própria mãe terrena? Gostaria que a destratassem? E porque acha que com Jesus que é Deus e vê tudo seria diferente? Ou seja, vocês ofendem profundamente a Jesus, por falarem mal de Maria, Sua santa Mãe. E já que voltamos a questão da Mãe, vamos mais fundo nesta questão dos irmãos. Que disse Jesus em seu último instante na Cruz: Mulher, eis aí teu filho! Filho eis aí tua Mãe! Ora, quem estava com Maria e João aos pés da cruz? Somente Maria, mulher de Cléofas e tia de Nossa Senhora, e Maria Madalena, a discípula de Jesus, ou seja, apenas quatro pessoas. Portanto, não havia ali nenhum filho de sangue de Maria Santíssima, nem tampouco um irmão de sangue de Jesus Cristo. Certo? Veja então, meu caro, que golpe violento vocês desferem em Jesus e Maria. Se Maria estava ali sem seus outros filhos, onde estavam eles? Teriam se acovardado? Teriam fugido? Não estariam entre o número dos fariseus e escarnecedores? Se os Evangelistas foram claros em citar a traição de Judas, para exemplo de muitos, não teriam sido injustos ao deixar de relatar a covardia dos irmãos do próprio Jesus? Da mesma forma em relação a Jesus: Onde estavam seus irmãos de sangue? Fugiram! Eram covardes? Ou seja, Maria é capaz de educar um filho para um gesto supremo de coragem – a morte da Cruz – enquanto impinge nos outros a pecha de covardes. Onde está o exemplo da mãe e dos sete filhos macabeus? Por sua vez, Jesus, é capaz de convencer um amigo, o João que Ele amava, a estar junto Dele, mas é fraco para converter seus próprios irmãos de sangue. Ou seja, Mãe e Jesus seu Filho corajosos, e os outros todos covardes ou insensíveis? Não será isso contra-censo? E pergunto: Você deixaria seu irmão ir para a Cruz sem dar nenhum sinal de dor ou ficar junto dele? Deixaria sua mãe sozinha, com seu irmão sendo maltratado e morto daquela forma? Isso é coisa de renegados, pastor! E você não faria com certeza! Mas pergunto ainda: Não terão vocês também, meu caro, fugido dos pés da mesma Cruz, já que não querem ser filhos de Maria – assim como Jesus pediu – nem irmãos Dele como João aceitou ser, mesmo que filho por adoção? Pense nisso! Por isso, meu caro, é que nós temos um amor tão grande por Jesus, e também por sua Virgem Mãe. Não, ela não é Deus para nós, como vocês insistem em dizer, mas sim nossa querida Mãe de Jesus, nosso Deus. Quanto mais vocês desfazem dela, mais desfazem ou desmerecem ao próprio Jesus que Ela nos trouxe.
Quanto mais a atacam, mais ajudam satanás a combatê-la e mais dificultam a batalha Dela contra o dragão que nos quer devorar. Veja, Antonio, o que disse Deus, lá no Gênesis? A Mulher te esmagará a cabeça! Ele não disse: O Meu Filho te esmagará a cabeça! E por que motivo a Mulher? Porque foi acima de tudo, a esta Mulher, Maria Mãe de Deus, a quem o dragão rejeitou! Pergunte-se Antonio, que outra Mulher no mundo é mais indicada, ou mais perfeita, que a Mãe do próprio Filho de Deus, para ser aquela predestinada a esmagar a cabeça do dragão infernal? Qual a descendência da Mulher Maria que o dragão odeia, senão Jesus seu Filho? Caro Antonio, há denominações vossas que chegam ao inaudito de chamar a Mãe de Deus com o nome de animais dos mais desprezíveis. Ora, isso é um atestado da mais completa insanidade. Se a mãe é animal, o filho também é. Em genética a recíproca é sempre verdadeira. Cria masculina de vaca é sempre boi. Ou poderá uma mãe humana gerar um animal? Isso seria uma abominação! O filho dela seria também uma abominação. Ora, quando chamam a Mãe do próprio Deus com um nome tão tremendamente ofensivo, acertam uma pedra na própria cabeça. Primeiro porque uma tal blasfêmia não ficará sem paga. Segundo que, se chamam a Nossa Senhora por um nome animal qualquer, o Filho que ela gerou, passa a ser um degenerado da mesma laia. Então estes não amam a Deus, mas sim a um animal. É a lógica irrefutável. Ademais, se eles imaginam que Jesus fica feliz vendo sua Mãe ser insultada desta forma, eles que aguardem o dia do julgamento.
E por último, se Maria é esta mulher fraca e pecadora que vocês mencionam, sendo Ela quem irá derrotar o dragão, ou vocês renegam também o inferno ao nível da imbecilidade para ser derrotado, ou por via indireta têm que dar o braço a torcer aceitando o imenso poder que Deus colocou nas mãos de Maria.Veja: Maria não tem poder algum, sozinha, pois tudo é dom de Deus. Mas a grande sacada de Deus é exatamente fazer com que uma segunda Eva, a Mulher Maria, derrote a serpente antiga, hoje dragão. Este é o maior castigo que Deus poderia lhe impingir, devido ao seu imenso orgulho. Ou seja, tudo satanás poderá aceitar, mas jamais ser derrotado por uma criatura de carne que ele considera inferior. Pior, pela mais humilde de todas! Eis porque nós os católicos a elevamos a um tão alto nível, porque na verdade, para poder derrotar pela sua humildade extrema, ao dragão orgulhoso, Maria deveria conquistar um tal nível de graça – eis porque ela é a cheia de graças – capaz de suplantar as forças infernais. E se Deus a fez cheia de graças, como podem achar que ela é uma pessoa comum? Sim, Maria suplanta em graça até mesmo as criaturas mais resplandecentes e excelsas do Céu, e mesmo é superior às mais cintilantes potestades que habitam perto de Deus. Na verdade, ela suplanta, sozinha, a todos os santos do céu juntos, em poder de intercessão diante de Deus. Somente a Trindade Santíssima está acima Dela. É, pois à esta pequeníssima serva de Deus, Maria, a quem rendemos nossa homenagem, e não a uma divindade, pois devido ao seu poder de intercessão junto a Jesus seu Filho – não do Pai – que Ela nos tem conseguido transferir tantas graças. Assim, cada vez que vocês desmerecem à Maria, mais e mais desmerecem ao próprio Jesus.
Quanto mais vocês sujam o nome Dela, mais sujam o nome do próprio Jesus que dizem amar. Quanto mais pequena e diminuta em termos humanos vocês fazem Maria, a Mãe de Deus, mais diminuem ao próprio Jesus, até o ponto de jogá-lo no lugar comum e vala triste dos pecadores. Por outro lado, quanto mais Maria for elevada, mais graças e força terá ela, para destruir as hostes infernais do nosso inimigo comum. Sim, porque se eu e você acreditamos que Deus é Todo Poderoso, para Ele seria muito fácil soprar e derrotar o inferno, não acha? Então que mérito haveria na luta? Que chance real teria o inferno? Nenhuma! Então, se a batalha já estava definida sem perdas do lado de Deus, para que a luta? Para brincar de gato e rato com os demônios? Veja, vocês costumam dizer que já estão salvos e “arrebatados” em vida, mas olhe bem: As igrejas de vocês surgiram apenas a partir de 1908 nos Estados Unidos, com diversos pastores que criaram uma a uma suas próprias denominações. E de lá, chegaram até aqui no Brasil, certo? E já são perto de 50 mil em todo o mundo, certo? Agora pergunte: quem trouxe até 1908 a doutrina, o Evangelho, a Bíblia inteira até aquela época senão a Igreja Católica? Para que você, meu caro, tivesse hoje condições de estudar a Palavra de Deus, antes disso algumas dezenas de milhões de católicos foram martirizados, desde Roma até os últimos séculos. Para manter viva a chama da Igreja e como sinal da presença de Deus nela, a Igreja Católica conserva hoje mais de três mil corpos incorruptos, ou partes deles como prova do poder de Deus. Além disso, os santuários marianos em todo o mundo acumulam milhares de milagres inexplicáveis à luz da ciência. E fora da Igreja católica, meu caro, não há nada disso. Deixando de lado o primado de Pedro, fixemo-nos apenas no poder de Jesus, que é nosso Deus, meu e seu. Ora, se todos os católicos até 1908 se perderam, por serem adoradores de imagens ou idólatras, que Deus é este, tão fraco, ou tão cruel, capaz de fazer perder todos aquelas bilhões de almas? Mais ainda, você acha que Deus suportaria por quase 1900 anos ser rejeitado por idólatras? Ser desafiado por adoradores de imagens? Acaso ele não os destruiria como Sodoma? Só se fosse este jesus pecador e fraco que vocês inventaram, incapaz de converter ou atrair para o seu infinito Amor, até os seus próprios irmãos de sangue! Aquele jesus que vocês dizem amar, parido por uma mulher comum, criado por uma pecadora e portanto sujeito ao pecado e à Lei! Pense nisso Antonio! Tem mais! Em João 6, Jesus fala sobre o Pão da Vida e diz: Eu sou o Pão da Vida: aquele que vem a Mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede. Disse mais: E o Pão que eu hei de dar é a Minha Carne para a salvação do mundo! E quando Jesus disse isso, murmuravam contra Ele, que insistiu: Em verdade, em verdade Eu vos digo: se não comerdes a Carne do Filho do homem, e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Aí zangados, muitos dos discípulos de Jesus o abandonaram e já não andavam com Ele, dizendo: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? Veja, eles abandonaram Jesus, porque não admitiam a doutrina da Carne e do Sangue de Jesus, que nós tratamos na Divina Eucaristia. Para nós, este Corpo e este Sangue que vocês rejeitam, e que é tão bem explicado por São Paulo na carta aos Coríntios, é essência de vida e vida eterna. Veja, nós os católicos, mais uma vez ficamos com Pedro, que, quando Jesus disse: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu: A quem iremos Senhor? Só vós tendes palavras de Vida Eterna! Como explicar isso, Antonio? Sim, mais uma vez abandonaram a Jesus sozinho, com a mesma frase antiga: quem poderá admitir? Outra coisa que vocês rejeitam é o Purgatório, quando o próprio Jesus falou: dali não sairás, até pagares o último centavo! Veja, Jesus explicava aos apóstolos que se deve fazer de tudo em vida para acertar as nossas contas com o Juiz, para que Ele não nos ponha na prisão. Ora, em vida esta prisão não existe, pois Deus nos fez livres, mas na entrada da eternidade sim. O fato de vocês, na simplicidade, já se acharem justos por antecipação e arrebatados obrigatoriamente, não muda a situação. Ninguém é Santo, senão Deus! E o próprio Jesus disse: Não vos façais justos aos vossos próprios olhos! Ou seja, é extremamente raro, no mundo de hoje, que uma alma entre no Céu, sem antes passar por algum momento que seja no fogo purificador do Purgatório, pois ninguém entra lá com a alma suja. E digo mais, na Bíblia, Jesus fala que é mais fácil um camelo passar no furo de uma agulha que um rico entrar no Céu. Pois eu lhe digo, é mais fácil um rico entrar no Céu, que um católico, que virou evangélico, entrar no céu, sem antes passar algum tempo naquele local de purificação. E são normalmente longos anos de permanência ali, tendo em vista que, por vocês se auto julgarem já redimidos, deixam de rezar pelas almas dos falecidos como nós insistentemente o fazemos. Se não houvesse purgatório Antonio, a maioria das almas se perderia eternamente, pois mesmo se achando o máximo em vida, a maioria de nós – católicos e evangélicos todos – nada mais é que puro lixo. Embora você não acredite, o purgatório salva com certeza 98% das almas. Não fosse ele, todas estas almas se perderiam eternamente – vitória assombrosa de satanás, simples criatura - diante de Deus Onipotente e Criador. Sim, Jesus pagou pelas nossas faltas. Mas pagou pelas faltas daqueles que se querem salvar e fazer uso dos méritos Dele e de Sua Paixão redentora. De fato, se Deus tivesse pagado, pelo pecado de todos, mesmo os daqueles que não querem a salvação, então até os próprios demônios se salvariam, pois são também criaturas. E onde estaria a nossa liberdade? Por outro lado se Jesus pagou por todos, mesmo os maus que o rejeitam, e até estes fossem para o céu, para que ser bom, praticar a caridade, seguir o Evangelho que manda dar a outra face, a aqueles que nos batem e nos atacam? Que mérito haveria em ser bom? Então Deus não seria misericordioso, mas INJUSTO! E assim, meu caro, não só evangélicos vão para o purgatório, como também vão para o inferno. Há sim, muitos deles penando lá eternamente, especialmente os pastores maus, que ao invés de falarem apenas do Amor de Jesus, preferem pregar o ódio aos católicos e roubar o caixa de sua igreja e explorar seus fiéis. Ou você acha que muitos deles não fazem isso? Falando nisso, Antonio, cuidado com o comércio da fé? São Pedro, em sua segunda carta, bem nos adverte. Eu sei que você, em sua igreja não faz isso, mas ouça o que ele nos diz: Assim como há entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas... Muitos os seguirão nas suas desordens e serão, deste modo, a causa de o caminho da verdade ser caluniado. Movidos por avareza, procurarão com discursos fingidos, fazer de vós objeto de negócios; mas seu julgamento há muito está em ação e a sua destruição não tarda. Eu sei que você mesmo não comete esta abominação, mas há de concordar que milhares são os que fazem. Ou seja, por cobiça, exploram o povo com palavras fingidas, dizendo, por exemplo, que o dinheiro é para obras, quando na verdade vai engordar a conta bancária e aumentar o belo patrimônio do pastor. Ou seja, eles fazem da fé um rico negócio! Por fim, gostaria de lhe comentar mais três passagens da Bíblia para que você medite sobre elas. Tratam especialmente daqueles católicos frios que largam a sua Igreja, em busca de outras denominações cristãs. 1 – Está em Hebreus 10,38: O meu justo viverá pela fé. Porém se ele desfalecer, meu coração já não se agradará dele. Quem desfalece na fé, senão aquele que abandona a sua Igreja e a fé recebida de seus pais? Acaso Deus continuará fiel com ele? 2 – Está em Apocalipse 2,4: Mas tenho contra ti, que arrefeceste do primeiro amor. Eis ai o dedo acusador de Deus, apontando o abandono da Igreja. Eis que o Senhor pede: Lembra-te, pois, de onde caíste. Arrepende-te e retorna às tuas obras primeiras. Não há para estes, outro caminho de segurança, senão o retorno à sua Igreja. 3 - Está em 1 João 2,19: Eles saíram do meio de nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isso se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos.
Mais claro impossível. Se fossem, antes, bons católicos, jamais iriam deixar sua Igreja. E se deixaram é exatamente porque eram iguais a estes milhares de católicos frios, gelados, e “mornos”, assim como temos ainda aos milhares na Igreja, e aos quais o Senhor, em tempo, vomitará de sua boca (Ap 3,16). Enfim, pastor Antonio, se você bem percebeu, retirando da igreja de vocês todos os sacramentais, como cruzes, e imagens, vocês excluem-se de um imenso canal de graças que mais tarde faltarão. Se vocês negam ou rejeitam os sacramentos, que são ótimos caminhos de salvação, acabam dificultando a vossa chegada ao céu, embora pensem o contrário. E se, ainda, vocês rejeitam a Eucaristia, o Pão da Vida Eterna, acabam pondo de lado a única garantia real de salvação, ainda em vida, pois Jesus disse: quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue, terá a vida eterna. E assim, o que vos salva, é somente a misericórdia. No mais, por rejeitar o purgatório, isso não quer dizer que ele deixará de existir. Se você for realmente um pastor inteligente, como diz ser, se encostar mesmo o ouvido pertinho do coração de Jesus, perceberá que anseiam por entrar nele milhares de almas de evangélicos que você imagina salvos, mas que na verdade ainda gemem e choram no purgatório. Há milhares deles, que ficarão lá até o fim do mundo, por rejeitarem os sacramentos que salvam e desprezarem as graças que santificam. Terrível a situação de muitos deles. De fato, minha experiência diz que vocês têm quase um desprezo pelas almas dos falecidos.
Os evangélicos, com exceção dos luteranos, em sua imensa maioria não têm cemitérios próprios e usam os da Igreja Católica ou os hoje municipais. Vossos túmulos, sem cruzes, são verdadeiras sombras e tristes. Ora, todo cristão deve ter como marca de identidade uma cruz, eis que a Palavra diz: Abstende-vos, todavia, de tocar em quem estiver marcado por uma cruz. Assim, se um túmulo não está marcado por uma cruz, pertence a quem? A um adorador do diabo? A um mendigo? A um sacripanta? Se não tem sequer nome escrito, quem reza por ele? Quando o túmulo tem cruz, isso quer dizer para nós católicos: Aqui jaz em paz, um discípulo de Jesus Cristo! Sim, agora entendi o motivo pelo qual não colocam cruzes. É porque a Cruz pertence a Jesus, cuja Igreja foi fundada no ano 33 depois de Cristo! E o túmulo de um evangélico, sem cruz, pode significar assim: Aqui jaz um discípulo de José das Quantas, igreja fundada em 19XX, ou 2XXX, ainda sem marca definida. Ai está certo, não deve marcar mesmo com uma cruz, porque seria pecado de apropriação indébita. Mas pelo menos deveria haver uma inscrição dizendo: José das Quantas, não se responsabiliza pela alma deste desconhecido. E quanto à Nossa Senhora, este é um capítulo a parte. Para vocês ela não conta e não adianta a gente tentar fazê-los entender, que Ela é o melhor caminho para chegar em Jesus. Não, ela não leva ao Pai, mas sim ao Filho. Por que motivo o Senhor a faria cheia de graças se não fosse para que ela as distribuísse de acordo com o seu beneplácito? Ora, o simples fato de ser a Mãe de Deus, já lhe garantiria a salvação, para que mais graças? Infelizmente vocês perdem tudo isso e ao se acharem arrebatados e já salvos, acabam cada vez mais relaxando da pureza interior, esta a que salva, porque nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus. Tampouco aquele que anda com uma Bíblia debaixo do braço, e que decora alguns versículos surrados para com eles atacar aos católicos. É preciso algo mais que isto para garantir a salvação. Uma última chamada, pastor: Você não acha errado deixar o povo na ignorância fazendo crer que adoramos imagens? Acha que o simples fato de o povo crente estar desiludido com os católicos justifica vossa atitude diante de Deus? Sabe, se os católicos fosse revidar a todas as vossas provocações, já estaríamos em guerra há muito tempo. E isso, jamais Jesus mandou fazer. Ele mandou amar, até aos inimigos. Mandou perdoar, sempre, até mesmo aos nossos piores adversários. Ora, a mim parece, que para muitos de vós, o motivo de manter os fiéis no erro, não é apenas porque nós católicos somos péssimos exemplos, mas porque fanatizados, eles mantém com mais facilidade o fluxo do caixa de vossas igrejas e não vos abandonam com tanta facilidade. Pois é muito mais fácil manter junto de si um fanatizado inconseqüente e mal informado, que um cristão consciente, inteligente, bem instruído, especialmente se instruído na verdade. Claro que ficam ainda sem resposta algumas perguntas que para muitos parecem mesmo inexplicáveis e são: 1 – Por que motivo um católico frio, que sai da sua Igreja por se negar a pagar o centésimo já nos dia que seguem entrega sem reclamar seu suado salário a um pastor esperto? Resposta: Porque na Igreja verdadeira, paga o dízimo é dar a Deus o que é de Deus. E isso o maldito não quer. Por isso aperta o torniquete da tentação e a pessoa reclama. Mas se for para colocar fora, em obras que não vêm de Deus, ai pode, e o maldito afrouxa o cinto. E a pessoa acha que está bom. 2 – Por que motivo um católico frio, sai de sua Igreja por achar demais uma Missa de uma hora de duração, e depois é capaz de ficar sentadinho horas inteiras diante de um pastor com seus gritos de “sai satanás” ao invés de falar do amor de Jesus? Resposta: Porque estar numa Santa Missa, diante do próprio Jesus na Eucaristia, isso o maldito não quer, e pressiona os católicos frios a reclamarem e por isso se afastam da Igreja. Já estar longe da Eucaristia, ai pode, e o amaldiçoado desaperta o torniquete. Com isso a pessoa não reclama. E o pastor pensa que ele fica por causa de sua boa fala. 3 – Por que motivo nenhum evangélico submete os pretensos milagres ocorridos em suas assembléias ao crivo dos especialistas, assim como o faz a Igreja Católica? Resposta: Simplesmente porque jamais acontece uma cura verdadeira e milagrosa em virtude das rezas de um pastor. Tudo não passa de falsos sinais e prodígios enganadores. E a prova será dada pelo seguinte: Basta que a pessoa saia daquela denominação, para que os sintomas voltem a se manifestar. A mesma coisa se aplica aos drogados e aos alcoólatras. Tudo se explica apenas pela ação mentirosa e solerte do enganador. Por fim, eu acredito que você, na sua denominação, não comete estas abominações. Mas veja, se você analisar bem, pelas explicações que demos vocês eliminaram de sua crença exatamente todos os mistérios. Se não há mistérios, para que fé? Se não existe aquilo que não pode ser explicado, para que motivo a crença em um Deus? Vejam, vosso Jesus, ficou reduzido a um cidadão comum, nascido de uma mulher comum. Vossa fé fica destituída também do mistério da Trindade Santíssima, pois tudo gira em torno apenas deste Jesus que vocês inventaram. Negando o mistério de Jesus, negam o mistério de Maria e ficam sem aquela que foi predestinada a derrotar a serpente maldita. Por fim, negando o efeito dos sacramentos que salvam, dos sacramentais que beneficiam, dos santos que intercedem e especialmente o Infinito Poder da Sagrada Eucaristia – sinal da presença viva de Deus em nosso meio – acabam por barrar todos os caminhos de salvação.
Com isso tudo, como é que vocês ainda podem se achar salvos e remidos se rejeitam todas as fontes de graças? E termino este longo papo fazendo-lhe uma proposta: Se depois de me escutar com tanta paciência durante este longo tempo ainda não resolveu se tornar católico, pelo menos aceite a sugestão de viver apenas a sua fé e deixar os católicos em paz. Jesus nos mandou pregar a palavra e esperar a colheita que Deus fará. Não esperem converter os católicos com afrontas, com ataques, pois isso não vem jamais de Jesus. Vamos nos tratar como irmãos que se respeitam, cada um usando as armas do amor e não do convencimento forçado, nem da arrogância vazia. De qualquer forma, a unidade dos cristãos será feita em breve e pela ação poderosa do Espírito Santo. E mesmo que você não acredite, ela se dará em torno de João Paulo II, que, depois de afastado por sete meses do comando da Igreja Católica, retornará para o término da missão determinada a ele por Deus. Não forço nem obrigo a que você acredite nisso. Peço apenas que observe o curso das profecias feitas por Nossa Senhora e Jesus, exclusivamente a Igreja Católica, se concretizem. Ninguém pode ser cego o tempo inteiro, podendo ver.
Já agora a confissão luterana da Alemanha, se confessa abismada com os milagres que acontecem apenas na Igreja Católica e se pergunta o motivo. Também com as aparições de Nossa Senhora, porque só conosco acontecem? Porque vocês não fazem o mesmo? Esta, sim, caro pastor Antonio, seria uma grande prova de inteligência, e mais, de sabedoria. Atacar isso com cegueira é se bater contra a rocha de Jesus, que esmagará a todos os adversários. O resto é apenas fanatismo que atrapalha e não tem nada a ver com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. O resto vem apenas do divisor maldito, aquele que nos quer roubar as almas. Fiquemos, pois, na paz! Obrigado pela paciência que teve comigo e por me haver escutado.
A idolatria em vigor
A idolatria, a uma primeira vista, pode parecer um problema dos tempos antigos em que o culto religioso a estátuas de seres fictícios, de reis e de imperadores era acintosa e judeus e cristãos tinham de travar batalha em defesa de sua religião contra essa prática.Outros, verdadeiros, palpáveis bem concretos e realmente perniciosos são os ídolos modernos, dos nossos tempos.São os valores que uma cultura assume e impõe como absolutos sem que o sejam. É o reverso do anúncio do Reino de Deus, vivido e pregado por Jesus Cristo. Ora bem, o cerne do Reino é o anúncio da Boa Nova, do Evangelho de Jesus Cristo aos excluídos da sociedade, aos pobres; o anúncio da justiça verdadeira traduzida, em linguagem fácil pelo Carpinteiro de Nazaré, como sendo o tratamento que todos os seres humanos querem receber dos outros, e que deve ser o mesmo com que devem tratar o semelhante (Mt. 7,12). A idolatria é o anúncio da Boa Nova da Riqueza Sem Limites aos ricos e ambiciosos, da preponderância absoluta do Dinheiro.O Reino de Deus diz que a salvação é a confiança humilde e pobre em Deus, e a vida em recíproco tratamento de justiça entre os seres humanos.A idolatria diz que a salvação é a confiança na Riqueza, por isso ela deve ser buscada a todo custo sem deixar-se coibir e inibir por nenhum opositor. Concretizando mais, os ídolos atuais são a Riqueza, o Poder, o Estado, o Sexo, o Prazer, a Razão, o próprio ser humano à medida que são absolutizados e transformados em forças supremas e dominantes.Encarnam a idolatria os sistemas do capitalismo liberal e o do coletivismo marxista.Hoje, com a queda do comunismo, praticamente reina soberano e imbatível o ídolo do capitalismo sob a forma neoliberal.Tal ídolo máximo e atual tem um nome: Mercado de Capitais.Este é o novo “deus” ao qual se sacrificam todos os outros valores, os legítimos e perenes valores da fé cristã e da sociedade humana, o próprio ser humano, povos e nações.Os arautos desse “deus”, por disfarce e camuflagem, na religião cristã, usam do combate antigo da milenar Bíblia hebraica contra estátuas inertes e inofensivas, e cultuam, de fato, o Dinheiro, o Dólar, extorquindo pobres e miseráveis, para investir, em proveito do próprio bolso, o fruto da engabelação e da fraude obtido com a manipulação da fé cristã, no seu único “deus”, o Mercado de Capitais.E Cristo, então, fala sozinho, condenando a união de Deus e do Dinheiro:- “Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro!” Mat. 6,24.
SERÁ VERDADE QUE DEUS PROIBIU MESMO FAZER IMAGENS DE SANTOS ?

A Arca da Aliança, que Deus ordenou que Moisés mandasse construir para uso pela religião verdadeira do povo judeu, mais de dez séculos antes do nascimento de Jesus de Nazaré, era uma mala de 1,10 m. de comprimento por 0,65 cent. de altura, feito de madeira de acácia, revestido de ouro por dentro e por fora, tendo na parte externa e superior ( na tampa ) duas imagens de querubins (espécie superior de anjos) esculpidas em ouro maciço.
Dentro dessa Arca, seriam colocadas as duas placas de pedra, contendo os Dez Mandamentos, o cajado de Aarão e um vaso de ouro com o maná (alimento que Deus fizera cair do Céu para alimentar os judeus durante os 40 anos de fuga do Egito, através do deserto).
Deus disse a Moisés que estaria sempre presente no interior dessa Arca, e que, "do meio dos dois querubins", Deus afirmou que comunicaria a Moisés tudo o que ele deveria ordenar aos israelitas. Confira no livro do Êxodo, no Capítulo 25, versículos de n°. 10 até n°. 22.
O livro da Bíblia, chamado Êxodo, relata os acontecimentos ocorridos com os judeus a partir da sua libertação e saída da escravidão, no Egito, em direção à sua pátria, a Palestina.
O que surpreende nessa mala de madeira e ouro, nesse artefato religioso é a escultura das duas imagens de anjos (querubins) e o fato de que Deus tenha dito que "do meio dos dois querubins" iria falar a Moisés, ditando-lhe ordens para o povo judeu cumprir, como, na realidade, falou sempre, fazendo-se presente naquele lugar.
A surpresa está, sobretudo, em ocorrência anterior, na qual, pouco antes desse episódio da ordem para fazer a Arca e as imagens dos querubins, nesse mesmo livro do Êxodo, no Capítulo 20, versículo 4, Deus proibiu, categoricamente, a confecção de imagens de qualquer tipo, determinando:
"Não farás para ti imagem esculpida de nada que se assemelhe ao que existe lá em cima, nos céus, ou embaixo na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra".
Ora, como anjos de hierarquia superior, de graduação maior, de acordo com o que a Bíblia menciona, a partir do seu primeiro livro, o Gênesis, até o último dos seus livros, o Apocalipse, os querubins são criaturas espirituais, incorpóreas, santificadas e feitas por Deus para servi-lo, indicando sua presença do próprio Deus em determinado lugar, sendo nisso diferentes dos anjos e arcanjos, que são apenas emissários, embaixadores de Deus junto aos seres humanos e também seus protetores (cf. o Salmo 91, vers.11 e 12).
Querubins, como os anjos em geral, são seres criados por Deus e que, no modo de falar da Bíblia, existem "lá em cima, nos céus" e, de acordo com a ordem anterior de Deus, no cap. 20, vers. 4 do mesmo livro do Êxodo, não poderiam ser feitos pelos judeus em imagens!
Deus, no entanto, logo em seguida, no cap. 25, versículos de 10 a 22, mandou fazer, mandou esculpir essas duas imagens de querubins em metal nobre!
Será, então, que Deus voltou atrás, modificou a própria palavra, a ordem anterior, e, assim, se contradisse, ou, será que revogou a proibição de ser feita qualquer espécie de imagem?
Nem uma coisa, nem outra, como vamos verificar.
Ora, Deus afirma, pela própria boca, que “A minha palavra não volta atrás” - confira no livro do Profeta Isaías, 45,23.
E é Deus que também garante, com sua própria palavra que “Eu, o Senhor, não mudo” , como se pode verificar no livro do Profeta Malaquias, 3,6.
No Novo Testamento, é Jesus Cristo que, como Deus em corpo humano, garante que suas palavras não são modificáveis, afirmando: “Passarão os céus e a terra, mas as minhas palavras não passarão”, S.Lucas, 21,33.
Então, qual é a conclusão que a Bíblia nos deixa como pensamento verdadeiro, como ensinamento verdadeiro a respeito de imagens religiosas da fé cristã?
Podemos, ou não, fazer imagens, já que Deus disse, primeiro que não, e logo depois mandou fazer as imagens dos dois querubins?
A resposta está bem clara, ainda que não seja percebida por muitos, sobretudo pelos protestantes, pelos crentes hereges evangélicos.
É importante que se tenha bem conhecida a verdade divina de que Deus mesmo insiste em falar que Ele não muda a própria palavra, que Ele não volta atrás, não muda sua ordem.
Vendo, então, como todos podem ver, que Deus mandou fazer imagens de seres celestiais, de querubins, esse tipo de imagem religiosa, de seres verdadeiros e santificados pelo próprio Deus, não está nem nunca esteve proibida de ser feita.
Por isso, Deus não mudou sua palavra, porque, na realidade, Ele - quem tem sempre uma palavra firme, que não se modifica nunca ! - não tinha mesmo falado aquilo que erradamente muitas pessoas não enxergaram, não viram e não entenderam, na Bíblia, e ainda não querem entender!
O que não podia, e nunca será permitido por Deus de ser feito, é imagem de deuses de mentira, de seres inventados pela imaginação do ser humano, imagem que, por não representar um ser verdadeiro e santificado por Deus, tem o nome adotado pela língua grega e hoje utilizado por todos os verdadeiros cristãos, pelos católicos, tem o nome de ídolo.
Deus, Nosso Senhor, que tem uma palavra firme sempre, sempre, não permitiu nem permite é fazer imagem de ídolo, pois nunca, nunca mesmo proibiu fazer imagem de querubins, que são anjos superiores, criados e santificados por Ele, Deus, como as pessoas que, sendo fiéis à lei de Deus, se tornam santificadas e podem, é claro, ter suas imagens feitas pelos cristãos, imagens que representam essas pessoas verdadeiras e não inventadas pela mentira humana, porque são seres verdadeiros e, mais do que isso, são pessoas santificadas pela fidelidade e pelo amor a Deus.
Vamos guardar na memória esta palavra de Deus, que se encontra também na Bíblia:
- “Deus não é como o ser humano e, por isso, ele não mente!”
Confira no livro bíblico dos Números, 23, 19.
OS SANTOS DE DEUS

Sagrado é tudo aquilo que Deus assume como propriedade dele: coisas, animais e seres humanos.
Santo é toda a pessoa que Deus toma para si e nela imprime a sua marca, o espelho de sua imagem, feita de amor e de justiça, e que retribui a Deus pela fé e com a vida exercida de acordo com seus mandamentos e orientada a caminhar apoiada nas mãos do Senhor.
Enquanto todos os seres humanos são portadores do sinal, da marca de Deus, poucos, no entanto, são aqueles que, movidos pela gratidão e pelo amor, reconhecem trazer, na própria pessoa, a gravação dessa marca divina, enquanto outros muitos, com enorme ingratidão, quebram, em seus corpos e almas, o espelho da imagem de Deus, impedindo o resplendor, a irradiação dessa luz intensa proveniente do Sol de Deus, o qual, como nos diz o santo Zacarias, pai de São João Batista, - “ com ternura e misericórdia, ilumina os que vivem na escuridão e na sombra da morte, e dirige nossos passos no caminho da paz” (Lc.1,78-79).
Existe, sem dúvida, visível diferença entre os seres humanos, com relação ao fato divino de ser marca e espelho da imagem de Deus.
Por vontade própria, o ser humano, - desde o momento em que aconteceu, num determinado momento da História, como produto aperfeiçoado e mais importante das mãos de Deus, respondeu ao Criador de modo ingrato, desleal, insincero, acreditando-se auto-suficiente, dono de si mesmo e do próprio rumo na vida imediata.
Esse orgulho, essa soberba, essa brutal falta de inteligência, transmitida dos primeiros humanos, sucessivamente, para todas as gerações, resultou na ingratidão e na perda do endereço certo para a tomada de rumo e acerto do caminho feliz, tanto na vida mortal quanto na vida sem a morte, a vida eterna, que tem início aqui, na peregrinação terrena.
Alguns descendentes do primeiro casal humano reconheceram, depois de tantos caminhos errados seguidos pela humanidade desnorteada, a presença em si mesmo da imagem refletida, do rosto desprezado do Pai, a marca de origem, o ponto de partida e a indicação do endereço derradeiro e pleno de felicidade, e passaram a viver e a repetir, como experiência pessoal, a grande descoberta com as palavras benditas do Salmo 40:
“Bem alto gritei ao Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor.
3 Tirou-me do fosso de extermínio e do charco lamacento, assentou meus pés sobre a rocha e firmou meus passos.
4 Abriu-me a boca para um cântico novo, um hino de louvor ao nosso Deus. Muitos abrirão os olhos e, reverentes, confiarão no Senhor .
5 Feliz o homem que põe sua confiança no Senhor e não segue os idólatras, que se extraviam com mentiras!
6 Grandes obras realizastes, Senhor meu Deus; em maravilhosos desígnios para conosco ninguém se compara convosco. Quisera eu proclamá-los e divulgá-los, mas são tão numerosos que não os posso contar.
7 Não quisestes sacrifício nem oferenda, mas me abristes os ouvidos; não exigistes holocausto nem vítima expiatória.
8. Então eu disse: "Eis que venho; no rolo do livro me foi prescrito 9 fazer a vossa vontade, como tanto desejo, meu Deus, e ter a vossa lei em minhas entranhas".
10 Proclamei, na grande assembléia, a boa notícia da justiça. Realmente não fechei os lábios; Senhor , vós o sabeis.
11 Não ocultei vossa justiça no fundo do coração, falei de vossa fidelidade e de vossa salvação, não neguei vosso amor e vossa fidelidade, diante da grande assembléia.
12 Senhor , não me negueis compaixão, vosso amor e vossa fidelidade me guardem sempre!
13 Eis que me cercam desgraças sem conta. Minhas faltas me pesaram a ponto de não suportar vê-las: são mais numerosas que os cabelos da minha cabeça;
Sinto-me desanimado!
14 Comprazei-vos, Senhor , em libertar-me!
15 Cubram-se de vergonha e confusão todos os que procuram tirar-me a vida! Recuem, cobertos de desonra, os que me desejam a desgraça!
16 Apavorem-se, para castigo de sua soberba, os que me dizem: "Ah! ah!"
17 Exultem e alegrem-se convosco os que vos procuram!
"O Senhor é grande", digam, sem cessar, os que amam vossa salvação!
18 Quanto a mim, sou um pobre desvalido; o Senhor, porém, vela por mim. Vós sois meu amparo e libertador: meu Deus, não tardeis mais!
Entendem e repetem esse cântico todos os que se reconhecem, humildemente e cheios de agradecimento, portadores da marca de Deus, espelhos que refletem o rosto bendito do Senhor, aqui, na terra de todos os humanos.
Eles são os sinais do Altíssimo e por isso são chamados Santos de Deus!
Não se deixe enganar!!!

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