sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Estudo Doutrinário - Imagens.


Imagens e Ídolos



Desde os primeiros séculos os cristãos pintaram e esculpiram imagens de Jesus, de Nossa Senhora, dos Santos e dos Anjos, não para adorá´las, mas para venerá´las. As catacumbas e as igrejas de Roma, dos primeiros séculos, são testemunhas disso. Só para citar um exemplo, podemos mencionar aqui o fragmento de um afresco da catacumba de Priscila, em Roma, do início do século III. É a mais antiga imagem da Santissima Virgem, uma das mais antigas da arte cristã, sobre o mistério da Encarnação do Verbo. Mostra a imagem de um homem que aponta para uma estrela situada acima da Virgem Maria com o Menino nos braços. O Catecismo da Igreja traz uma cópia dessa imagem (Ed. de bolso, Ed. Loyola, pag.19). Este exemplo mostra que desde os primeiros séculos os cristãos já tinham o salutar costume de representar os mistérios da fé por imagens, em forma de ícones ou estátuas. É o caso de se perguntar, então: Será que foram eles ´idólatras´ por cultuarem essas imagens? É claro que não? Eles foram santos, mártires, derramaram, muitos deles, o sangue em testemunho da fé. Seria blasfêmia acusar os primeiros mártires da fé de idólatras. No século VIII, sob influência do judaísmo e do islamismo, surgiu um movimento herético que se pôs a combater o uso das imagens. Eram os iconoclastas. O grande e principal defensor do uso das imagens na época, foi o santo e doutor da Igreja S. João Damasceno (de Damasco), falecido em 749, o qual foi muito perseguido por se manter fiel e defensor dessa santa Tradição cristã. A fim de dirimir as dúvidas sobre a questão, o Papa Adriano I (772´795) convocou o II Concílio Ecumênico de Nicéia, que se realizou de 24/09 a 23/10/787. Assim se expressou o Concílio, resolvendo para sempre a questão: “Na trilha da doutrina divinamente inspirada dos nossos santos Padres, e da Tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda a certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como a representação da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre os utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em quadros, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, quanto a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos” (Catecismo da Igreja Católica, nº 1161). Essas palavras, por serem de um Concílio da Igreja, são ensinamentos oficiais e infalíveis, e não podemos colocá´los em dúvida. O grande S. João Damasceno dizia : “A beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus “ (nº 1162). O nosso Catecismo explica que: “A imagem sacra, o ícone litúrgico, representa principalmente Cristo. Ela não pode representar o Deus invisível e incompreensível; é a encarnação do Filho de Deus que inaugurou uma nova “economia” das imagens”( 1159). S. Tomás de Aquino (1225´1274) também defendia o uso das imagens, afirmando: “O culto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é imagem“( 2131). Muitos querem incriminar a Igreja Católica, afirmando que ela desrespeita a ordem que Deus deu a Moisés : “não vos pervertais, fazendo para vós uma imagem esculpida em forma de ídolo...” (Dt 4,15´16). Os cristãos, desde os primeiros séculos, entenderam, sob a luz do Espírito Santo, que Deus nunca proibiu fazer imagens, e sim “ídolos”, deuses, para adorar. O povo de Deus vivia na terra de Canaã, cercado de povos pagãos que adoravam ídolos em forma de imagens (Baals, Moloc, etc). Era isso que Deus proibia terminantemente. A prova de que Deus nunca proíbiu imagens, é que Ele próprio ordenou a Moisés que fabricasse imagens de dois Querubins e que também pintasse as suas imagens nas cortinas do Tabernáculo. Os querubins foram colocados sobre a Arca da Aliança. “Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro... Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto e protegerão com elas a tampa ... “ (Ex. 25,18s, Ex 37,7; 1 Rs. 6,23; 2 Cr. 3,10). “Farás o tabernáculo com dez cortinas de linho fino retorcido, de púrpura violeta sobre as quais alguns querubins serão artísticamente bordados” (Ex. 26,1.31). Que fique claro, de uma vez por todas, Deus nunca proibiu imagens, e sim, “fabricar imagens de deuses falsos” . O mesmo Deus mandou que, no deserto, Moisés fizesse uma imagem de uma serpente de bronze (Nm 21, 8´9), que prefigurava Jesus pregado na cruz (Jo 3,14). Também o rei Salomão, quando construiu o templo, mandou fazer querubins e outras imagens (I Rs 7,29). O culto que a Igreja Católica presta a Deus, e só a Deus, é um culto chamado “latria”, isto é, de adoração. Aos anjos e santos é um culto chamado “dulia”, de veneração. Maria, como Mãe de Deus recebe o culto de “hiper´dulia”, super´veneração digamos, mas que está muito longe da adoração devida só a Deus. São Pedro, ao terminar a segunda Carta falava do perigo daqueles que interpretavam erroneamente as Escrituras: “Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2 Pe 3,16). Infelizmente isto continua a acontecer com aqueles que querem dar uma interpretação individual à Palavra de Deus, sem autorização oficial da Igreja, levando multidões ao erro. Só a Igreja é a autêntica intérprete da Bíblia (cf.Dei Verbum,10), pois foi ela que, inspirada pelo Espírito do Senhor (Jo 16,12), a compôs. As imagens, sempre foram, em todos os tempos, um testemunho da fé. Para muitos que não sabiam ler, as belas imagens e esculturas foram como que o Evangelho pintado nas paredes ou reproduzido nas esculturas. E assim há de continuar a ser. É claro que o culto por excelência é prestado a Deus, mas isto não justifica que as imagens sejam retiradas das nossas igrejas. Ao contrário, elas nos lembram que aqueles que elas representam, chegaram à santidade por graça e obra do próprio Deus. Assim, as imagens, dão, antes de tudo, glória a Deus.


Devoção mariana e culto das imagens

1. Depois de ter justificado doutrinariamente o culto da Bem´aventurada Virgem, o Concílio Vaticano II exorta todos os fiéis a tornarem os seus promotores: “Muito de caso pensado ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao mesmo tempo recomenda a todos os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham em grande estima as práticas e exercícios de piedade para com Ela, aprovado no decorrer dos séculos pelo Magistério” (LG, 67).Com esta última afirmação os padres conciliares, sem chegar a determinações particulares queriam reafirmar a validade de algumas orações como o Rosário e o Angelus, caras à tradição do povo cristão e frequentemente encorajadas pelos Sumos Pontífices, como meios eficazes para alimentar a vida de fé e a devoção à Virgem.2. O texto conciliar prossegue pedindo aos crentes que “mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos santos” (LG, 67).Repropõe assim as decisões do II Concílio de Niceia, que se realizou no ano de 787 e confirmou a legitimidade do culto das imagens sagradas, contra quantos queriam destruí´las, considerando´as inadequadas para representar a divindade.“Nós definimos ´ declararam os padres daquela assembléia conciliar ´ com todo o rigor e cuidado que, à semelhança da representação da cruz preciosa e vivificante, assim as venerandas e sagradas imagens pintadas quer em mosaico quer em qualquer outro material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias sagradas, nos paramentos sagrados, nas paredes e mesas, nas casas e ruas; sejam elas a imagem do Senhor Deus e Salvador nosso Jesus Cristo, ou a da imaculada Senhora nossa, a Santa Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e justos” (DS, 600).Evocando essa definição, a Lumen gentium quis reafirmar a legitimidade e a validade das imagens sagradas em relação a algumas tendências que têm em vista eliminá´las das igrejas e dos santuários, a fim de concentrar toda a atenção em Cristo.3. O II Concílio de Niceia não se limita a afirmar a legitimidade das imagens, mas procura ilustrar a sua utilidade para a piedade cristã: “Com efeito, quanto mais freqüentemente estas imagens foram contempladas, tanto mais os que as virem serão levados à recordação e ao desejo dos modelos originários e a tributar´lhes, beijando´as, respeito, e veneração” (DS, 601).Trata´se de indicações que valem de modo particular para o culto da Virgem. As imagens, os ícones e as estátuas de Nossa Senhora, presentes nas casas, nos lugares públicos e em inúmeras igrejas e capelas, ajudam os fiéis a invocar a sua presença constante e o seu misericordioso patrocínio nas diferentes circunstâncias da vida. Ao tornarem concreta e quase visível a ternura materna da Virgem, elas convidam a dirigir´se a Ela, a suplicar´lhe com confiança e a imitá´la, acolhendo com generosidade a vontade divina.Nenhuma das imagens conhecidas reproduz o rosto autêntico de Maria, como já reconhecia Santo Agostinho (De Trinitate 8,7); contudo, ajudam´nos a estabelecer relações mais vivas com Ela. Deve ser encorajado, portanto o uso de expor as imagens de Maria nos lugares de culto e noutros edifícios, para sentir a sua ajuda nas dificuldades e o apelo a uma vida cada vez mais santa e fiel a Deus.4. Para promover o correto uso das sagradas efígies, o Concílio de Niceia recorda que “a honra tributada a imagem, na realidade, pertence àquele que nela é representado; e quem venera a imagem, venera a realidade daquele que nela é reproduzido” (DS, 601).Assim, adorando a imagem de Cristo a pessoa do Verbo Encarnado, os fiéis realizam um genuíno ato de culto, que nada tem em comum com a idolatria.De maneira análoga, ao venerar as representações de Maria, o crente realiza um ato destinado em definitivo a honrar a pessoa da Mãe de Jesus.5. O Vaticano II exorta, porém, os teólogos e os pregadores a evitarem tanto exageros como atitudes de demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus. E acrescenta: “Estudando, sob a orientação do Magistério, a Sagrada Escritura, os Santos Padres e Doutores, e as liturgias da Igreja, expliquem como convém as funções e os privilégios da Santíssima Virgem, os quais dizem todos respeito a Cristo, origem de toda verdade, santidade e piedade” (LG,67).A autêntica doutrina mariana é assegurada pela fidelidade à Escritura e à Tradição, assim como aos textos litúrgicos e ao Magistério. A sua característica imprescindível é a referência a Cristo: tudo, de fato, em Maria deriva de Cristo e para Ele está orientado.6. O Concílio oferece, por fim, aos crentes alguns critérios para viverem de maneira autêntica a sua relação filial com Maria: “E os fiéis lembrem´se de que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes” (LG, 67).Com estas palavras os Padres conciliares advertem contra a “vã credulidade” e o predomínio do sentimento. Eles têm em vista sobretudo reafirmar que a devoção mariana autêntica, procedendo da fé e do amoroso reconhecimento da dignidade de Maria, impele ao afeto filial para com ela e suscita o firme propósito de imitar as suas virtudes.


Veneração de Imagens

CARTA APOSTÓLICA DUODECIM SAECULUM DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II AO EPISCOPADO DA IGREJA CATÓLICA SOBRE A VENERAÇÃO DAS IMAGENS POR OCASIÃO DO XII CENTENÁRIO DO II CONCÍLIO DE NICÉIA (Esta transcrição é feito do Jornal L´Osservatore Romano, ou do site do Vaticano, edição em português, de Portugal; algumas palavras são escritas de forma diferente do português usado no Brasil) Veneráveis Irmãos, saúde e Bênção Apostólica!1. O décimo segundo centenário do II Concilio de Nicéia (a. 787) foi objeto de numerosas comemorações eclesiais e acadêmicas, as quais também esta Sé Apostólica se associou (1). O acontecimento foi celebrado igualmente com a publicação de uma Encíclica de Sua Santidade o Patriarca de Constantinopla e do Santo Sínodo (2), iniciativa que evidencia a importância teológica e o alcance ecumênico, ainda atuais, do sétimo e último Concílio plenamente reconhecido pela Igreja católica e pela Igreja ortodoxa. A doutrina definida por este Concílio quanto a legitimidade da veneração dos ícones (imagens) na Igreja merece também ela uma atenção especial, não só pela riqueza das suas implicações espirituais, mas também pelas exigências que ela impõe em todo o âmbito da arte sacra. O relevo dado pelo II Concílio de Nicéia ao assunto da Tradição, e mais precisamente da tradição não´escrita, constitui para nós católicos, assim como para os nossos irmãos ortodoxos, um convite a percorrermos de novo juntos o caminho da Tradição da Igreja não dividida, para reexaminar à sua luz as divergências, que os longos séculos de separação acentuaram entre nós, e para reencontrar; conforme o que Jesus pediu ao Pai (cf. Jo 17,11.20´21), a comunhão plena na unidade visível. 2. O Patriarca de Constantinopla São Tarásio, moderador do II Concílio Niceno, ao apresentar ao Papa Adriano I o relatório do desenrolar do Concílio, escrevia: ´Depois de termos todos ocupado o próprio lugar, nós estabelecemos ter Cristo como (nosso) chefe. Com efeito, o Santo Evangelho foi colocado em cima dum trono, como convite a todos os presentes a julgarem segundo a justiça´ (3).O fato de se ter constituído Cristo como presidente da assembléia conciliar, que se reunia no seu nome e sob a sua autoridade, foi um gesto eloquente para afirmar que a unidade da Igreja não pode realizar´se a não ser na obediência ao seu único Senhor. 3. Os imperadores que tinham convocado o Concílio, Irene e Constantino VI, tinham convidado o meu Predecessor Adriano I, ´enquanto verdadeiro primeiro Pontífice, que preside no lugar e na sede do santo e muito venerável Apóstolo Pedro´ (4). Ele fez´se representar pelo Arcebispo da Igreja romana e pelo Hegúmeno (Abade) do mosteiro grego de São Sabas em Roma. Para assegurar a representatividade universal da Igreja, era requerida também a presença dos Patriarcas orientais (5). Uma vez que os seus territórios se encontravam já sob o domínio muçulmano, os Patriarcas de Alexandria e de Antioquia enviaram conjuntamente uma carta comum a São Tarásio; e o Patriarca de Jerusalém enviou uma carta sinodal. Uma e outra foram lidas no Concílio (6). Admitia´se então comumente que as decisões de um Concílio ecumênico eram válidas somente se o Bispo de Roma nelas tivesse colaborado e se os Patriarcas orientais tivessem manifestado o seu acordo (7). Neste processo o papel da Igreja de Roma era reconhecido como insubstituível (8). Assim o II Concílio Niceno aprovou a explicação do Diácono João, segundo a qual a assembléia dos iconoclastas, realizada em Hiéria em 754, não era legítima, porque ´o Papa de Roma e os Bispos que estão à sua volta não tinham colaborado nela, nem através de legados, nem mediante uma carta encíclica, segundo a lei dos Concílios´; e ´os Patriarcas do Oriente... e os Bispos que estão com eles não lhe tinham dado o seu consenso´ (9). Por outro lado os Padres do II Concílio Niceno declararam que ´acolhiam, acatavam e seguiam´ a Carta enviada pelo Papa Adriano aos imperadores (10) assim como a dirigida ao Patriarca. Estas Cartas foram lidas, em latim e na sua tradução grega, e todos foram convidados a dar´lhes individualmente o próprio assenso (11). 4. O Concílio saudou unanimemente nas pessoas dos legados pontifícios ´a santíssíma Igreja de Roma, ou seja, do Apóstolo São Pedro´ (12) e da ´Cátedra apostólica´ (13), adotando a fórmula romana (14); e o Patriarca Tarásio, escrevendo ao meu predessor em nome do Concílio, reconhecia nele aquele que ´herdou a Cátedra do Apóstolo São Pedro´, e que, ´revestido do Sumo Pontificado, tem a subida honra de presidir, legitimamente e por vontade de Deus, à sagrada Hierarquia´ (15). Um dos momentos decisivos no decorrer do Concílio parece ter sido aquele em que ele se pronunciou a favor do restabelecimento do culto das imagens, quando os participantes acolheram, em unanimidade, a proposta dos legados romanos de fazer colocar no meio da assembléia um venerável ícone, para que os Padres pudessem prestar´lhes a sua veneração (16). O último Concílio ecumênico reconhecido quer pela Igreja católica quer pela Igreja ortodoxa é um exemplo notável de ´sinergia´ entre a sede de Roma e uma assembléia conciliar. Ele inscreve´se na perspectiva da eclesiologia patrística de comuhão, fundamentada na Tradição, como o Concílio Ecumênico Vaticano II, justamente, uma vez mais pôs em evidência.5. O Concílio Niceno II afirmou solenemente a existência da ´tradição eclesiástica escrita e não´escrita´ (17), como referência normativa para a fé e para a disciplina da Igreja. Os Padres manifestaram o seu desejo de ´conservar intactas todas as tradições da Igreja, que lhes foram confiadas, sejam elas escritas ou não´escritas. Uma delas consiste precisamente na pintura dos icones, em conformidade com a carta da pregação apostólica´ (18). Contra a corrente iconoclasta, que também tinha apelado para a Escritura e para a Tradição dos Padres, especialmente para o pseudo´sínodo de Hiéria de 754, o II Concílio de Nicéía sanciona a legitimidade da veneração das imagens, confirmando ´o ensino divinamente inspirado dos santos Padres e da Tradição da Igreja católica´ (19). Os Padres do II Concílio Niceno entendiam a ´tradição eclesiástica´ como tradição dos seisl´O na sua humanidade somente seria dívidi´l´O separando n´Ele a divindade da humanidade. Escolher uma ou outra destas duas vias levaria às duas heresias cristológicas opostas do monofisismo e do nestorianismo. Com efeito, quem pretendesse representar Cristo na sua divindade condenar´se´ia a absorver nessa representação a sua humanidade; e quem mostrasse apenas um retrato de homem, acabaria por ocultar que ele é também Deus.9. O dilema posto pelos iconoclastas envolvia algo que ia muito além da questão da possibilidade de uma arte cristã; punha em causa toda a visão cristã da realidade da Encarnação e, portanto, das relações de Deus com o mundo, e da graça com a natureza, numa palavra, a especificidade da ´Nova Aliança´, que Deus concluiu com os homens em Jesus Cristo. Os defensores das imagens advertiram muito bem isso: segundo uma expressão do Patriarca de Constantinopla São Germano, ilustre vítima da heresia iconoclasta, era toda ´a economia divina segundo a carne´ (31) que era posta de novo em questão. Com efeito, ver representado o rosto humano do Filho de Deus, ´imagem de Deus invisível´ (Cl 1,15), é ver o Verbo feito carne (cf. Jo 1,14), o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf. Jo 1,29). Portanto, a arte pode representar a forma, a efígie do rosto humano de Deus e levar aquele que o contempla ao mistério inefável do mesmo Deus feito homem para a nossa salvação. Assim, o Papa Adriano pôde escrever: ´Graças a um rosto visível, o nosso espírito será transportado, por um atrativo espiritual, até à majestade invisível da divindade, através da contemplação da imagem em que está representada a carne, que o Filho de Deus se dignou assumir para a nossa salvação. E, sendo assim, nós adoramos e conjuntamente louvamos, glorifificando´o em espírito, este mesmo Redentor, porque, como está escrito, ´Deus éEspírito´ e é por isso que nós adoramos espiritualmente a sua divindade´ (32). O Concílio Niceno II, portanto, reafirmou solenemente a distinção tradicional entre ´a verdadeira adoração (latria)´ que, ´segundo a nossa fé, é devida somente à natureza divina´ e ´a prosternação de honra´ (timetiké proskynesis), que é prestada aos icones, porque ´aquele que se prostra diante do icone, prostra´se diante da pessoa (a hipóstase) daquele que na figuração é representado´ (33). A iconografia de Cristo implica, portanto, toda a fé na realidade da Encarnação e no seu significado inexaurível para a Igreja e para o mundo. Se a Igreja costuma pô´la em prática, fá´lo porque está convencida que o Deus revelado em Jesus Cristo resgatou realmente e santificou a carne e o inteiro mundo sensível, ou seja, o homem com os seus cinco sentidos, a fim de lhe permitir renovar´se constantemente ´´a imagem d´Aquele que o criou´ (Cl 3,10). 10. O Concílio Niceno II, por conseguinte, sancionou a tradição segundo a qual ´devem expor´se as venerandas imagens sacras, manufaturadas com tintas, com mosaico e com outras matérias idôneas, nas igrejas consagradas a Deus, nos vasos e paramentos sagrados, nas paredes e nos retábulos, nas casas e nas ruas; e isto aplica´se tanto à imagem de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo e à de Nossa Senhora Imaculada, a santa Theotokos, como às imagens dos veneráveis anjos e de todos os homens santos e piedosos´ (34). A doutrina deste Concilio sustentou a arte da Igreja, tanto no Oriente como no Ocidente, inspirando´lhe obras de uma beleza e de uma profundidade sublimes. Em particular, a Igreja grega e as Igrejas eslavas, apoiando´se nas obras dos grandes teólogos São Nicéforo de Constantinopla e São Teodoro Studita, apologistas do culto das imagens, consideraram a veneração do ícone como parte integrante da Liturgia, à semelhança da celebração da Palavra. Como a leitura dos livros materiais permite a audição da Palavra viva do Senhor, assim a exposição de um ícone figurativo permite àqueles que o contemplam ter acesso aos mistérios da Salvação mediante a vista. ´Aquilo que por um lado é manifestado pela tinta e pelo papel, por outro, no ícone, é manifestado pelas várias cores e pelos outros materiais´ (35). No Ocidente, a Igreja de Roma destinguiu´se, numa continuidade sem interrupção, pela sua ação a favor das imagens (36), sobretudo no momento crítico em que, entre os anos de 825 e 843, os impérios bizantino e franco se demonstraram ambos hostis ao Concílio Niceno II. No Concílio de Trento, a Igreja católica reafirmou a doutrina tradicional, contra uma nova forma de iconoclastia que então se manifestava. Mais recentemente, o Concílio Vaticano II recordou com sobriedade a posição constante da Igreja a respeito das imagens (37) e da arte sacra em geral (38). 11. Desde há alguns decênios para cá nota´se um surto de interesse pela teologia e pela espiritualidade dos ícones orientais; isso é sinal de ritual da arte autenticamente cristã. A este propósito, não posso deixer de exortar os meus Irmãos no Episcopado a ´manterem o uso de expor imagens nas Igrejas à veneração dos fiéis´ (39) e a empenharem´se para que surjam cada vez mais obras de qualidade verdadeiramente eclesial. O crente de hoje, como o de ontem, há de ser ajudado na oração e na vida espiritual mediante a visão de obras que procurem exprimir o mistério sem nunca o ocultar. É esta a razão pela qual, hoje como no passsado, a fé é a indispensável inspiradora da arte da Igreja. A arte pela arte, que não leve a pensar senão no seu autor, sem estabelecer uma relação com o mundo divino, não encontra espaço na concepção cristã do ícone. Seja qual for o estilo que adote, todo o tipo de arte sacra deve exprimir a fé e a esperança da Igreja. A tradição das imagens mostra que o artista deve ter consciência de cumprir uma missão a serviço da Igreja. A arte cristã autêntica é aquela que, através da percepção sensível, leva à intuição de que o Senhor está presente na sua Igreja, que os acontecimentos da história da Salvação dão sentido e orientação à nossa vida e que a glória que nos está prometida começa já a transformar a nossa existência. A arte sacra deve tender a proporcionar´nos uma síntese visual de todas as dimensões da nossa fé. A arte da Igreja deve ter a preocupação de falar a linguagem da Encarnação e exprimir, com os elementos da matéria, Aquele que ´se dignou habitar na matéria e realizar a nossa salvação através da matéria´, segundo a fórmula feliz de São João Damasceno (40). A redescoberta do ícone cristão ajudará também a tomar consciência da urgência de reagir contra os efeitos despersonalizadores, e às vezes degradantes, das múltiplas imagens que condicionam a nossa vida, na publicidade e nos ´mass´media´; trata´se de fato de uma imagem que faz chegar até nós o olhar de um Outro invisível e que nos dá acesso à realidade do mundo espiritual e escatológico. 12. Amadíssimos Irmãos: Ao recordar a atualidade da doutrina do VII Concílio Ecumênico, parece´me que estamos perante um chamamento à nossa tarefa primordial de evangelização. A secularização crescente da sociedade mostra que ela está se tornando, em larga escala, alheia aos valores espirituais, ao mistério da nossa Salvação em Jesus Cristo e à realidade do mundo futuro. A nossa tradição mais autêntica, que compartilhamos plenamente com os nossos irmãos ortodoxos, ensina´nos que a linguagem da beleza, posta a serviço da fé, é capaz de atingir o coração dos homens e de os levar a conhecer, a partir de dentro, Aquele que ousamos representar nas imagens, Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, o mesmo, ontem e hoje e por todos os séculos´ (Hb 13,8).A todos dou, de coração, a Bênção Apostólica. Dado em Roma, junto de São Pedro, a 4 de dezembro, memória litúrgica de São João Damasceno, Presbítero e Doutor da Igreja, do ano de 1987, décimo do meu Pontificado. Referências1. Especialmente com a Carta de 8 de outubro de 1987, do Cardeal Secretário de Estado ao Presidente da Sociedade Internacional para a História dos Concílios, por ocasião do Simpósio de Istambul (L´Osservatore Romano, ed. quot. 12/13.10.87).2. Epi te 1200 è epetèio apo tes syncleoseos tes en Nikai Aghias z´Oikomenikes Synodoy (787´1987), Fanar, 14 de setembro de 1987. 3. J. D. Mansi, Sacrorum Conciliorum nova et amplissima colectio (= Mansi) XIII, 459c. 4. Mansi XII, 985.5. Cf. Mansi XII, 1007.1086 e Monumenta Germaniae Historica (= MGH), (Epistulae Karolini Aevi, t. 3), p. 29. 30´33. 6. Cf. Mansi XII, 1127´1135 e 1135´1145.7. Segundo o Presbítero João, representante dos Patriarcas orientais, Mansi XII, 990A e XIII, 4A.8. Cf. Mansi XII, 1134. 9. Mansi XIII, 208´209.10. Mansi XI, 1085.11. Cf. Mansi XII, 1085´1111. 12. Maisi XII, 994.1041.1114; XIII, 157.204.366.13. Mansi XII, 1086.14. Cf. carta de Adriano I a Carlos Magno, em: MGH, Epistulae III (Epistulae Merowingici et Karolini Aevi, t. I) p. 587, 5.15. Mansi XIII, 463BC.16. Cf. Mansi XIII, 200.17. Cf. Quartum anatema, em: Mansi XIII, 400.18. Horos, in: Mansi XIII, 377BC. 19. Ibid., 377C. 20. Cf. Santo Ireneu, Adversus Haereses 1, 10, 1; I, 22. 1; em: Sources Chrétiennes (= SCH) 264, p. 154´158; 308´310; Tertuliano, De praescriptione 13, 16; em Corpus Christianorum, Series Latina (= CChL), I, p. 197´198; Orígenes, Perì Archòn, Pref. 4, 10, em SCh 252, p. 80´89.21. De Baptismo IV, 24, 31; em: Corpus Scriptorum Ecclesiasticorum Latinorum (= CSEL) 51, p. 259.22. Sobre o Espirito Santo, VII 16, 21.32; IX 22, 3; XXIX 71, 6; XXX 79, 15; em SCh 17 bis, p. 298.300.322.500.528. 23. Ibid. XXVII 66; 1´3, p. 478´480. 24. Cf. Horos, in: Mansi XIII, 378E.25. Discurso sobre as imagens III, 3, em: PG 94, 1320´1321; e B. Katter, Die Schriften des Johannes von Damaskos, vol. III (Contra imaginum calumniatores orationes tres), em: ´Patristische Texte und Studien´ 17, Berlim´Nova Iorque, 1975, III, 3, p. 72´73.26. Dei Verbum, 9.27. Ibid., 8.28. Ibid., l0.29. Sobre o Espírito Santo, XVIII 45, 19, em: SCh 17 bis, p. 496; Nicéia II, Horos, em: Mansi XIII, 377E.30. Cartas de São Gregório Magno ao Bispo Sereno de Marselha, em: MGH, Gregorii I Papae Registrum Epistularum II, 1, lib. IX, 208, p. 195 e II, 2, lib. XI, 10, p 270´271; ou em: CChL 140A, lib. IX, 209, p. 768 e lib. XI, 10, p. 874´875. 31. Cf. Teófano, Chronographia ad annum, 6221, ed. C. de Boor I, Leipzig, 1883, p. 404; ou PG 108, 821C. 32. Carta de Adriano I aos Imperadores, em: Mansi XII, 1062 AB.33. Horos, em: Mansi XIII, 377E.34. Ibid., 377D.35. Teodoro Studita, Antirrheticus, 1, 10, in: PG 99, 339D.36. Cf. Carta de Adriano a Carlos Magno, em: MGH, Epistulae V (Epistulae Karolini Aevi, t. III), p. 5´57; ou PL 98, 1248´1292.37. Cf. Sacrosanctum Concilium, 111, 1; 125; 128; Lumen Gentium, 51; 67; Gaudium et Spes, 62, 4´5; e também Código de Direito Canônico, cân. 1255 e 1276. 38. Sacrosanctum Concilium, 122´124.39. Ibid., 125.40. Discurso sobre as imagens, I, 16, em: PG. 94, 1246A: e ed. Kotter 1, 16, p. 89. Concílios ecumênicos precedentes e dos Padres ortodoxos, cujo ensino era acolhido comumente na Igreja. O Concílio, deste modo, definiu como sendo de fé aquela verdade essencial, segundo a qual a mensagem cristã é ´tradição´, paràdosis. A medida que a Igreja se foi desenvolvendo, no tempo e no espaço, a sua inteligência da Tradição, da qual é portadora, conheceu também ela as fases de um desenvolvimento, cuja investigação constitui, para o diálogo ecumênico e para toda a reflexão teológica autêntica, um percurso obrigatório.6. Já São Paulo nos ensina que, para a primeira geração cristã, a paràdosis consiste na proclamação do Acontecimento de Cristo e do seu significado atual, que realiza a Salvação mediante a ação do Espírito Santo (cf. 1Cor 15,3´8; 11,2). A tradição das palavras e dos atos do Senhor foi recolhida nos quatro Evangelhos, mas sem se exaurir neles (cf. Lc 1,1; Jo 20,30; 21,25). Esta tradição primigênia é tradição ´apostólica´ (cf. 2Ts 2,14´15; Jd 17; 2Pd 3,2). Ela diz respeito não apenas ao ´depósito´ da ´sã doutrina´ (cf. 2Tm 1,6´12; Tt 1,9), mas também às normas de comportamento e às regras da vida comunitária (cf. lTs 4,1´7; 1Cor 4,17; 7,17; 11,16; 14,33). A Igreja lê a Escritura à luz da ´regra da fé´ (20), quer dizer, da sua fé viva mantida coerente com o ensino dos Apóstolos. Aquilo que a Igreja sempre acreditou e praticou, ela considera´o justamente como ´Tradição apostólica´. Santo Agostinho dizia: ´Uma observância mantida pela Igreja inteira e conservada sempre, que não tenha sido instituída pelos Concílios, acaba por não ser outra coisa, com pleno direito, senão uma tradição que emana da autoridade dos Apóstolos´ (21). De fato, as tomadas de posição dos Padres no decorrer dos grandes debates teológicos dos séculos IV e V, a importância crescente da instituição sinodal a nível regional e universal, fizeram com que, pouco a pouco, a tradição se tornasse a ´tradição dos Padres´ ou ´tradição eclesiástica´, entendida como desenvolvimento homogêneo da Tradição apostólica. Foi por isto que São Basílio Magno fez apelo às ´tradições não´escritas´, que são as ´tradições dos Padres´ (22), para fundamentar a sua teologia trinitária, e sublinha a proveniência dupla da doutrina da Igreja ´do ensino escrito, bem como da tradição apostólica´ (23). O próprio Concilio Niceno II, que cita oportunamente São Basílio a propósito da teologia das imagens (24), invocou também a autoridade dos grandes doutores ortodoxos, como São Gregório Nazianzeno, São Gregório de Nissa, São Cirilo de Alexandria. São João Damasceno pôs também ele em relevo a importância para a fé das ´tradições não escritas´, isto é, não contidas na Escritura, ao declarar: ´Se alguém se apresentar com um Evangelho diferente daquele que a Igreja católica recebeu dos Santos Apóstolos, dos Padres e dos Concílios e que ela conservou até aos nossos dias, não o escuteis´ (25).7. Mais próximo de nós, o Concílio Vaticano II apresentou novamente em plena luz a importância da ´tradição que provém dos Apóstolos´. De fato, ´a Sagrada Escritura é a Palavra de Deus, enquanto consignada por escrito sob a inspiração do Espírito divino; a Sagrada Tradição, por seu lado, é portadora da Palavra de Deus, confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, e transmite´a integralmente aos seus sucessores´ (26). ´Ora, aquilo que foi transmitido pelos Apóstolos compreende tudo quanto contribui para que o Povo de Deus viva santamente e para o aumento da sua fé´ (27). Juntamente com a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição constitui ´um único depósito sagrado da Palavra de Deus, confiado à Igreja´. A interpretação autêntica ´da Palavra de Deus escrita ou contida na Tradição foi confiada unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo´ (28). É mediante uma fidelidade igual ao tesouro comum da Tradição que remonta aos Apóstolos, que as Igrejas se esforçam hoje por aprofundar os motivos das suas divergências e as razões que há para as superar. 8. A terrível ´controvérsia sobre as imagens´, que dilacerou o império bizantino sob os imperadores isáuricos Leão III e Constantino V, entre os anos de 730 e 780, e de novo sob Leão V, de 814 a 843, explica´se principalmente pelo debate teológico que, desde o início, foi o seu fulcro. Sem ignorar o perigo de um ressurgimento sempre possível das praticas idolátricas do paganismo, a Igreja admitia que o Senhor, a Bem´aventurada Virgem Maria, os Mártires e os Santos fossem representados em formas pictóricas ou plásticas para favorecer a oração e a devoção dos fiéis. Era claro para todos, segundo a fórmula de São Basílio, recordada pelo Concílio Niceno II, que ´a honra prestada ao ícone é dirigida ao protótipo´ (29). No Ocidente, o Papa São Gregório Magno tinha insistido no caráter didático das pinturas nas igrejas, úteis para que os analfabetos, ´ao contemplá´las, possam ler, pelo menos nas paredes, aquilo que não são capazes de ler nos livros´, e acentuava que esta contemplação devia levar à adoração da ´única e onipotente Trindade Santíssima´ (30). Foi neste contexto que se desenvolveu, de maneira particular em Roma durante o século VIII, o culto das imagens dos Santos, dando lugar a uma produção artística admirável. O movimento iconoclasta, rompendo com a tradição autêntica da Igreja, considerava a veneração das imagens como um retorno à idolatria. Não sem contradição e ambiguidade, ele proibia a representação de Cristo e as imagens religiosas em geral, enquanto continuava a admitir as imagens profanas, em particular as imagens do imperador, com os sinais de reverência que a elas andavam ligados. A base da argumentação dos iconoclastas era de natureza cristológica. Como pintar Cristo que unia na sua Pessoa, sem as confundir nem as separar, a natureza divina e a natureza humana? Por outro lado, seria impossível representar a sua divindade inapreensível; por outro, representá.


Adorar Imagens


Escrito por Wladimir
Amigos: Li este artigo em um outro site Católico e achei muito bem escrito, resolvi colocar aqui também. Vale a pena ler.
Wladimir ADORAR IMAGENS A imensa maioria das cartas que temos recebido de nossos irmãos evangélicos, também dos ataques que eles têm feito contra a nossa Igreja, é certamente quanto à questão das imagens do culto católico. Para isso citam velhos chavões surrados, usam os mesmos textos bíblicos que aplicam de forma errada e as mesmas acusações sem fundamento, eis que o próprio divisor trata de acicatar os ânimos deles, nos colocando ao nível de adoradores de ídolos. E nisso muitos se comprazem e se deliciam, auto-elevando-se eles mesmos ao nível de divindades, ao acusar, a ao condenar – quando Jesus, Eu não vim para condenar, mas para salvar – nos julgando a todos já perdidos eternamente, pois dignos de ser explorados, roubados e até de padecer no inferno. Belo amor este! Já diversas pessoas nos pediram para escrever sobre este assunto, e temos a dizer que muitos padres da nossa Igreja já o fizeram, muito bem fundamentados por sinal. Entretanto, nosso modo de sentir as coisas, nos faz compreender que nada do que lhes dissermos por hora será levado em conta, uma vez que apenas o Divino Espírito Santo – a seu tempo – o fará. Entretanto, nesta semana uma história inusitada, um fato real acontecido há algum tempo, porém voltado ao mesmo assunto, me faz tentar colocar as coisas de uma forma talvez diferente. Penso que, pelo menos os mais inteligentes deles, perceberão que não estamos errados – que aliás, muitos estão sendo enganados por alguns de seus espertos pastores – e, quem sabe, pelo menos nos deixarão em paz... com as nossas imagens.
A história relata o diálogo entre um senhor, católico, que tem sob seus cuidados uma capelinha de bairro, e gosta de mantê-la aberta diariamente, para as pessoas irem lá rezar. Daremos a ele o nome de José, em homenagem ao querido São José. Pois este senhor tem como vizinho de porta um pastor da Assembléia de Deus, pessoa por sinal muito ponderada com quem José tem sempre dialogado.
Daremos a este pastor o nome de Antonio, em homenagem a Santo Antonio. Na verdade o pastor Antonio já fez saber a José, por diversas vezes, que aprecia muito o espírito de oração da família dele e de todas as pessoas que lá vão para rezar, pois “nem parecem ser católicos de tanto que oram” – boa fisgada esta na gente, não é, meus queridos irmãos católicos? – enfim, eles sempre se deram muito bem.
Pois aconteceu que dia destes, observando de uma certa distância, José percebeu que o pastor havia entrado na capelinha e depois de alguns instantes saiu. Acontece que, sempre que havia um aviso de: “Cenáculo com Maria” na porta da capelinha o mesmo era arrancado, e José desconfiou do pastor. Como ao sair ele tomou o rumo contrário, José entrou na capelinha a fim de ver o que ele havia mudado ou se havia retirado alguma coisa do lugar. Encontrou tudo no lugar, apenas a Bíblia que estava aberta em página diferente, desta vez apontando o Capítulo 15 do Livro da Sabedoria, que traça um paralelo entre os idólatras e os adoradores do Verdadeiro Deus. Então José percebeu que o pastor lhe queria dar um recado, porque a capelinha é cheia de imagens de Nossa Senhora e de santos. Minutos depois, eis que volta o pastor e ao passar em frente à capelinha, como sempre, cumprimentou a José. Deu-se então, mais ou menos o seguinte diálogo entre eles: - Penso que você quis me dar um recado hoje, não foi pastor? Perguntou José! - De que se trata seu José? - Vem cá, vamos conversar um pouco! É que vi que você abriu a nossa Bíblia no Livro da Sabedoria no capítulo 15, que fala sobre as imagens. Está vendo aquelas imagens ali? - Sim estou! - Veja, aquela é Nossa Senhora Aparecida, aquela é Nossa Senhora como Rosa Mística, ali está Santa Filomena, ali São José. Diga-me uma coisa: qual delas é Deus? - Nenhum seu José, nenhum! Mas a gente vê vocês, que são pessoas inteligentes, e ficam aí com estas imagens todas... quando Deus diz para não fazer imagens. - Se vocês sabem que não são Deus, como então dizem que nós católicos adoramos imagens? Por que insistem tanto numa coisa que não tem fundamento algum? Isso é prova também de falta de inteligência, pois há uma diferença muito grande entre adorar e estimar, venerar, ter como um modelo! É simplesmente só isso! - Eu sei, respondeu o pastor. E vou lhe confessar uma coisa. Nós, os pastores, os que têm verdadeira instrução, nós sabemos de fato que vocês não adoram imagens, mas o povão não entende assim. - Mas não seria um contra-senso? Vocês pastores, que devem bem conduzir o povo, sabem da verdade, entretanto deixam os outros no erro? - Sei, mas é que o povo simples, eles estão tão desiludidos com o comportamento dos católicos, que é melhor a gente deixar como está.
E a seguir relatou a seguinte história. Sabe, eu vou lhe revelar um fato que aconteceu em nossa igreja, justo com a minha turma, a que se formou comigo. Uns dias após a formatura, um dos meus colegas teve uma visão do próprio Jesus. E ele lhe falou assim: Bom, agora que você já está formado, vai então falar aos outros sobre Mim e explica a eles o que lhe aconteceu hoje e a visão que teve. Impressionado com uma tal revelação, o pastor saiu a campo, a falar para a Assembléia, explicando a eles aquela visão. Mas o povo crente parecia não entender. Por mais que ele tentasse, não conseguia fazer as pessoas compreenderem como era este Jesus que lhe havia aparecido. Então o pastor se pôs a rezar, pedindo a Jesus que o ajudasse naquela situação. Então Jesus lhe apareceu de novo e disse assim: É fácil filho! Escolhe um bom arquiteto, ou um homem que sabe fazer imagens e descreve a ele exatamente aquilo que você viu e manda que ele faça uma imagem minha. Depois de pronta, leva a minha imagem e mostra ao povo. Aí eles entenderão perfeitamente! Foi esta a história. Sim, o pastor entendeu o recado, assim como o pastor Antonio também entendeu e todos os de sua turma entenderam muito bem. Porém, de uma forma não muito justa, preferem deixar o povo desconhecendo a verdade, antes permitindo que as divisões se aprofundem ainda mais entre nós, não só divisão, mas até mesmo que satanás semeie seu ódio para nos destruir a todos. E ainda mais, o tal pastor da visão escreveu um livro sobre esta passagem de sua vida e temos um exemplar conosco.
Pena que ele nunca teve coragem de publicar em larga escala, deixando tantas pessoas na ilusão. Depois disso, mais uma vez José explicou o sentimento dos católicos em relação às imagens, em relação à Virgem Maria, ao arrebatamento, ao purgatório, aos cemitérios, coisa que o pastor Antonio ia concordando com um acenar de cabeça. Como não foi gravado o diálogo, vou fazer minhas as palavras de José, e imaginar que o pastor Antonio, pessoa tão boa, me esteja escutando. Eis a conversa que se deu entre eles. Disse José: Sabe, Antonio, na Bíblia Javé diz: não terás OUTROS deuses diante de Mim (Ex 20,3). Ora, aqui tem duas palavras a se observar: 1 – Outros e 2 – deuses, na forma plural. Veja, deuses, não existem, porque eu e você cremos em um só e mesmo Deus. Mas Ele diz OUTROS, ou seja, sendo uma imagem de Jesus Cristo, figurando a Ele, querendo significar Ele, querendo explicar ao povo como Ele é – assim como foi pedido ao pastor que fizesse – isso pode, não acha? Ora, nós somos sensitivos, isto é, aprendemos pelos sentidos e o ver e o tocar, fazem parte de nossos sentimentos. Quando a gente vê uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, lembra de Deus, e sente na alma imediatamente o efeito da graça. Quando a gente não tem uma imagem para ver, também não lembra, e assim, envolvido pelas coisas do dia a dia, acaba passando tempos sem lembrar de Deus. Assim, mesmo sendo uma imagem do Filho de Deus, não adoramos a imagem, mas sim o Deus que ela representa. Assim ocorre também com nossos santos. Para nós, os santos não são deuses, mas perfeitos exemplos de vida cristã e de virtude e que devem ser seguidos, jamais adorados. São, pois, apenas pessoas especiais, e modelos que devem ser imitadas. Quando a Igreja eleva uma pessoa destas à honra dos altares, ela não estabelece um novo ídolo, mas sim um novo sinal, como exemplo de vida. E assim, quando vemos a imagem daquele santo, por conhecermos a história da vida heróica dele, nos é dado ver melhor nosso próprio caminho. Ou seja, temos um modelo a seguir. E buscando seguir o modelo de vida dos santos, nos sentimos imbuídos mais fortemente em crescer igualmente em via e santidade. É assim que as coisas funcionam. Para compreender isso, Antonio, é preciso entender o que é uma graça. Graça é um favor recebido de Deus, seja por um simples gesto de carinho pelas coisas Dele, seja por grandes obras em favor da causa do Reino. Assim, quando vocês louvam e oram, recebem graças de Deus, e graças que salvam vossas almas.
Ou seja, o que salva uma pessoa na verdade, é a soma das graças que ela obteve em vida, que deve ultrapassar em peso o montante dos pecados cometidos. Se a soma das graças for maior, ela se salva. Se houver um pequeno desequilíbrio, resta o purgatório – que depois explico – e se houver muita falta, vem com certeza o inferno. Ora, é fácil alcançar graças. E as imagens dos santos e as fotos deles, nos ajudam nisso. Quando uma dona de casa tem uma imagem de Nossa Senhora em cima da geladeira, ou num altarzinho, cada vez que ela passa em frente e vê a imagem, lembra de Nossa Mãe, e recebe uma graça. E assim, numa vida interia, são milhares as graças que nós católicos acumulamos, e vocês, infelizmente, perdem! E mais tarde isso fará muita falta! Mas, continuando com os santos, eu explico melhor com Maria Santíssima. À parte de vocês a tratarem como mulher comum, para nós ela é o exemplo máximo de perfeição, virtude e graça, pois Ela atingiu, por seus méritos exclusivos e humildade, o máximo em perfeição jamais alcançado por outro ser humano. Não poderia ser diferente. O Divino não pode nascer das trevas! O Luminoso não pode brotar da escuridão. O Santo não pode ter raiz no pecado. Não adianta vocês negarem as evidências: Para carregar o Corpo Puríssimo de Jesus, o Filho de Deus, somente poderia acontecer por intermédio de um tabernáculo ímpar em perfeição e pureza, luz e graça. Ou seja, sem esta pureza, Deus nasceria contaminado pelo pecado dela. Ora, Deus não se pode contaminar com o pecado. Como poderia nascer de uma pecadora comum e permanecer no ventre dela por nove meses sem que isso acontecesse? Não seria então um Deus perfeito, nem jamais puro, e, portanto, jamais seria Deus. Ademais, se ela fosse mãe de outros filhos como vocês dizem, como provar, pelo menos, que Jesus era o primogênito? E se não tem provas, por que insistir neste vazio que denigre e deforma a uma criatura tão santa e tão pura? E mais, vocês usam a passagem onde a Bíblia fala dos irmãos de Jesus, certo? Ora, vocês que são pastores estudados e inteligentes, sabem perfeitamente que na língua pátria de Jesus não existe um termo para indicar “irmão”, tanto que Jesus diz: quem são meus irmãos? (Mt 12,48) Todo aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos céus... Ou seja, eu e você somos irmãos de Jesus, se cumprimos Sua Palavra. Também vocês dizem que as famílias antigas eram sempre numerosas, o que não é verdade. Abraão teve dois filhos! Isaac dois filhos! Joaquim e Ana tiveram uma filha, e apenas na sua velhice, assim como Isabel e Zacarias tiveram apenas João Batista. Por que insistir em macular justo a Virgem Maria, a quem Deus criou especial para Si, com exclusividade absoluta? Pois para ser a Virgem diga de menção anunciada pelos profetas, deveria ser Virgem antes, Virgem durante e Virgem depois da gravidez. E assim foi, e assim um dia, não muito distante, vocês irão entender também. Veja, não é Jesus, jamais, quem vos faz atacar Nossa Senhora e tentar maculá-la e sim nosso inimigo comum, satanás, pois será sim, esta mesma Virgem Puríssima, quem o irá esmagar, e você sabe da história, pois está na Bíblia. Antonio, não há uma só passagem no Evangelho, onde Jesus mande condenar alguém! O que Ele faz é mandar não julgar, para não ser julgado! Por que então não pregar apenas o Amor de Jesus, o perdão e rezar, sim, rezar, para que o Espírito Santo converta os católicos adoradores de imagens? Não seria mais bonito? Mais edificante? Mais próprio do Evangelho de Jesus? Compreenda, pastor Antonio, os ataques mútuos, interessam apenas a satanás, não ao nosso querido Jesus! Ou você acha que Ele fica satisfeito quando desmerecem a Mãe Dele? Quando a destratam, a rebaixam, em alguns casos ao nível das mulheres mais vulgares? Será que isso fará feliz a Jesus? Acaso você gostaria que fizessem isso com a sua própria mãe terrena? Gostaria que a destratassem? E porque acha que com Jesus que é Deus e vê tudo seria diferente? Ou seja, vocês ofendem profundamente a Jesus, por falarem mal de Maria, Sua santa Mãe. E já que voltamos a questão da Mãe, vamos mais fundo nesta questão dos irmãos. Que disse Jesus em seu último instante na Cruz: Mulher, eis aí teu filho! Filho eis aí tua Mãe! Ora, quem estava com Maria e João aos pés da cruz? Somente Maria, mulher de Cléofas e tia de Nossa Senhora, e Maria Madalena, a discípula de Jesus, ou seja, apenas quatro pessoas. Portanto, não havia ali nenhum filho de sangue de Maria Santíssima, nem tampouco um irmão de sangue de Jesus Cristo. Certo? Veja então, meu caro, que golpe violento vocês desferem em Jesus e Maria. Se Maria estava ali sem seus outros filhos, onde estavam eles? Teriam se acovardado? Teriam fugido? Não estariam entre o número dos fariseus e escarnecedores? Se os Evangelistas foram claros em citar a traição de Judas, para exemplo de muitos, não teriam sido injustos ao deixar de relatar a covardia dos irmãos do próprio Jesus? Da mesma forma em relação a Jesus: Onde estavam seus irmãos de sangue? Fugiram! Eram covardes? Ou seja, Maria é capaz de educar um filho para um gesto supremo de coragem – a morte da Cruz – enquanto impinge nos outros a pecha de covardes. Onde está o exemplo da mãe e dos sete filhos macabeus? Por sua vez, Jesus, é capaz de convencer um amigo, o João que Ele amava, a estar junto Dele, mas é fraco para converter seus próprios irmãos de sangue. Ou seja, Mãe e Jesus seu Filho corajosos, e os outros todos covardes ou insensíveis? Não será isso contra-censo? E pergunto: Você deixaria seu irmão ir para a Cruz sem dar nenhum sinal de dor ou ficar junto dele? Deixaria sua mãe sozinha, com seu irmão sendo maltratado e morto daquela forma? Isso é coisa de renegados, pastor! E você não faria com certeza! Mas pergunto ainda: Não terão vocês também, meu caro, fugido dos pés da mesma Cruz, já que não querem ser filhos de Maria – assim como Jesus pediu – nem irmãos Dele como João aceitou ser, mesmo que filho por adoção? Pense nisso! Por isso, meu caro, é que nós temos um amor tão grande por Jesus, e também por sua Virgem Mãe. Não, ela não é Deus para nós, como vocês insistem em dizer, mas sim nossa querida Mãe de Jesus, nosso Deus. Quanto mais vocês desfazem dela, mais desfazem ou desmerecem ao próprio Jesus que Ela nos trouxe.
Quanto mais a atacam, mais ajudam satanás a combatê-la e mais dificultam a batalha Dela contra o dragão que nos quer devorar. Veja, Antonio, o que disse Deus, lá no Gênesis? A Mulher te esmagará a cabeça! Ele não disse: O Meu Filho te esmagará a cabeça! E por que motivo a Mulher? Porque foi acima de tudo, a esta Mulher, Maria Mãe de Deus, a quem o dragão rejeitou! Pergunte-se Antonio, que outra Mulher no mundo é mais indicada, ou mais perfeita, que a Mãe do próprio Filho de Deus, para ser aquela predestinada a esmagar a cabeça do dragão infernal? Qual a descendência da Mulher Maria que o dragão odeia, senão Jesus seu Filho? Caro Antonio, há denominações vossas que chegam ao inaudito de chamar a Mãe de Deus com o nome de animais dos mais desprezíveis. Ora, isso é um atestado da mais completa insanidade. Se a mãe é animal, o filho também é. Em genética a recíproca é sempre verdadeira. Cria masculina de vaca é sempre boi. Ou poderá uma mãe humana gerar um animal? Isso seria uma abominação! O filho dela seria também uma abominação. Ora, quando chamam a Mãe do próprio Deus com um nome tão tremendamente ofensivo, acertam uma pedra na própria cabeça. Primeiro porque uma tal blasfêmia não ficará sem paga. Segundo que, se chamam a Nossa Senhora por um nome animal qualquer, o Filho que ela gerou, passa a ser um degenerado da mesma laia. Então estes não amam a Deus, mas sim a um animal. É a lógica irrefutável. Ademais, se eles imaginam que Jesus fica feliz vendo sua Mãe ser insultada desta forma, eles que aguardem o dia do julgamento.
E por último, se Maria é esta mulher fraca e pecadora que vocês mencionam, sendo Ela quem irá derrotar o dragão, ou vocês renegam também o inferno ao nível da imbecilidade para ser derrotado, ou por via indireta têm que dar o braço a torcer aceitando o imenso poder que Deus colocou nas mãos de Maria.Veja: Maria não tem poder algum, sozinha, pois tudo é dom de Deus. Mas a grande sacada de Deus é exatamente fazer com que uma segunda Eva, a Mulher Maria, derrote a serpente antiga, hoje dragão. Este é o maior castigo que Deus poderia lhe impingir, devido ao seu imenso orgulho. Ou seja, tudo satanás poderá aceitar, mas jamais ser derrotado por uma criatura de carne que ele considera inferior. Pior, pela mais humilde de todas! Eis porque nós os católicos a elevamos a um tão alto nível, porque na verdade, para poder derrotar pela sua humildade extrema, ao dragão orgulhoso, Maria deveria conquistar um tal nível de graça – eis porque ela é a cheia de graças – capaz de suplantar as forças infernais. E se Deus a fez cheia de graças, como podem achar que ela é uma pessoa comum? Sim, Maria suplanta em graça até mesmo as criaturas mais resplandecentes e excelsas do Céu, e mesmo é superior às mais cintilantes potestades que habitam perto de Deus. Na verdade, ela suplanta, sozinha, a todos os santos do céu juntos, em poder de intercessão diante de Deus. Somente a Trindade Santíssima está acima Dela. É, pois à esta pequeníssima serva de Deus, Maria, a quem rendemos nossa homenagem, e não a uma divindade, pois devido ao seu poder de intercessão junto a Jesus seu Filho – não do Pai – que Ela nos tem conseguido transferir tantas graças. Assim, cada vez que vocês desmerecem à Maria, mais e mais desmerecem ao próprio Jesus.
Quanto mais vocês sujam o nome Dela, mais sujam o nome do próprio Jesus que dizem amar. Quanto mais pequena e diminuta em termos humanos vocês fazem Maria, a Mãe de Deus, mais diminuem ao próprio Jesus, até o ponto de jogá-lo no lugar comum e vala triste dos pecadores. Por outro lado, quanto mais Maria for elevada, mais graças e força terá ela, para destruir as hostes infernais do nosso inimigo comum. Sim, porque se eu e você acreditamos que Deus é Todo Poderoso, para Ele seria muito fácil soprar e derrotar o inferno, não acha? Então que mérito haveria na luta? Que chance real teria o inferno? Nenhuma! Então, se a batalha já estava definida sem perdas do lado de Deus, para que a luta? Para brincar de gato e rato com os demônios? Veja, vocês costumam dizer que já estão salvos e “arrebatados” em vida, mas olhe bem: As igrejas de vocês surgiram apenas a partir de 1908 nos Estados Unidos, com diversos pastores que criaram uma a uma suas próprias denominações. E de lá, chegaram até aqui no Brasil, certo? E já são perto de 50 mil em todo o mundo, certo? Agora pergunte: quem trouxe até 1908 a doutrina, o Evangelho, a Bíblia inteira até aquela época senão a Igreja Católica? Para que você, meu caro, tivesse hoje condições de estudar a Palavra de Deus, antes disso algumas dezenas de milhões de católicos foram martirizados, desde Roma até os últimos séculos. Para manter viva a chama da Igreja e como sinal da presença de Deus nela, a Igreja Católica conserva hoje mais de três mil corpos incorruptos, ou partes deles como prova do poder de Deus. Além disso, os santuários marianos em todo o mundo acumulam milhares de milagres inexplicáveis à luz da ciência. E fora da Igreja católica, meu caro, não há nada disso. Deixando de lado o primado de Pedro, fixemo-nos apenas no poder de Jesus, que é nosso Deus, meu e seu. Ora, se todos os católicos até 1908 se perderam, por serem adoradores de imagens ou idólatras, que Deus é este, tão fraco, ou tão cruel, capaz de fazer perder todos aquelas bilhões de almas? Mais ainda, você acha que Deus suportaria por quase 1900 anos ser rejeitado por idólatras? Ser desafiado por adoradores de imagens? Acaso ele não os destruiria como Sodoma? Só se fosse este jesus pecador e fraco que vocês inventaram, incapaz de converter ou atrair para o seu infinito Amor, até os seus próprios irmãos de sangue! Aquele jesus que vocês dizem amar, parido por uma mulher comum, criado por uma pecadora e portanto sujeito ao pecado e à Lei! Pense nisso Antonio! Tem mais! Em João 6, Jesus fala sobre o Pão da Vida e diz: Eu sou o Pão da Vida: aquele que vem a Mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede. Disse mais: E o Pão que eu hei de dar é a Minha Carne para a salvação do mundo! E quando Jesus disse isso, murmuravam contra Ele, que insistiu: Em verdade, em verdade Eu vos digo: se não comerdes a Carne do Filho do homem, e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Aí zangados, muitos dos discípulos de Jesus o abandonaram e já não andavam com Ele, dizendo: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? Veja, eles abandonaram Jesus, porque não admitiam a doutrina da Carne e do Sangue de Jesus, que nós tratamos na Divina Eucaristia. Para nós, este Corpo e este Sangue que vocês rejeitam, e que é tão bem explicado por São Paulo na carta aos Coríntios, é essência de vida e vida eterna. Veja, nós os católicos, mais uma vez ficamos com Pedro, que, quando Jesus disse: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu: A quem iremos Senhor? Só vós tendes palavras de Vida Eterna! Como explicar isso, Antonio? Sim, mais uma vez abandonaram a Jesus sozinho, com a mesma frase antiga: quem poderá admitir? Outra coisa que vocês rejeitam é o Purgatório, quando o próprio Jesus falou: dali não sairás, até pagares o último centavo! Veja, Jesus explicava aos apóstolos que se deve fazer de tudo em vida para acertar as nossas contas com o Juiz, para que Ele não nos ponha na prisão. Ora, em vida esta prisão não existe, pois Deus nos fez livres, mas na entrada da eternidade sim. O fato de vocês, na simplicidade, já se acharem justos por antecipação e arrebatados obrigatoriamente, não muda a situação. Ninguém é Santo, senão Deus! E o próprio Jesus disse: Não vos façais justos aos vossos próprios olhos! Ou seja, é extremamente raro, no mundo de hoje, que uma alma entre no Céu, sem antes passar por algum momento que seja no fogo purificador do Purgatório, pois ninguém entra lá com a alma suja. E digo mais, na Bíblia, Jesus fala que é mais fácil um camelo passar no furo de uma agulha que um rico entrar no Céu. Pois eu lhe digo, é mais fácil um rico entrar no Céu, que um católico, que virou evangélico, entrar no céu, sem antes passar algum tempo naquele local de purificação. E são normalmente longos anos de permanência ali, tendo em vista que, por vocês se auto julgarem já redimidos, deixam de rezar pelas almas dos falecidos como nós insistentemente o fazemos. Se não houvesse purgatório Antonio, a maioria das almas se perderia eternamente, pois mesmo se achando o máximo em vida, a maioria de nós – católicos e evangélicos todos – nada mais é que puro lixo. Embora você não acredite, o purgatório salva com certeza 98% das almas. Não fosse ele, todas estas almas se perderiam eternamente – vitória assombrosa de satanás, simples criatura - diante de Deus Onipotente e Criador. Sim, Jesus pagou pelas nossas faltas. Mas pagou pelas faltas daqueles que se querem salvar e fazer uso dos méritos Dele e de Sua Paixão redentora. De fato, se Deus tivesse pagado, pelo pecado de todos, mesmo os daqueles que não querem a salvação, então até os próprios demônios se salvariam, pois são também criaturas. E onde estaria a nossa liberdade? Por outro lado se Jesus pagou por todos, mesmo os maus que o rejeitam, e até estes fossem para o céu, para que ser bom, praticar a caridade, seguir o Evangelho que manda dar a outra face, a aqueles que nos batem e nos atacam? Que mérito haveria em ser bom? Então Deus não seria misericordioso, mas INJUSTO! E assim, meu caro, não só evangélicos vão para o purgatório, como também vão para o inferno. Há sim, muitos deles penando lá eternamente, especialmente os pastores maus, que ao invés de falarem apenas do Amor de Jesus, preferem pregar o ódio aos católicos e roubar o caixa de sua igreja e explorar seus fiéis. Ou você acha que muitos deles não fazem isso? Falando nisso, Antonio, cuidado com o comércio da fé? São Pedro, em sua segunda carta, bem nos adverte. Eu sei que você, em sua igreja não faz isso, mas ouça o que ele nos diz: Assim como há entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas... Muitos os seguirão nas suas desordens e serão, deste modo, a causa de o caminho da verdade ser caluniado. Movidos por avareza, procurarão com discursos fingidos, fazer de vós objeto de negócios; mas seu julgamento há muito está em ação e a sua destruição não tarda. Eu sei que você mesmo não comete esta abominação, mas há de concordar que milhares são os que fazem. Ou seja, por cobiça, exploram o povo com palavras fingidas, dizendo, por exemplo, que o dinheiro é para obras, quando na verdade vai engordar a conta bancária e aumentar o belo patrimônio do pastor. Ou seja, eles fazem da fé um rico negócio! Por fim, gostaria de lhe comentar mais três passagens da Bíblia para que você medite sobre elas. Tratam especialmente daqueles católicos frios que largam a sua Igreja, em busca de outras denominações cristãs. 1 – Está em Hebreus 10,38: O meu justo viverá pela fé. Porém se ele desfalecer, meu coração já não se agradará dele. Quem desfalece na fé, senão aquele que abandona a sua Igreja e a fé recebida de seus pais? Acaso Deus continuará fiel com ele? 2 – Está em Apocalipse 2,4: Mas tenho contra ti, que arrefeceste do primeiro amor. Eis ai o dedo acusador de Deus, apontando o abandono da Igreja. Eis que o Senhor pede: Lembra-te, pois, de onde caíste. Arrepende-te e retorna às tuas obras primeiras. Não há para estes, outro caminho de segurança, senão o retorno à sua Igreja. 3 - Está em 1 João 2,19: Eles saíram do meio de nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isso se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos.
Mais claro impossível. Se fossem, antes, bons católicos, jamais iriam deixar sua Igreja. E se deixaram é exatamente porque eram iguais a estes milhares de católicos frios, gelados, e “mornos”, assim como temos ainda aos milhares na Igreja, e aos quais o Senhor, em tempo, vomitará de sua boca (Ap 3,16). Enfim, pastor Antonio, se você bem percebeu, retirando da igreja de vocês todos os sacramentais, como cruzes, e imagens, vocês excluem-se de um imenso canal de graças que mais tarde faltarão. Se vocês negam ou rejeitam os sacramentos, que são ótimos caminhos de salvação, acabam dificultando a vossa chegada ao céu, embora pensem o contrário. E se, ainda, vocês rejeitam a Eucaristia, o Pão da Vida Eterna, acabam pondo de lado a única garantia real de salvação, ainda em vida, pois Jesus disse: quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue, terá a vida eterna. E assim, o que vos salva, é somente a misericórdia. No mais, por rejeitar o purgatório, isso não quer dizer que ele deixará de existir. Se você for realmente um pastor inteligente, como diz ser, se encostar mesmo o ouvido pertinho do coração de Jesus, perceberá que anseiam por entrar nele milhares de almas de evangélicos que você imagina salvos, mas que na verdade ainda gemem e choram no purgatório. Há milhares deles, que ficarão lá até o fim do mundo, por rejeitarem os sacramentos que salvam e desprezarem as graças que santificam. Terrível a situação de muitos deles. De fato, minha experiência diz que vocês têm quase um desprezo pelas almas dos falecidos.
Os evangélicos, com exceção dos luteranos, em sua imensa maioria não têm cemitérios próprios e usam os da Igreja Católica ou os hoje municipais. Vossos túmulos, sem cruzes, são verdadeiras sombras e tristes. Ora, todo cristão deve ter como marca de identidade uma cruz, eis que a Palavra diz: Abstende-vos, todavia, de tocar em quem estiver marcado por uma cruz. Assim, se um túmulo não está marcado por uma cruz, pertence a quem? A um adorador do diabo? A um mendigo? A um sacripanta? Se não tem sequer nome escrito, quem reza por ele? Quando o túmulo tem cruz, isso quer dizer para nós católicos: Aqui jaz em paz, um discípulo de Jesus Cristo! Sim, agora entendi o motivo pelo qual não colocam cruzes. É porque a Cruz pertence a Jesus, cuja Igreja foi fundada no ano 33 depois de Cristo! E o túmulo de um evangélico, sem cruz, pode significar assim: Aqui jaz um discípulo de José das Quantas, igreja fundada em 19XX, ou 2XXX, ainda sem marca definida. Ai está certo, não deve marcar mesmo com uma cruz, porque seria pecado de apropriação indébita. Mas pelo menos deveria haver uma inscrição dizendo: José das Quantas, não se responsabiliza pela alma deste desconhecido. E quanto à Nossa Senhora, este é um capítulo a parte. Para vocês ela não conta e não adianta a gente tentar fazê-los entender, que Ela é o melhor caminho para chegar em Jesus. Não, ela não leva ao Pai, mas sim ao Filho. Por que motivo o Senhor a faria cheia de graças se não fosse para que ela as distribuísse de acordo com o seu beneplácito? Ora, o simples fato de ser a Mãe de Deus, já lhe garantiria a salvação, para que mais graças? Infelizmente vocês perdem tudo isso e ao se acharem arrebatados e já salvos, acabam cada vez mais relaxando da pureza interior, esta a que salva, porque nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus. Tampouco aquele que anda com uma Bíblia debaixo do braço, e que decora alguns versículos surrados para com eles atacar aos católicos. É preciso algo mais que isto para garantir a salvação. Uma última chamada, pastor: Você não acha errado deixar o povo na ignorância fazendo crer que adoramos imagens? Acha que o simples fato de o povo crente estar desiludido com os católicos justifica vossa atitude diante de Deus? Sabe, se os católicos fosse revidar a todas as vossas provocações, já estaríamos em guerra há muito tempo. E isso, jamais Jesus mandou fazer. Ele mandou amar, até aos inimigos. Mandou perdoar, sempre, até mesmo aos nossos piores adversários. Ora, a mim parece, que para muitos de vós, o motivo de manter os fiéis no erro, não é apenas porque nós católicos somos péssimos exemplos, mas porque fanatizados, eles mantém com mais facilidade o fluxo do caixa de vossas igrejas e não vos abandonam com tanta facilidade. Pois é muito mais fácil manter junto de si um fanatizado inconseqüente e mal informado, que um cristão consciente, inteligente, bem instruído, especialmente se instruído na verdade. Claro que ficam ainda sem resposta algumas perguntas que para muitos parecem mesmo inexplicáveis e são: 1 – Por que motivo um católico frio, que sai da sua Igreja por se negar a pagar o centésimo já nos dia que seguem entrega sem reclamar seu suado salário a um pastor esperto? Resposta: Porque na Igreja verdadeira, paga o dízimo é dar a Deus o que é de Deus. E isso o maldito não quer. Por isso aperta o torniquete da tentação e a pessoa reclama. Mas se for para colocar fora, em obras que não vêm de Deus, ai pode, e o maldito afrouxa o cinto. E a pessoa acha que está bom. 2 – Por que motivo um católico frio, sai de sua Igreja por achar demais uma Missa de uma hora de duração, e depois é capaz de ficar sentadinho horas inteiras diante de um pastor com seus gritos de “sai satanás” ao invés de falar do amor de Jesus? Resposta: Porque estar numa Santa Missa, diante do próprio Jesus na Eucaristia, isso o maldito não quer, e pressiona os católicos frios a reclamarem e por isso se afastam da Igreja. Já estar longe da Eucaristia, ai pode, e o amaldiçoado desaperta o torniquete. Com isso a pessoa não reclama. E o pastor pensa que ele fica por causa de sua boa fala. 3 – Por que motivo nenhum evangélico submete os pretensos milagres ocorridos em suas assembléias ao crivo dos especialistas, assim como o faz a Igreja Católica? Resposta: Simplesmente porque jamais acontece uma cura verdadeira e milagrosa em virtude das rezas de um pastor. Tudo não passa de falsos sinais e prodígios enganadores. E a prova será dada pelo seguinte: Basta que a pessoa saia daquela denominação, para que os sintomas voltem a se manifestar. A mesma coisa se aplica aos drogados e aos alcoólatras. Tudo se explica apenas pela ação mentirosa e solerte do enganador. Por fim, eu acredito que você, na sua denominação, não comete estas abominações. Mas veja, se você analisar bem, pelas explicações que demos vocês eliminaram de sua crença exatamente todos os mistérios. Se não há mistérios, para que fé? Se não existe aquilo que não pode ser explicado, para que motivo a crença em um Deus? Vejam, vosso Jesus, ficou reduzido a um cidadão comum, nascido de uma mulher comum. Vossa fé fica destituída também do mistério da Trindade Santíssima, pois tudo gira em torno apenas deste Jesus que vocês inventaram. Negando o mistério de Jesus, negam o mistério de Maria e ficam sem aquela que foi predestinada a derrotar a serpente maldita. Por fim, negando o efeito dos sacramentos que salvam, dos sacramentais que beneficiam, dos santos que intercedem e especialmente o Infinito Poder da Sagrada Eucaristia – sinal da presença viva de Deus em nosso meio – acabam por barrar todos os caminhos de salvação.
Com isso tudo, como é que vocês ainda podem se achar salvos e remidos se rejeitam todas as fontes de graças? E termino este longo papo fazendo-lhe uma proposta: Se depois de me escutar com tanta paciência durante este longo tempo ainda não resolveu se tornar católico, pelo menos aceite a sugestão de viver apenas a sua fé e deixar os católicos em paz. Jesus nos mandou pregar a palavra e esperar a colheita que Deus fará. Não esperem converter os católicos com afrontas, com ataques, pois isso não vem jamais de Jesus. Vamos nos tratar como irmãos que se respeitam, cada um usando as armas do amor e não do convencimento forçado, nem da arrogância vazia. De qualquer forma, a unidade dos cristãos será feita em breve e pela ação poderosa do Espírito Santo. E mesmo que você não acredite, ela se dará em torno de João Paulo II, que, depois de afastado por sete meses do comando da Igreja Católica, retornará para o término da missão determinada a ele por Deus. Não forço nem obrigo a que você acredite nisso. Peço apenas que observe o curso das profecias feitas por Nossa Senhora e Jesus, exclusivamente a Igreja Católica, se concretizem. Ninguém pode ser cego o tempo inteiro, podendo ver.
Já agora a confissão luterana da Alemanha, se confessa abismada com os milagres que acontecem apenas na Igreja Católica e se pergunta o motivo. Também com as aparições de Nossa Senhora, porque só conosco acontecem? Porque vocês não fazem o mesmo? Esta, sim, caro pastor Antonio, seria uma grande prova de inteligência, e mais, de sabedoria. Atacar isso com cegueira é se bater contra a rocha de Jesus, que esmagará a todos os adversários. O resto é apenas fanatismo que atrapalha e não tem nada a ver com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. O resto vem apenas do divisor maldito, aquele que nos quer roubar as almas. Fiquemos, pois, na paz! Obrigado pela paciência que teve comigo e por me haver escutado.



A idolatria em vigor


A idolatria, a uma primeira vista, pode parecer um problema dos tempos antigos em que o culto religioso a estátuas de seres fictícios, de reis e de imperadores era acintosa e judeus e cristãos tinham de travar batalha em defesa de sua religião contra essa prática.Outros, verdadeiros, palpáveis bem concretos e realmente perniciosos são os ídolos modernos, dos nossos tempos.São os valores que uma cultura assume e impõe como absolutos sem que o sejam. É o reverso do anúncio do Reino de Deus, vivido e pregado por Jesus Cristo. Ora bem, o cerne do Reino é o anúncio da Boa Nova, do Evangelho de Jesus Cristo aos excluídos da sociedade, aos pobres; o anúncio da justiça verdadeira traduzida, em linguagem fácil pelo Carpinteiro de Nazaré, como sendo o tratamento que todos os seres humanos querem receber dos outros, e que deve ser o mesmo com que devem tratar o semelhante (Mt. 7,12). A idolatria é o anúncio da Boa Nova da Riqueza Sem Limites aos ricos e ambiciosos, da preponderância absoluta do Dinheiro.O Reino de Deus diz que a salvação é a confiança humilde e pobre em Deus, e a vida em recíproco tratamento de justiça entre os seres humanos.A idolatria diz que a salvação é a confiança na Riqueza, por isso ela deve ser buscada a todo custo sem deixar-se coibir e inibir por nenhum opositor. Concretizando mais, os ídolos atuais são a Riqueza, o Poder, o Estado, o Sexo, o Prazer, a Razão, o próprio ser humano à medida que são absolutizados e transformados em forças supremas e dominantes.Encarnam a idolatria os sistemas do capitalismo liberal e o do coletivismo marxista.Hoje, com a queda do comunismo, praticamente reina soberano e imbatível o ídolo do capitalismo sob a forma neoliberal.Tal ídolo máximo e atual tem um nome: Mercado de Capitais.Este é o novo “deus” ao qual se sacrificam todos os outros valores, os legítimos e perenes valores da fé cristã e da sociedade humana, o próprio ser humano, povos e nações.Os arautos desse “deus”, por disfarce e camuflagem, na religião cristã, usam do combate antigo da milenar Bíblia hebraica contra estátuas inertes e inofensivas, e cultuam, de fato, o Dinheiro, o Dólar, extorquindo pobres e miseráveis, para investir, em proveito do próprio bolso, o fruto da engabelação e da fraude obtido com a manipulação da fé cristã, no seu único “deus”, o Mercado de Capitais.E Cristo, então, fala sozinho, condenando a união de Deus e do Dinheiro:- “Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro!” Mat. 6,24.


SERÁ VERDADE QUE DEUS PROIBIU MESMO FAZER IMAGENS DE SANTOS ?

A Arca da Aliança, que Deus ordenou que Moisés mandasse construir para uso pela religião verdadeira do povo judeu, mais de dez séculos antes do nascimento de Jesus de Nazaré, era uma mala de 1,10 m. de comprimento por 0,65 cent. de altura, feito de madeira de acácia, revestido de ouro por dentro e por fora, tendo na parte externa e superior ( na tampa ) duas imagens de querubins (espécie superior de anjos) esculpidas em ouro maciço.
Dentro dessa Arca, seriam colocadas as duas placas de pedra, contendo os Dez Mandamentos, o cajado de Aarão e um vaso de ouro com o maná (alimento que Deus fizera cair do Céu para alimentar os judeus durante os 40 anos de fuga do Egito, através do deserto).
Deus disse a Moisés que estaria sempre presente no interior dessa Arca, e que, "do meio dos dois querubins", Deus afirmou que comunicaria a Moisés tudo o que ele deveria ordenar aos israelitas. Confira no livro do Êxodo, no Capítulo 25, versículos de n°. 10 até n°. 22.
O livro da Bíblia, chamado Êxodo, relata os acontecimentos ocorridos com os judeus a partir da sua libertação e saída da escravidão, no Egito, em direção à sua pátria, a Palestina.
O que surpreende nessa mala de madeira e ouro, nesse artefato religioso é a escultura das duas imagens de anjos (querubins) e o fato de que Deus tenha dito que "do meio dos dois querubins" iria falar a Moisés, ditando-lhe ordens para o povo judeu cumprir, como, na realidade, falou sempre, fazendo-se presente naquele lugar.
A surpresa está, sobretudo, em ocorrência anterior, na qual, pouco antes desse episódio da ordem para fazer a Arca e as imagens dos querubins, nesse mesmo livro do Êxodo, no Capítulo 20, versículo 4, Deus proibiu, categoricamente, a confecção de imagens de qualquer tipo, determinando:
"Não farás para ti imagem esculpida de nada que se assemelhe ao que existe lá em cima, nos céus, ou embaixo na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra".
Ora, como anjos de hierarquia superior, de graduação maior, de acordo com o que a Bíblia menciona, a partir do seu primeiro livro, o Gênesis, até o último dos seus livros, o Apocalipse, os querubins são criaturas espirituais, incorpóreas, santificadas e feitas por Deus para servi-lo, indicando sua presença do próprio Deus em determinado lugar, sendo nisso diferentes dos anjos e arcanjos, que são apenas emissários, embaixadores de Deus junto aos seres humanos e também seus protetores (cf. o Salmo 91, vers.11 e 12).
Querubins, como os anjos em geral, são seres criados por Deus e que, no modo de falar da Bíblia, existem "lá em cima, nos céus" e, de acordo com a ordem anterior de Deus, no cap. 20, vers. 4 do mesmo livro do Êxodo, não poderiam ser feitos pelos judeus em imagens!
Deus, no entanto, logo em seguida, no cap. 25, versículos de 10 a 22, mandou fazer, mandou esculpir essas duas imagens de querubins em metal nobre!
Será, então, que Deus voltou atrás, modificou a própria palavra, a ordem anterior, e, assim, se contradisse, ou, será que revogou a proibição de ser feita qualquer espécie de imagem?
Nem uma coisa, nem outra, como vamos verificar.
Ora, Deus afirma, pela própria boca, que “A minha palavra não volta atrás” - confira no livro do Profeta Isaías, 45,23.
E é Deus que também garante, com sua própria palavra que “Eu, o Senhor, não mudo” , como se pode verificar no livro do Profeta Malaquias, 3,6.
No Novo Testamento, é Jesus Cristo que, como Deus em corpo humano, garante que suas palavras não são modificáveis, afirmando: “Passarão os céus e a terra, mas as minhas palavras não passarão”, S.Lucas, 21,33.
Então, qual é a conclusão que a Bíblia nos deixa como pensamento verdadeiro, como ensinamento verdadeiro a respeito de imagens religiosas da fé cristã?
Podemos, ou não, fazer imagens, já que Deus disse, primeiro que não, e logo depois mandou fazer as imagens dos dois querubins?
A resposta está bem clara, ainda que não seja percebida por muitos, sobretudo pelos protestantes, pelos crentes hereges evangélicos.
É importante que se tenha bem conhecida a verdade divina de que Deus mesmo insiste em falar que Ele não muda a própria palavra, que Ele não volta atrás, não muda sua ordem.
Vendo, então, como todos podem ver, que Deus mandou fazer imagens de seres celestiais, de querubins, esse tipo de imagem religiosa, de seres verdadeiros e santificados pelo próprio Deus, não está nem nunca esteve proibida de ser feita.
Por isso, Deus não mudou sua palavra, porque, na realidade, Ele - quem tem sempre uma palavra firme, que não se modifica nunca ! - não tinha mesmo falado aquilo que erradamente muitas pessoas não enxergaram, não viram e não entenderam, na Bíblia, e ainda não querem entender!
O que não podia, e nunca será permitido por Deus de ser feito, é imagem de deuses de mentira, de seres inventados pela imaginação do ser humano, imagem que, por não representar um ser verdadeiro e santificado por Deus, tem o nome adotado pela língua grega e hoje utilizado por todos os verdadeiros cristãos, pelos católicos, tem o nome de ídolo.
Deus, Nosso Senhor, que tem uma palavra firme sempre, sempre, não permitiu nem permite é fazer imagem de ídolo, pois nunca, nunca mesmo proibiu fazer imagem de querubins, que são anjos superiores, criados e santificados por Ele, Deus, como as pessoas que, sendo fiéis à lei de Deus, se tornam santificadas e podem, é claro, ter suas imagens feitas pelos cristãos, imagens que representam essas pessoas verdadeiras e não inventadas pela mentira humana, porque são seres verdadeiros e, mais do que isso, são pessoas santificadas pela fidelidade e pelo amor a Deus.
Vamos guardar na memória esta palavra de Deus, que se encontra também na Bíblia:
- “Deus não é como o ser humano e, por isso, ele não mente!”

Confira no livro bíblico dos Números, 23, 19.



OS SANTOS DE DEUS



Sagrado é tudo aquilo que Deus assume como propriedade dele: coisas, animais e seres humanos.
Santo é toda a pessoa que Deus toma para si e nela imprime a sua marca, o espelho de sua imagem, feita de amor e de justiça, e que retribui a Deus pela fé e com a vida exercida de acordo com seus mandamentos e orientada a caminhar apoiada nas mãos do Senhor.
Enquanto todos os seres humanos são portadores do sinal, da marca de Deus, poucos, no entanto, são aqueles que, movidos pela gratidão e pelo amor, reconhecem trazer, na própria pessoa, a gravação dessa marca divina, enquanto outros muitos, com enorme ingratidão, quebram, em seus corpos e almas, o espelho da imagem de Deus, impedindo o resplendor, a irradiação dessa luz intensa proveniente do Sol de Deus, o qual, como nos diz o santo Zacarias, pai de São João Batista, - “ com ternura e misericórdia, ilumina os que vivem na escuridão e na sombra da morte, e dirige nossos passos no caminho da paz” (Lc.1,78-79).
Existe, sem dúvida, visível diferença entre os seres humanos, com relação ao fato divino de ser marca e espelho da imagem de Deus.
Por vontade própria, o ser humano, - desde o momento em que aconteceu, num determinado momento da História, como produto aperfeiçoado e mais importante das mãos de Deus, respondeu ao Criador de modo ingrato, desleal, insincero, acreditando-se auto-suficiente, dono de si mesmo e do próprio rumo na vida imediata.
Esse orgulho, essa soberba, essa brutal falta de inteligência, transmitida dos primeiros humanos, sucessivamente, para todas as gerações, resultou na ingratidão e na perda do endereço certo para a tomada de rumo e acerto do caminho feliz, tanto na vida mortal quanto na vida sem a morte, a vida eterna, que tem início aqui, na peregrinação terrena.
Alguns descendentes do primeiro casal humano reconheceram, depois de tantos caminhos errados seguidos pela humanidade desnorteada, a presença em si mesmo da imagem refletida, do rosto desprezado do Pai, a marca de origem, o ponto de partida e a indicação do endereço derradeiro e pleno de felicidade, e passaram a viver e a repetir, como experiência pessoal, a grande descoberta com as palavras benditas do Salmo 40:
“Bem alto gritei ao Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor.
3 Tirou-me do fosso de extermínio e do charco lamacento, assentou meus pés sobre a rocha e firmou meus passos.
4 Abriu-me a boca para um cântico novo, um hino de louvor ao nosso Deus. Muitos abrirão os olhos e, reverentes, confiarão no Senhor .
5 Feliz o homem que põe sua confiança no Senhor e não segue os idólatras, que se extraviam com mentiras!
6 Grandes obras realizastes, Senhor meu Deus; em maravilhosos desígnios para conosco ninguém se compara convosco. Quisera eu proclamá-los e divulgá-los, mas são tão numerosos que não os posso contar.
7 Não quisestes sacrifício nem oferenda, mas me abristes os ouvidos; não exigistes holocausto nem vítima expiatória.
8. Então eu disse: "Eis que venho; no rolo do livro me foi prescrito 9 fazer a vossa vontade, como tanto desejo, meu Deus, e ter a vossa lei em minhas entranhas".
10 Proclamei, na grande assembléia, a boa notícia da justiça. Realmente não fechei os lábios; Senhor , vós o sabeis.
11 Não ocultei vossa justiça no fundo do coração, falei de vossa fidelidade e de vossa salvação, não neguei vosso amor e vossa fidelidade, diante da grande assembléia.
12 Senhor , não me negueis compaixão, vosso amor e vossa fidelidade me guardem sempre!
13 Eis que me cercam desgraças sem conta. Minhas faltas me pesaram a ponto de não suportar vê-las: são mais numerosas que os cabelos da minha cabeça;
Sinto-me desanimado!
14 Comprazei-vos, Senhor , em libertar-me!
15 Cubram-se de vergonha e confusão todos os que procuram tirar-me a vida! Recuem, cobertos de desonra, os que me desejam a desgraça!
16 Apavorem-se, para castigo de sua soberba, os que me dizem: "Ah! ah!"
17 Exultem e alegrem-se convosco os que vos procuram!
"O Senhor é grande", digam, sem cessar, os que amam vossa salvação!
18 Quanto a mim, sou um pobre desvalido; o Senhor, porém, vela por mim. Vós sois meu amparo e libertador: meu Deus, não tardeis mais!
Entendem e repetem esse cântico todos os que se reconhecem, humildemente e cheios de agradecimento, portadores da marca de Deus, espelhos que refletem o rosto bendito do Senhor, aqui, na terra de todos os humanos.
Eles são os sinais do Altíssimo e por isso são chamados Santos de Deus!



Não se deixe enganar!!!







Congresso ecumênico pede união das igrejas
Cerca de 205 mil pessoas assistiram hoje a uma celebração religiosa ao ar livre, na qual os principais líderes cristãos da Alemanha concluíram o primeiro Congresso Ecuménico das Igrejas pedindo união entre católicos e protestantes. "O que agora nos une, ningúem pode romper", disse o presidente do comitê organizador católico, Hans Joachim Meyer, no palco montado em frente ao edifício do Reichtstag, sede do Bundestag, o Parlamento alemão. O evento começou na quarta-feira.
As maiores autoridades católicas e protestantes alemães - os presidentes da Conferência Episcopal Alemã (DBK), cardeal Karl Lehmann, e do Conselho da Igreja Evangélica da Alemanha (EKD), Manfred Kock - falaram sobre a necessidade dos cristãos defenderem seus valores em tempos difíceis como os atuais. Em uma das referências políticas presentes em seu discurso, Kock se pronunciou a favor de uma volta às raízes cristãs da Europa na futura Constituição européia, pois "o temor de Deus libera da tentação de querer se tornar o senhor do mundo e explodir a Terra".
Muitos dos presentes levavam um lenço laranja com a inscrição "benditos sejam os que procuram a paz", lema do congresso, e carregavam bandeiras com as cores do arco íris e o símbolo da paz. "A dor pelo que ainda não conquistamos supera a alegria do que já nos une", acrescentou Kock em referência à eucaristia conjunta, proibição expressa do Papa, desobedecida por um sacerdote católico que convidou protestantes a comungarem em uma missa celebrada quinta-feira na igreja de Gethsemani.
Meyer afirmou que a parte política do congresso - onde se abordou desde o conflito do Oriente Médio até o terrorismo internacional e o programa de reforma dos sistemas de amparo social na Alemanha - também foi um "sinal alternativo contra a superficialidade do negócio político".
O sucesso dos 3,2 mil atos e atividades do congresso nestes cinco dias animou os organizadores do evento, que já avaliam a possibilidade de celebrar outro em 2008.
Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,5502,OI110202-EI312,00.html
Religião: Duzentas mil pessoas na missa de encerramento das jornadas cristãs 14h55 - 01/06/2003 Berlim, 01 Jun (Lusa) - Cerca de 200.000 católicos e protestantes assistiram hoje em Berlim à missa de encerramento das Jornadas Ecuménicas Cristãs, marcadas pelo êxito e, apesar da interdição do Vaticano, pela comunhão eucarística comum.Segundo a organização, trata-se da maior missa ecuménica jamais celebrada na Alemanha.O altar onde foi celebrada a missa foi instalado frente ao Reichstag, onde se reúne a câmara dos deputados, não muito longe da Porte de Brandebourg, por onde passava o muro de Berlim.O presidente da Conferência dos bispos católicos, o cardeal Karl Lehmann, apelou aos fiéis a estarem "prontos para a partilha", incluindo no emprego, que definiu como "um bem raro", e a respeitarem os recursos naturais."A alegria que nos reúne ultrapassa largamente a dor que sentimos pela separação das Igrejas", disse, por seu lado, Manfred Kock, presidente da Confederação das Igrejas Evangélicas e Protestantes da Alemanha.Numa encíclica publicada em Abril, o Papa João Paulo II tinha exortado os católicos a absterem-se de comungar durante as cerimónias de outras confissões cristãs.A eucaristia comum não foi celebrada hoje na missa final. No entanto, um padre católico austríaco, desafiando o Vaticano, celebrou à margem do programa oficial um serviço em que cerca de 2.000 católicos e protestantes comungaram juntos."Uma acção política" que visa alterar algo na igreja, lamentou o cardeal alemão Joseph Ratzinger, perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano, adiantando que a Conferência dos bispos católicos está a examinar uma eventual sanção contra o padre.Centenas de milhares de fiéis participaram desde quinta-feira nas primeiras Jornadas Ecuménicas Cristãs da Alemanha, que podem voltar a ser organizadas em 2008, promovidas por uma moderna campanha publicitária.
Fonte: http://noticias.uol.com. br/lusa/ultnot/ 2003/06/01/ ult611u24825.jhtm




































Delírio protestante sobre a questão das imagens sagradas


O protestantismo está definido no Catecismo de São Pio X como o "compêndio de todos os erros que existem para a perdição da alma humana". Claro que a contradição é algo que não poderia faltar em um sitema falso como esse, que leva os despreparados aos tormentos do inferno. Encontrei uma dessas contradições no espiritualmente promíscuo site do CACP. Nele, um artigo tratava sobre a arca da aliança.
Sandro Pelegrineti de Pontes
Resolvi ler, para ver sobre que "ótica" eles analisariam a existência das imagens dos querubins sobre ela e também o fato de Deus se utilizar deste instrumento como "canal" de comunicação com os judeus.
Ao terminar o artigo, fiquei feliz pelo fato de não ter encontrado nenhum erro nele (pelo menos em princípio). Tudo o que está escrito ali está correto. Mas o problema (para eles) é que o que está escrito ali é exatamente aquilo que a Igreja Católica ensina sobre a veneração aos santos e as imagens sagradas, distinguindo estas práticas da adoração devida a Deus. E que Deus pode se utilizar de instrumentos humanos ou mesmo objetos para se comunicar com seu povo. Segue abaixo o texto com marcações que fiz nos pontos mais importantes. Após o final, coloquei o endereço do trabalho no site do CACP.
A ARCA DA ALIANÇA
A Arca da Aliança ou Arca do Pacto (hebraico: aróhn hab·beríth; grego: ki·bo·tós tes di·a·thé·kes”) é descrita na Bíblia como o objeto em que as tábuas dos Dez mandamentos teriam sido guardadas, e também como veículo de comunicação entre Deus e seu povo escolhido, os Judeus. A Arca foi objeto de veneração entre os hebreus até seu desaparecimento, especula-se que ocorreu na conquista de Jerusalém por Nabucodonosor, segundo o livro de II Macabeus, o profeta Jeremias foi o responsável por esconder a Arca.
Origem
A Arca é a primeira construção mencionada no livro do Êxodo. Sua construção é orientada por Moisés, que por sua vez recebera instruções divinas quanto à forma e tamanho do objeto. Na Arca estavam guardadas as duas tábuas da lei; a vara de Aarão; e um vaso do maná. Estas três coisas representavam a aliança do Deus YHVH com o povo de Israel. Para judeus e cristãos a Arca não era só uma representação, mas era a própria presença de Deus.
Construção
A Bíblia descreve a Arca da Aliança da seguinte forma: caixa e tampa de madeira de acácia, com 2 côvados e meio de comprimento (um metro e onze centímetros ou 111cm), e um côvado e meio de largura e altura (66,6 cm). Cobriu-se de ouro puro por dentro e por fora. - (Êxodo 25:10 a 16. Para transportá-la foram colocadas quatro argolas de ouro puro, cada uma, nas quatro laterais da mesma, duas de um lado e duas do outro, para que varais pudessem ser encaixados. As varas para este transporte eram de acácia também e toda recoberta de ouro puro. As varas eram metidas nas argolas de ouro e assim a Arca da Aliança era transportada pelo meio do povo. Os varais não podiam ser retirados da arca após sua colocação. Sobre a tampa, chamada Propiciatório "o Kapporeth", foram esculpidos dois querubins de ouro ajoelhados de frente um do outro, com os rostos voltados um para o outro, com as asas esticadas para frente, tocando-se na extremidade.
Suas faces eram voltadas uma para a outra e as asas cobriam o propiciatório encontrando-se como um arco, dum modo defensor e protetor. E se curvavam em direção à tampa em atitude de adoração (Êxodo 25:10-21; 37:7-9). Esta peça era uma peça só, não sendo fundidas em separado. Segundo relato do verso 22, Deus se fazia presente no propiciatório no meio dos dois Querubins de ouro em uma presença misteriosa que os Judeus chamavam Shekinah ou presença de Deus. Dentro da Arca havia as tábuas com os Dez Mandamentos escritos por Deus, um pote com Maná e o cajado de Arão que floresceu. A Arca fazia parte do conjunto do Tabernáculo, com outras tantas especificações. Ela ficaria repousada sobre um altar também de madeira coberto de ouro, com uma coroa de ouro ao redor. Como os hebreus ainda vagavam pelo deserto no momento da construção da arca, esta precisava ser carregada, e por isso a previsão para os varais. Somente os sacerdotes levitas poderiamtransportar a arca ou tocá-la. Apenas o Sumo-Sacerdote uma vez por ano, no dia da expiação, quando a Luz de Shekiná se manifestava, entrava no santíssimo do templo. Estando ele em pecado, morreria instantaneamente. Outros relatos bíblicos se referem ao roubo da arca por outros povos inimigos de Israel, que sofreram chagas e doenças enquanto tinham a arca em seu poder. Homens que a tocavam que não fossem levitas ou sacerdotes morriam instantaneamente. Hoje a arca encontra-se perdida.
Eis o link do referido trabalho:

http://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=1451&menu=7&submenu=4


Termino com a pergunta: seriam os judeus idólatras por terem construído uma arca com duas imagens sobre ela? E se eles a "veneravam", como o próprio texto reconhece, porque os católicos não podem também venerar as imagens sagradas dos santos, da mesma forma que também os querubins foram venerados e utilizados por Deus como instrumentos para se fazer presente? Com a palavra, os protestantes.




A ORIGEM DA IGREJA E DO PAPADO

Por Dom Estêvão Bettencourt, OSB



Há quem diga que o título de Católica só foi atribuído à Igreja pelo Concílio de Constantinopla I em 381 por decreto do Imperador Teodósio - alegação esta desmentida pelo fato mesmo de que já S. Inácio de Antioquia, nos primeiros anos do século II, falava de Igreja Católica. Quanto ao termo Papa, só foi aplicado ao Bispo de Roma no século V de maneira enfática; todavia a função de Pedro como chefe do colégio apostólico já está delineada nos escritos do Novo Testamento; no caso, o que importa não é o nome, mas o exercício da função.
O seguinte artigo de um jornal deixou vários leitores confusos. Daí então, vamos as respostas.
A ORIGEM DO VATICANO E DO PAPA: A Igreja recebeu o nome de “católica” somente no ano 381, no Concílio “Conctos Populos” dirigido pelo imperador romano Teodósio. Devido às alterações que fez, deixou de ser apostólica e não sabemos como pode ser romana e universal ao mesmo tempo. (Hist. Ecles., I pg. 47, Riva ux). Até o século V não houve “papa” como conhecemos hoje. Esse tratamento de ternura começou a ser aplicado a todos os bispos a partir do ano 304. (Cônego Salin, Ciência e Religião. Tom. 2 pg. 56).
O texto em foco contém várias imprecisões (para não dizer vários erros), como se evidenciará nas linhas seguintes.
1. Igreja Católica: desde quando?
A expressão “Igreja Católica” não tem origem no fim do século IV, mas encontra-se sob a pena de S. Inácio, Bispo de Antioquia (+107 aproximadamente), que nos primeiros anos do século II escrevia: “Onde quer que se apresente o Bispo, ali esteja também a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus nos assegura a presença da Igreja Católica” (Aos Esmlrnenses 8,2).
A expressão “católica” parece designar, em primeira instância, a universalidade da Igreja (ela está em toda parte, e não somente nesta ou naquela comunidade). Todavia os intérpretes do texto julgam que algo mais está dito aí: S. Inácio terá tido em vista a Igreja autêntica, verdadeira, perfeita. Desde fins do século II se torna freqüente o sentido de universal, sem, porém, excluir o de autêntica, isto é, portadora de todos os meios de salvação instituídos por Cristo. Esta segunda acepção se tornava necessária pelo fato de haver correntes ou “igrejinhas” heréticas, separadas da Igreja grande, nos primeiros séculos (como até hoje as há).
O sentido de “autêntica” atribuído ao adjetivo “católica” encontra-se regularmente nos escritos dos primeiros séculos. A partir do século III, pode-se dizer que “católica” significa a verdadeira Igreja, esparsa pelo mundo ou também alguma comunidade local que esteja em comunhão com a Grande Igreja. Quanto à origem da palavra “católico”, é preciso procurá-la no grego profano. Com efeito; para Aristóteles (+322 a.C.), “kath’holon” significa “segundo o conjunto, em geral”; o vocábulo é aplicado às proposições universais. O filósofo estóico Zenon (+262 a.C.) escreveu um tratado sobre os universais intitulado “katholiká”; são católicos os princípios universais. Políbio (+128 a.C.) falou da história universal em comum, dizendo-a “Tès katholikès kal koinès Historias”. Para o judeu Filon de Alexandria (+44 d.C), “katholikós” significa “geral”, em oposição a “particular”; os deuses astrais da Síria eram ditos “katholikoí”. Tal vocábulo é, pela primeira vez (como dito), aplicado à Igreja por S. Inácio de Antioquia (+107 aproximadamente).
2. Que houve então em 381?
Em 381 realizou-se o Concílio Geral de Constantinopla, que repetiu a fórmula Igreja Católica, professando: “Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica”. O Concílio nada inovou; apenas reiterou a fórmula antiga.
Põe-se então a pergunta: que dizer do mencionado decreto do Imperador Teodósio? Impõe-se notar logo que o decreto data de 380, e não de 381. Com efeito; sob Teodósio I (379-95), que reinou no Oriente do Império Romano, registraram-se acontecimentos importantes. Aos 28/02/380, o Imperador assinou um decreto que tornava oficial a fé católica “transmitida aos romanos pelo apóstolo Pedro, professada pelo Pontífice Dâmaso e pelo Bispo de Alexandria, ou seja, o reconhecimento da Santa Trindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Com estas palavras, Teodósio abraçava, para si e para o Império, o Credo que, proveniente dos Apóstolos, era professado então pelo Papa Dâmaso (366-84) e pelo Bispo S. Atanásio de Alexandria, grande defensor da fé ortodoxa na controvérsia contra os arianos. Assim o Cristianismo, que Constantino I tornara lícito em 313, era feito religião oficial do Império Romano.
“Não sabemos como a Igreja pode ser romana e universal”. - O título “romana” não implica nacionalismo nem particularismo. É apenas o título que indica o endereço da sede primacial da Igreja. Na verdade, a Igreja, atuando neste mundo, precisa de ter seu endereço ou seu referencial postal, que é o do Bispo de Roma, feito Chefe visível por Cristo. Por conseguinte a Igreja Católica recebe o título de “Romana” sem prejuízo para a sua catolicidade ou universalidade. De modo semelhante, Jesus, Salvador de todos os homens, foi dito “Nazareno”, porque, convivendo com os homens, precisava de um endereço, que foi a cidade de Nazaré.
3. Apostolicidade
Diz a notícia de jornal: “Devido às alterações que fez, a Igreja deixou de ser apostólica”.
Em resposta, torna-se oportuno, antes do mais, examinar o que signifique o atributo “apostólica” aplicado à Igreja. Já no Novo Testamento se encontra a noção de que o patrimônio da fé não chega aos fiéis como algo descido do céu diretamente, mas, sim, como algo que parte do Pai, passa por Jesus Cristo, pelos Apóstolos e, finalmente, chega a cada indivíduo no seu respectivo tempo. Assim, por exemplo, Jo 1, 1-3: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida… nós vos anunciamos esta Vida eterna, que estava voltada para o Pai e que vos apareceu”. Cf. Jo 17, 7s; 20, 21; Mt 28, 18-20; Rm 10, 13-17; 2Tm 2, 2; Tt 1, 5.
Os primeiros escritores da Igreja retomaram e estenderam essa série de comunicações ou missões. Assim lemos em Tertuliano: “Sem dúvida, é preciso afirmar que as igrejas receberam dos Apóstolos; os Apóstolos receberam de Cristo, e Cristo recebeu de Deus” (De Praescriptione Haereticorum 21, 4). Os antigos davam grande apreço às listas de Bispos que houvessem ocupado uma sede outrora fundada ou governada por um Apóstolo. S. Ireneu de Lião (+202) é o autor de um desses catálogos: “Depois de ter assim fundado e edificado a Igreja, os bem-aventurados Apóstolos transmitiram a Lino o cargo do episcopado… Anacleto lhe sucede. Depois, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, é a Clemente que cabe o episcopado… A Clemente sucedem Evaristo, Alexandre; em seguida, em sexto lugar a partir dos Apóstolos, é instituído Sixto, depois Telésforo, também glorioso por seu martírio; depois Higino, Pio, Aniceto, Sotero, sucessor de Aniceto; e, agora, Eleutério detém o episcopado em décimo segundo lugar a partir dos Apóstolos” (Contra as Heresias III,2,1s).
Com outras palavras: para os antigos, a Igreja é uma comunidade que teve início com os Apóstolos, mas está destinada a se prolongar até o fim dos tempos, de modo que Ela não é senão o desabrochamento do cerne dos Apóstolos. Vejam-se as palavras de Tertuliano (+220 aproximadamente): “Foi primeiramente na Judéia que eles (os Apóstolos escolhidos e enviados por Jesus Cristo) implantaram a fé em Jesus Cristo e estabeleceram comunidades. Depois partiram pelo mundo afora e anunciaram às nações a mesma doutrina e a mesma fé. Em cada cidade fundaram Igrejas, às quais, desde aquele momento, as outras Igrejas emprestam a estaca da fé e a semente da doutrina; aliás, diariamente emprestam-nas, para que se tornem elas mesmas Igrejas. A este título mesmo são consideradas comunidades apostólicas, na medida em que são filhas das Igrejas apostólicas. Cada coisa é necessariamente definida pela sua origem. Eis por que tais comunidades, por mais numerosas e densas que sejam, não são senão a primitiva Igreja apostólica, da qual todas procedem… Assim faz-se uma única tradição de um mesmo Mistério” (De Praescriptione Haereticorum 2, 4-7.9).
A necessidade de distinguir das correntes cismáticas a verdadeira Igreja de Cristo provocou a acentuação e a utilização mais e mais freqüente do predicado da apostolicidade: a Igreja verdadeira vem de Cristo mediante os Apóstolos, ao passo que as correntes heréticas e as seitas não podem reivindicar para si o título de apostólicas. A partir do século XII começaram a aparecer pequenos tratados sobre a Igreja Apostólica frente às seitas dissidentes. Aliás, foram as heresias que provocaram a publicação de tratados explícitos sobre a Igreja.
No século XVI a apologética católica, frente à reforma protestante, explanou largamente a origem apostólica da Igreja Católica. Os teólogos puseram em evidência que aqueles que se afastam da Igreja fundada por Cristo e entregue aos Apóstolos, é que perdem o direito de constituir a Igreja Apostólica. Os reformados têm um fundador humano para cada uma de suas denominações, que pretende recomeçar a história do Cristianismo séculos após a geração dos Apóstolos, portanto sem o clássico caráter de apostolicidade.
Quanto às “alterações” na Igreja, não são mais do que o desabrochar da semente lançada por Cristo. A árvore plenamente desenvolvida é da mesma natureza que a própria semente, e vice-versa. Tal desabrochamento - lógico e necessário - foi acompanhado pelo Espírito Santo prometido por Jesus à Igreja (cf. Jo 14, 26; 16, 13-15) para que conserve e transmita incólume o depósito da fé. Caso o Senhor não tivesse providenciado essa garantia de fidelidade e autenticidade através dos séculos, teria sido vão o seu sacrifício na Cruz. É, pois, necessário dizer que na Igreja Apostólica (fundada por Cristo e entregue aos Apóstolos) se mantém viva e pura a mensagem apregoada pelo Divino Mestre.
Ver “Carta Aberta aos Protestantes
4. Origem do Papado
Lê-se no citado tópico de jornal: “Até o século V não houve Papa como conhecemos hoje” - A resposta a esta afirmação dependerá de como entender a expressão “Papa como conhecemos hoje”. Se entendemos que se trata de Papa com uso dos meios de comunicação modernos (televisão, rádio, internet …) e viagens aéreas, está claro que não houve Papa de tal tipo na Antigüidade. Todavia, se se entende Papa no sentido de chefe visível da Igreja, encontra-se tal figura já nos escritos do Novo Testamento. Com efeito; Pedro aí aparece como aquele a quem Jesus confia as chaves do reino dos céus (cf. Mt 16, 17-19) e entrega o pastoreio das suas ovelhas (cf. Lc 22, 31 s; Jo 21, 15-17). O aspecto bíblico da questão já foi repetidamente abordado [...]. Sejam acrescentados alguns traços significativos da história da Igreja.
Não se pode esperar encontrar nos primeiros séculos um exercício do Papado (ou das faculdades entregues por Jesus a Pedro e seus sucessores) tão nítido quanto nos séculos posteriores. As dificuldades de comunicação e transporte explicam que as expressões da função papal tenham sido menos freqüentes do que em épocas mais tardias. Como quer que seja, podemos tecer a história do exercício dessas funções nos seguintes termos: A Sé de Roma sempre teve consciência de que lhe tocava, em relação ao conjunto da Igreja, uma tarefa de solicitude, com o direito de intervir onde fosse necessário, para salvaguardar a fé e orientar a disciplina das comunidades. Tratava-se de ajuda, mas também, eventualmente, de intervenção jurídica, necessária para manter a unidade da Igreja. O fundamento dessa função eram os textos do Evangelho que privilegiam Pedro, como também o fato de que Pedro e Paulo haviam consagrado a Sé de Roma com o seu martírio, conferindo a esta uma autoridade singular.
Eis algumas expressões do primado do Bispo de Roma:
No século II houve, entre Ocidentais e Orientais, divergências quanto à data de celebração da Páscoa. Os cristãos da Ásia Menor queriam seguir o calendário judaico, celebrando-a na noite de 14 para 15 de Nisã (daí serem chamados quartordecimanos), independentemente do dia da semana, ao passo que os Ocidentais queriam manter o domingo como dia da Ressurreição de Jesus (portanto, o domingo seguinte a 14 de Nisã); o Bispo S. Policarpo de Esmirna foi a Roma defender a causa dos Orientais junto ao Papa Aniceto em 154; quase houve cisão da Igreja. S. Ireneu, Bispo de Lião (Gália) interveio, apaziguando os ânimos. Finalmente o Papa S. Vítor (189-198) exigiu que os fiéis da Ásia Menor observassem o calendário pascal da Igreja de Roma, pois esta remontava aos Apóstolos Pedro e Paulo.
Aliás, S. Ireneu (+202 aproximadamente) dizia a respeito de Roma: “Com tal Igreja, por causa da sua peculiar preeminência, deve estar de acordo toda Igreja, porque nela… foi conservado o que a partir dos Apóstolos é tradição” (Contra as Heresias 3, 2). Muito significativa é a profissão de fé dos Bispos Máximo, Urbano e outros do Norte da África que aderiram ao cisma de Novaciano, rigorista, mas posteriormente resolveram voltar à comunhão da Igreja sob o Papa S. Cornélio em 251: “Sabemos que Cornélio é Bispo da Santíssima Igreja Católica, escolhido por Deus todo-poderoso e por Cristo Nosso Senhor. Confessamos o nosso erro… Todavia nosso coração sempre esteve na Igreja; não ignoramos que há um só Deus e Senhor todo-poderoso, também sabemos que Cristo é o Senhor…; há um só Espírito Santo; por isto deve haver um só Bispo à frente da Igreja Católica” (Denzinger-Schõnmetzer, Enchiridion 108 [44]).
O Papa Estevão I (254-257) foi o primeiro a recorrer a Mt 16, 16-19, ao afirmar contra os teólogos do Norte da África, que não se deve repetir o Batismo ministrado por hereges, pois não são os homens que batizam, mas é Cristo que batiza. A partir do século IV, o recurso a Mt 16, 16-19 se torna freqüente. No século V, o Papa Inocêncio I (401-417) interveio na controvérsia movida por Pelágio a respeito da graça; num de seus sermões S. Agostinho respondeu ao fato, dizendo: “Agora que vieram disposições da Sé Apostólica, o litígio está terminado (causa finita est)” (serm. 130, 107).
No Concílio de Calcedônia (451), lida a carta do Papa Leão I, a assembléia exclamou: “Esta é a fé dos Pais, esta é a fé dos Apóstolos. Pedro falou através de Leão”.
O Papa Gelásio I declarou entre 493 e 495 que a Sé de Pedro (romana) tinha o direito de julgamento sobre todas as outras sedes episcopais, ao passo que ela mesma não está sujeita a algum julgamento humano. Em 501, o Synodus Palmaris de Roma reafirmou este princípio, que entrou no Código de Direito Canônico: “Prima sedes a nemine iudicatur, - A sé primacial não pode ser julgada por instância alguma” (cânon 1629). Em suma, quanto mais o estudioso avança no decurso da história da Igreja, mais nitidamente percebe a configuração do primado de Pedro, ocasionada pelas diversas situações que o povo de Deus foi atravessando.
No tocante ao termo “Papa” deve-se dizer que vem do grego “pappas” = “pai”. Nos primeiros séculos era título atribuído aos Bispos como expressão de afetuosa veneração, veneração que se depreende dos adjetivos “meu…, nosso…” que acompanham o título. A mesma designação podia ser ocasionalmente atribuída também aos simples presbíteros (pais), como acontecia no Egito do século IV. No Oriente ainda hoje o sacerdote é chamado “papas”. No Egito o “papas” por excelência é o Patriarca de Alexandria.
O título de papa é dado ao Bispo de Roma já por Tertuliano (+220 aproximadamente) no seu livro De pudicitia XIII 7, onde se lê: “Benedictus papa”. É encontrado também numa inscrição do diácono Severo (296-304) achada nas catacumbas de São Calixto, em que se lê: “iussu p(a)p(ae) sul Marcellini” (=”por ordem do Papa ou pai Marcelino”). No fim do século IV a palavra Papa aplicada ao Bispo de Roma começa a exprimir mais do que afetuosa veneração; tende a tornar-se um título específico. Tenha-se em vista a interpelação colocada por S. Ambrósio (+397) numa de suas cartas: “Domino dilectissimo fratri Syriaci papae” (=”Ao senhor diletíssimo irmão Siríaco Papa”) (epístola 42). O Sínodo de Toledo (Espanha) em 400 chama Papa (sem mais) o Bispo de Roma. São Vicente de Lerins (falecido antes de 450) cita vários Bispos, mas somente aos Bispos Celestino I e Sixto III atribui o título de Papa.
No século VI o título tornou-se, com raras exceções, privativo dos Bispos de Roma.

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BETTENCOURT, Dom Estêvão. Apostolado Veritatis Splendor: A ORIGEM DA IGREJA E DO PAPADO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/574. Desde 2/3/2002.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

História da Igreja Cristã


A Fundação da Igreja

"E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino dos Céus: e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus." (Mt. 16, 18)
Como isso é claro e positivo! Jesus Cristo muda o nome de Simão, em pedra (aramaico: Kephas, significa pedra e pedro, numa única palavra, como em francês Pierre é o nome de uma pessoa e o nome do minério pedra).
Deus fez diversas vezes tais mudanças, para que o nome exprimisse o papel especial que deve representar a pessoa. Assim mudou o nome de Abrão em Abraão (Gn 17, 5), para exprimir que devia ser o pai de muitos povos.
Mudou ainda o nome de Jacob em Israel (Gn 32, 28) para significar a "força contra Deus". Assim Jesus Cristo mudou o nome de Simão em Pedro, sobre a qual estará fundada a Igreja, sendo o seu construtor o próprio Cristo.
Em todo o trecho em que Nosso Senhor confirma S. Pedro como primeiro Papa, fica evidente que Ele se dirige, exclusivamente, a S. Pedro, sem um mínimo desvio: "Eu te digo... Tu és Pedro... Sobre esta pedra edificarei... Eu te darei... O que desatares..."
S. Pedro é a pessoa a quem tudo é dirigido ... é ele o centro de todo este texto.
Esse ponto é muito importante, pois a interpretação truncada dos protestantes quer admitir o absurdo de que Nosso Senhor não sabia se exprimir corretamente. Eles dizem que Cristo queria dizer: "Simão, tu és pedra, mas não edificarei sobre ti a minha Igreja, por que não és pedra, senão sobre mim." Ora, é uma contradição, pois Nosso Senhor alterou o nome de Simão para "Kephas", deixando claro quem seria a "pedra" visível de Sua Igreja.

A primazia de S. Pedro comprovada nas Sagradas Escrituras e na Tradição
"Eu te darei as chaves do Reino dos Céus" [a S. Pedro] - (Mt. 16, 17-19) - Primazia de jurisdição sobre todos, pois é a ele que a sentença é dita.
O primado de S. Pedro sobre os outros fica claramente expresso quando ele: 1) preside e dirige a escolha de Matias para o lugar de Judas (At 1,1-25); 2) É o primeiro a anunciar o evangelho no dia de Pentecostes (At 2, 14); 3) Testemunha, diante do Sinédrio, a mensagem de Cristo (At 10, 1); 4) Acolhe na Igreja o primeiro Pagão (At 10,1); 5) Fala primeiro no Concílio dos Apóstolos, em Jerusalém, e decide sobre a questão da circuncisão: "Então toda a assembléia silenciou"(At 15, 7-12), etc.
Todos os sucessores dos apóstolos atestam o primado de Pedro e dos seus sucessores, como, por exemplo: 1) Tertuliano: "A Igreja foi construída sobre Pedro"; 2) S. Cipriano: "Sobre um só foi construída a Igreja: Pedro"; Santo Ambrósio: "Onde há Pedro, aí há a Igreja de Jesus Cristo".
S. Mateus enumerando os apóstolos, confirma o primado de S. Pedro: "O primeiro, Simão, que se chama Pedro"(Mt 10, 2).
No século I, o Bispo de Roma, Clemente, escrevendo aos Coríntios, para chamar à ordem os que injustamente tinham demitido os presbíteros, declara-lhes que serão réus de falta grave se não lhe obedecerem. O procedimento de Clemente de Roma tem maior importância, se considerarmos que nessa época ainda vivia o apóstolo S. João que não deixaria de intervir se o Bispo de Roma estivesse no mesmo plano dos outros bispos.
No princípio do sec. II, Santo Inácio escreve aos romanos que a Igreja de Roma preside a todas as demais.
S. Irineu diz ser a Igreja Romana a "máxima" e fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo (Heres. 3. 3. 2). Traz mais a lista dos dirigentes da Igreja Romana desde S. Pedro ate o Papa reinante no tempo dele, que era S. Eleuterio. Ao todo eram só doze. Eis a lista de modo ascensional: Eleuterio; Sotero; Aniceto; Pio; Higino; Telesfor; Xisto; Alexandre; Evaristo; Clemente; Anacleto; Lino; Pedro. (veja que S. Irineu deve ter vivido no entre o ano 100 e 200 DC). S. Jerônimo escrevendo a S. Dâmaso, Papa, diz: "Eu me estreito a Vossa Santidade que equivale a Cátedra de Pedro. E esta a pedra sobre a qual Jesus Cristo fundou a sua Igreja. Seguro em vossa cátedra eu sigo a Jesus Cristo". Fala nisto direta ou indiretamente diversos santos e cristãos dos primeiros séculos, formando a mais universal das tradições, a mais firme convicção histórica. Só para citar alguns: S. Epifanio, Osório Pedro de Alexandria, Dionísio de Corinto, S. João Crisóstomo, Papias, etc.
Nosso Senhor: "Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu com instância para vos joeirar como trigo; mas eu roguei por ti, para que não desfaleça a tua fé; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos" (Luc. 22, 31-32). Ou seja, é S. Pedro que tem a missão, dada pelo próprio messias, de 'confirmar' seus irmãos. Essa missão supõe, evidentemente, o primado de jurisdição.
S. Pedro é nomeado pastor das ovelhas de Cristo. Após a Ressurreição, Nosso Senhor confia a Pedro a guarda de seu rebanho, isto é, confia-lhe o cuidado de toda a cristandade, dos cordeiros e das ovelhas: "Apascenta os meus cordeiros", repete-lhe duas vezes; e à terceira: "apascenta as minhas ovelhas" (Jo. 21, 15-17). Ora, conforme o uso corrente das línguas orientais, a palavra apascentar significa "governar". Apascentar os cordeiros e as ovelhas é, portanto, governar com autoridade soberana a Igreja de Cristo; é ser o chefe supremo; é ter o primado. Além do que a imagem de "pastor" designa, na Sagrada Escritura, o Messias e sua obra (cf. Mq 2,13; 4,6s; Sf 3,18s, Jr 23,3; 31,19; Is 30,11; 49,9s). Ora, confiando a S. Pedro a missão de pastor, Nosso Senhor o constituiu seu representante visível na Terra.
No catálogo dos apóstolos (Mt 10, 2-4; Mc 3, 16-19; Lc 6, 13-16; At 1, 13), S. Pedro sempre é colocado em primeiro lugar. Em Mt. 10, 2 lê-se explicitamente que Pedro é o primeiro ("Prótos"). Ora, "prótos" tanto quer dizer o primeiro numericamente como o primeiro em dignidade e honra (v. Mt 20, 27; Mc 12, 28,31; At 13, 50; 28,17).
Em Mt. 17, 24-27, curiosamente, Nosso Senhor mandou pagar o tributo ao templo em nome Dele e de S. Pedro, demonstrando a importância daquele que seria o seu representante visível. Ele não manda que se pague em nome dos outros apóstolos, apenas de S. Pedro.

S. Pedro esteve em Roma, foi o primeiro Bispo de Roma e foi martirizado em Roma
A estadia de S. Pedro em Roma é incontestável historicamente. Sobre ela atestam Orígenes (ano 254), Clemente de Alexandria (215), Tertuliano (222), S. Irineu (202), Dionísio (171). Do século primeiro, convém destacar S. Inácio (107) e Clemente Romano (101). Esses historiadores e testemunhas são reconhecidos, pela crítica moderna, como autoridades dignas de fé.
Existe uma série ininterrupta de testemunhos do Século III até aos apóstolos e isso sem uma voz discorde.
Em Cartago e em Corinto, em Alexandria e Roma, na Gália como na África, no Oriente como no Ocidente, a viagem de S. Pedro a Roma é afirmada unanimemente, como fato sobre o qual não pairou nunca a mínima dúvida.
Orígenes (+ 254) diz: "S. Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve fosse crucificado de cabeça para baixo" (Com. in Genes., t. 3).
Clemente de Alexandria ( + 215) diz: "Marcos escreveu o seu Evangelho a pedido dos Romanos que oviram a pregação de Pedro" (Hist. Ecl. VI, 14).
Tertuliano (+ c. 222), por sua vez, diz: "Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz" (Scorp. c. 15).
No século II abundam igualmente provas.
Santo Irineu (+ 202) escreve na sua grande obra "contra as heresias": "Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja" (L. 3, c. 1, n. 1, v. 4).
Dionísio (+ 171) escreve ao papa Sotero: "S. Pedro e S. Paulo foram à Itália, onde doutrinaram e sofreram o martírio no mesmo tempo" (Evas. Hist. Eccl. II 25).
Do século I convém destacar:
Santo Inácio (+ 107), Bispo de Antioquia, que conviveu longos anos com os apóstolos. Condenado por Trajano, fez viagem para Roma, onde foi supliciado, tendo escrito antes uma carta aos Romanos onde diz: "Tudo isso eu não vos ordeno como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, e eu sou um condenado" (ad Rom., c IV).
Clemente Romano (+101), 3o sucessor de S. Pedro, conheceu-o pessoalmente em Roma. É, por isso, autoridade de valor excepcional. Eis o que escreve: "Ponhamos diante dos olhos os bons apóstolos Pedro e Paulo. Pedro que, pelo ódio iníquo, sofreu; e depois do martírio, foi-se para a mansão da glória. A estes santos varões, que ensinavam a santidade, associou-se grande multidão de eleitos, que, supliciados pelo ódio, foram entre nós de ótimo exemplo".
Note que só estão citados autores do início do cristianismo, para que não fique dúvida acerca da idoneidade dos testemunhos, que poderiam ser objeto de dúvida dos protestantes... É bom revelar que nenhum protestante imparcial teve a ousadia de contestar esses historiadores.
É, portanto, um fato certo que S. Pedro esteve em Roma e foi ali martirizado sob o reinado de Nero. Nenhum historiador, até os protestantes, isto é, durante 1500 anos, o contesta; ao contrário: para todos eles é um fato notório e público.
Vamos agora provar que S. Pedro foi o primeiro Bispo de Roma:
Poderíamos citar muitas longas passagens de S. Irineu, Caio, S. Cipriano, S. Agostinho, S. Optato, S. Jerônimo, Sulpício Severo, que atestam "unânimes" o episcopado romano do príncipe dos apóstolos. Limitemo-nos a umas curtas citações:
Caio: falando de S. Vitor, Papa, diz: "Desde Pedro ele foi o décimo terceiro Bispo de Roma"(ad Euseb. 128)
S. Jerônimo: "Simão Pedro foi a Roma e aí ocupou a cátedra sacerdotal durante 25 anos" (De Viris Ill. 1, 1).
S. Agostinho: "S. Lino sucedeu a S. Pedro" (Epist. 53)
Sulpício Severo, falando do tempo de Nero, diz: "Neste tempo, Pedro exercia em Roma a função de Bispo" (His. Sacr., n. 28)
S. Ireneu: "Os apóstolos Pedro e Paulo fundaram a Igreja, e o primeiro remeteu o episcopado a Lino, a quem sucedeu Anacleto e depois Clemente".
Convém notar ainda que todos os catálogos dos Bispos de Roma, organizados segundo os documentos primitivos, pelos antigos escritores, colocam invariavelmente o nome de Pedro à frente de todos.

A Sucessão Apostólica
Agora veremos como o Papa é sucessor direto de S. Pedro, primeiro Bispo de Roma:
Primeiramente, os protestantes deveriam provar que o Papa não é sucessor de S. Pedro, todavia, como eles não tem nenhum texto histórico ou religioso que prove, eles pedem uma prova dos católicos. Eles só negam, nada podem afirmar.
Vamos analisar as Sagradas Escrituras. Lá existe não só a investidura de S. Pedro como chefe visível da Igreja, mas a investidura perpétua dos apóstolos, para serem os "enviados" de Cristo (Mt. 28, 18 - 20): "É me dado todo o poder no céu e na terra; ide pois e ensinai a todos os povos e eis que estou convosco todos os dias até a consumação do mundo".
Que quer dizer isso?
1 - Cristo tem todo poder, é a primeira parte
2 - Cristo transmite este poder, é a segunda parte (Lembremo-nos, no mesmo sentido, da frase: "tudo que ligares na terra será ligado no céu e tudo o que desligares na terra será desligado no céu")
3 - A quem Ele transmite? Aos apóstolos.
4 - Até quando? Até a consumação do mundo
Ora, Cristo transmitiu este poder unicamente aos apóstolos presentes? Não pode ser, pois os apóstolos deviam morrer um dia, como todos os homens morrem. Ele diz: "estarei convosco até à consumação do mundo".
Se Ele promete estar com os apóstolos até o fim do mundo, é claro que ele não está se dirigindo aos apóstolos como pessoas físicas, mas como um "corpo moral", que deve perpetuar-se nos seus sucessores, e hão de durar atá o fim dos tempos.
Eis uma prova evidente que o bispo de Roma, que é o Papa, é o sucessor de S. Pedro e de sua "jurisdição".
A sucessão também é observada nos primeiros cristãos, que nomeavam diáconos e bispos, transmitindo-lhes as obrigações de seus antecessores.
Jesus Cristo, fundando uma sociedade religiosa visível, que devia durar até ao fim do mundo, devia necessariamente nomear um chefe, com sucessão, para perpetuar a mesma autoridade: "Quem vos escuta, escuta a mim" (Mt 28, 18). Se assim não fosse, Nosso Senhor não teria podido dizer: "Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo"; devia ter dito que estaria apenas com S. Pedro até o fim de sua vida. Dessa forma, cumpre-se o que manda a Bíblia: "Um só senhor, uma só fé, um só batismo" (Ef. 4, 5)
(Vide o
Sacramento da Ordem, onde Deus escolhe os seus sacerdotes)

A lista dos primeiros Papas da Igreja
S. Pedro, 42 - 67
S. Lino, 67 - 78
S. Cleto, 78 - 91
S. Clemente, 91 - 100
Santo Evaristo, 100 - 109
Santo Alexandre I, 109 - 119
S. Sixto I, 119- 128
S. Telésforo, 128 - 139
Santo Higino, 139 - 142
S. Pio I, 142 - 150
Santo Aniceto, 150 - 162
S. soter, 162 - 170
Santo Eleutério, 170 - 186
S. Vitor, 186 - 197
S. Zefirino, 197 - 217
S. Calisto I, 217 - 222
Santo Urbano I, 222 - 230
S. Ponciano, 230 - 235
Santo Antero, 235 - 236
S. Fabiano, 236 - 251
S. Cornélio, 251 - 252
S. Lúcio I, 252 - 254
Santo Estêvão I, 254 - 257
S. Sixto II, 257 - 259
S. Dionísio, 259 - 269
S. Félix, 269 - 275
Santo Eutiquiano, 275 - 283
S. Caio, 283 - 295
S. Marcelino, 295 - 304
S. Marcelo, 304 - 310
Santo Eusébio, 310 - 311
S. Melcíades, 311 - 313
S. Silvestre I, 313 - 336
S. Silvestre batizou o imperador Constantino Magno.

O Governo da Igreja (Bispos e Fiéis)
"Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho, sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus a qual santificou pelo seu próprio sangue" (At 20, 28)
"Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza, a mim despreza; e quem me despreza, despreza aquele que me enviou". (LC 10, 16)
A Bíblia diz claramente que Jesus Cristo fundou uma Igreja sobre Pedro (Mt 16, 18), diz que estaria com ele até o fim do mundo (Mt 28, 13-20), que lhe dava as chaves do reino do céu (Mt 16, 19), que esta Igreja seria coluna e firmamento da verdade (1 Tim 3, 15), que é preciso escutar esta Igreja sob pena de ser tratado como um pagão (Mt 18, 17).
Mesmo em relação à autoridade dos Fariseus e Escribas, apesar de viciados em seus erros, por serem a autoridade legítima, disse Nosso Senhor: "Sobre a cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus; observai, pois, e fazei tudo o que eles vos disserem; mas não imiteis as suas ações" (Mt 23, 2).
Nosso Senhor escolheu, entre seus inúmeros discípulos, apenas doze Apóstolos, (Mt. 10, 2-4). Instruiu-os duma maneira particular, desvendou-lhes o sentido das parábolas que as turbas não compreendiam (Mt. 13, 2) e associou-os à sua obra mandando-lhes que pregassem o reino de Deus aos filhos de Israel (Mt. 10, 5, 42).
Poucos dias antes da Ascenção, Cristo confiou aos doze Apóstolos o poder que antes lhes tinha prometido: "Todo o poder me foi dado no céu e na terra; ide, pois, e ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que eu vos tenho ordenado, e estai certos de que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mt. 28, 19-20). Portanto, conclui Boulenger, Jesus Cristo comunicou aos Apóstolos o poder - 1) de ensinar: "ide e ensinai todos os povos", 2) de santificar, pelos ritos instituídos para este fim e, em particular, pelo batismo, 3) de governar, uma vez que os Apóstolos hão de ensinar o mundo a "observar" tudo o que Ele mandou.
A Hierarquia reconhecida na história:
1) Testemunho de Santo Irineu, argumentando contra os hereges, apresenta o caráter hierárquico da Igreja, como um 'fato notório' que ninguém pode negar, como uma fundação de Cristo e dos Apóstolos. Ora, como podia reivindicar para a Igreja cristão a origem apostólica, se os seus adversários pudessem apresentar provas da fundação recente da hierarquia?
2) Testemunho de S. Policarpo, em meados do sec. II, designa os pastores como "chefes da hierarquia e guardas da fé"
3) No mesmo século ainda podemos citar os testemunhos: a) o de Hegesipo que mostra as Igreja governadas pelos Bispos, sucessores dos apóstolos; b) o de Dionísio de Corinto, que escreve na sua carta à Igreja romana que a Igreja de Corinto guarda fielmente as admoestações recebidas outrora do Papa Clemente.
4) No ano 110, Santo Inácio de Antioquia, em sua Epístola aos Romanos, da Igreja de Roma como do centro da cristandade: "Tu (Igreja de Roma) ensinastes as outras. E eu quero que permaneçam firmes as coisas que tu prescreves pelo teu ensino" (Rom, IV, 1).
5) Cerca do ano de 96, S. Clemente Romano, discípulo imediato de S. Pedro e de S. Paulo, escreveu uma carta aos Coríntios, na qual nos dá da Igreja noção equivalente à de S. Ireneu, apresentando a hierarquia como a "guarda da tradição" e a Igreja de Roma com a primazia universal sobre todas as Igrejas locais.
6) Deste modo, chegamos, de geração em geração, aos tempos apostólicos. Desde o primeiro alvorecer do cristianismo, os Apóstolos desempenharam a dupla função de dirigentes e pregadores. Escolheram Matias para ocupar o lugar de Judas (At 1, 12, 26). Instituíram diáconos nos quais delegaram parte dos seus poderes (At. 6, 1, 6).
Na prática da Igreja também fica claro o poder de governo sobre todos os cristãos. Os Apóstolos exerceram este tríplice poder: a) Poder legislativo: No Concílio de Jerusalém, impõem aos recém-convertidos "que se abstenham das carnes oferecidas aos ídolos, das viandas sufocadas e da impureza" (At 15, 29); b) poder judiciário: S. Paulo entrega a Satanás "Himeneu e Alexandre, para aprenderem a não blasfemar" (I Tim 1, 20); c) poder penal: S. Paulo escreve aos coríntios: "Portanto, eu vos escrevo estas coisas, estando ainda longe de vós, de modo que, quando eu chegar aí, não tenha de castigar, segundo o poder a mim confiado por Deus para edificar, não para destruir" (II Cor 13, 10).

A infalibilidade Papal
(Ver também: "
A Infalibilidade da Igreja")
Vimos que Jesus Cristo fundou uma Igreja hierárquica, conferindo aos Apóstolos e aos Bispos, seus sucessores, os poderes de ensinar, de santificar e de governar. Demonstraremos agora que Jesus ligou ao poder de ensinar o privilégio da "infalibilidade".
Conceito: A infalibilidade é a garantia de preservação de todo erro doutrinal pela assistência do Espírito Santo. Não é simples inerrância de fato, mas de direito. Portanto, não se deve confundir a infalibilidade com a "inspiração", que consiste no impulso divino que leva os escritores sagrados a escreverem o que Deus quer; e nem com a "revelação", que supõe a manifestação duma verdade antes ignorada. O privilégio da Infalibilidade não faz com que a Igreja descubra verdades novas; garante-lhe somente que, devido à assistência divina, não pode errar nem, por conseqüência, induzir em erro, no que respeita a questões de Fé ou moral.
Todavia, não se confunde a "infalibilidade" com a "impecabilidade". A Igreja nunca defendeu a tese de que o Papa não pudesse cometer pecados. O Papa é infalível quando segue as normas da infalibilidade, falando à toda a Igreja, como sucessor de S. Pedro, em matéria de Fé e Moral, definindo (implícita ou explicitamente) uma verdade que deve ser acatada por todos. Em sua vida privada - ou quando não utilizando a fórmula da infalibilidade -, o Papa pode cometer erros e até pecados.
A Existência da Infalibilidade segundo a Razão, a Revelação e a Tradição.
Argumento de razão: Não se justifica que Deus possa ter deixado os homens à sua própria sorte no tocante à doutrina. O "livre exame" protestante gera o subjetivismo e as divisões, condenadas pela Sagrada Escritura. A autoridade de um corpo de apóstolos é necessária, racionalmente, para a realização dos planos de Deus na terra, sob pena de aceitarmos a tese de que Deus não guia seu povo.
Argumento histórico:
Somos chegados ao campo positivo da história. Afinal, o que Jesus devia fazer, segundo a razão, tê-lo-ia feito? Terá instituído uma autoridade viva e infalível encarregada de guardar e ensinar a sua doutrina?
O primeiro ponto, de que Nosso Senhor instituiu uma Igreja hierárquica, com chefes a quem concedeu o poder de ensinar, já está demonstrado anteriormente. Resta agora examinar o segundo ponto, no qual provaremos que o poder de ensinar comporta o privilégio da "infalibilidade".
a) Nos textos da Escritura:
A S. Pedro, em especial, prometeu Jesus Cristo que "as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Igreja)" (Mat. 16, 18); e a todos os Apóstolos prometeu, por duas vezes, enviar-lhes o Espírito de Verdade (Jo. 14, 15; 15, 26) e ficar com eles até ao fim do mundo (Mat 28, 20). Estas promessas significam claramente que a Igreja é indefectível, que os apóstolos e os seus sucessores não poderão errar quando ensinarem a doutrina de Jesus; porque a assistência de Cristo não pode ser em vão, nem o erro estar onde se encontra o Espírito de verdade;
b) No modo de proceder dos Apóstolos:
Do seu ensino se depreende que tinham consciência de ser assistidos pelo Espírito Santo. O decreto do Concílio de Jerusalém termina com estas palavras: "Assim pareceu ao Espírito Santo e a nós" (At. 15, 28). Os Apóstolos pregam a doutrina evangélica "não como palavra de homens, mas como palavra de Deus, que na verdade o é" (1Tes 2, 13), a que é necessário dar pleno assentimento (II Cor 10, 5) e cujo depósito convém guardar cuidadosamente (1 Tim 6, 20). Além disso, confirmam a verdade de sua doutrina com muitos milagres (At 2, 43 etc): prova evidente de que eram intérpretes infalíveis da doutrina de Cristo, de outro modo Deus não a confirmaria com o seu poder;
c) Na crença da antigüidade cristã:
Concedem os nossos adversários que a crença na existência dum magistério vivo e infalível existia já no século III. Basta, portanto, aduzir testemunhos anteriores.
Na primeira metade do século III, Orígenes, aos hereges que alegam as Escrituras, responde que é necessário atender à tradição eclesiástica e crer no que fio transmitido pela sucessão da Igreja de Deus. Tertuliano, no tratado "Da prescrição", opõe aos hereges o "argumento da prescrição" (condenando o que contraria o ensinado pelos apóstolos) e afirma que a regra de fé é a doutrina que a Igreja recebeu dos Apóstolos.
Nos fins do século II, S. Irineu, na carta a Florino e no "Tratado contra as heresias", apresenta a Tradição apostólica como a sã doutrina, como uma tradição que "não é meramente humana". Donde se segue que não há motivo para discutir com os hereges e que estão condenados pelo fato de discordarem desta tradição.
Pelo ano de 160, Hegesipo apresenta, como critério da Fé ortodoxa, a conformidade com a "doutrina" dos Apóstolos "transmitida" por meio dos Bispos, e por esse motivo redige a lista dos Bispos. Na primeira metade do século II, Policarpo e Papias apresentam a doutrina dos Apóstolos como a única verdadeira, como uma regra segura de Fé. Nos princípios do mesmo século, temos o testemunho de Santo Inácio. Afirma este santo que a Igreja é "infalível" e que a incorporação nela é necessária a quem se quer salvar.
Conclusão: tanto através da razão como da história, provamos que o poder de ensinar, conferido por Nosso Senhor Jesus Cristo à Igreja docente, traz consigo o privilégio da "infalibilidade", isto é, que a Igreja não pode errar quando expõe a doutrina de Jesus Cristo.
Agora devemos analisar sobre quem recai a "infalibilidade"
Pelo exposto, fica claro que a "infalibilidade" é privilégio daqueles a quem compete "ensinar", isto é, os Apóstolos e, de modo especial, a S. Pedro e seus sucessores.
A infalibilidade do colégio apostólico provém, portanto: a) da missão conferida a "todos os apóstolos" de "ensinar todas as nações" (Mat 28, 20); b) da "promessa de estar com eles" "até à consumação dos séculos" (Mat 28, 20) e de lhes "enviar o consolador, o Espírito Santo que lhes há de ensinar toda a verdade" (Jo, 14, 26). Estas passagens mostram com evidência que o privilégio da "infalibilidade" foi concedido ao "corpo docente" tomado coletivamente.
A sucessão desse poder deve ser entendida no sentido de que o colégio apostólicos, atualmente composto pelos bispos, é 'infalível' não individualmente em cada bispo, mas no conjunto deles.
No caso de S. Pedro e seus sucessores, a infalibilidade é pessoal. Provaremos isso com argumentos tirados dos textos evangélicos e da história.
O argumento escriturístico deriva dos mesmo textos que demonstram o primado de S. Pedro: "Tu és Pedro...", pois é incontestável que a estabilidade do edifício lhe vem dos alicerces. Se. S. Pedro, que deve sustentar o edifício cristão, pudesse ensinar o erro, a Igreja estaria construída sobre um fundamento inseguro e já se não poderia dizer "as portas do inferno não prevalecerão contra ela".
Depois, com o "Confirma fratres" ("confirma os irmãos"), Nosso Senhor assegurou a Pedro que pedira de modo especial por ele, "para que sua fé não desfaleça" (Luc 22, 32). É evidente que esta prece feita em circunstâncias tão solenes e tão graves (o momento da paixão de Nosso Senhor) não pode ser frustrada.
Finalmente, com o "Pasce Oves" (apascenta as minhas ovelhas), foi confiada a Pedro a guarda, o governo, de todo o rebanho. Ora, não se pode supor que Jesus Cristo tenha entregue o cuidado do seu rebanho, colocando S. Pedro como Pastor, a um pastor que pudesse desencaminhar as ovelhas eternamente, ensinando o erro.
O Argumento histórico da infalibilidade de S. Pedro:
A crença da Igreja não se manifestou da mesma forma em todos os séculos. Houve, na verdade, certo desenvolvimento na exposição do dogma e até no uso da infalibilidade pontifícia; mas nem por isso o dogma deixa de remontar aos primeiros tempos, e de fato já o encontramos em germe na Tradição mais afastada, como se demonstra pelo sentir dos Padres da Igreja e dos concílios, e pelos fatos:
No século II, S. Irineu afirmava que todas as Igrejas se devem conformar com a de Roma, pois só ela possui a verdade integral.
S. Cipriano dizia que os Romanos estão "garantidos na sua fé pela pregação do Apóstolo e são inacessíveis à perfídia do erro" (o apóstolo dos romanos é S. Pedro).
S. Jerônimo, para pôr termo às controvérsias que afligiam o Oriente, escreveu ao Papa S. Dâmaso nos seguintes termos: "Julguei que devia consultar a este respeito a cadeira de Pedro e a fé apostólica, pois só em vós está ao abrigo da corrupção o legado dos nossos pais".
S. Agostinho diz a propósito do pelagianismo: "Os decretos de dois concílios relativos ao assunto foram submetidos à Sé apostólica; já chegou a resposta, a causa está julgada", "Roma locuta est, causa finita est".
O testemunho de S. Pedro Crisólogo não é menos explícito: "Exortamo-vos, veneráveis irmãos, a receber com docilidade os escritos do santo Papa da cidade de Roma, porque S. Pedro, sempre presente na sua sede, oferece a fé verdadeira aos que a procuram".
O que fica dito anteriormente acerca do primado do Bispo de Roma, aplica-se com a mesma propriedade ao reconhecimento de sua infalibilidade.
No século II, o papa Victor excomungou Teódoto que negava a divindade de Cristo, com uma sentença tida por todos como definitiva. Zeferino condenou os Montanistas, Calisto os Sabelianos, e, a partir destas condenações, foram considerados como hereges. Em 417, o papa Inocêncio I proscreveu o pelagianismo, e a Igreja reconheceu o decreto como definitivo. Em 430, o papa Celestino condenou a doutrina de Nestório, e os Padres do Concílio de Éfeso seguiram a sua opinião.
O concílio de Calcedónia (451) recebeu solenemente a célebre carta dogmática do Papa Leão I a Flaviano, que condenou a heresia de Eutiques, proclamando unanimemente: "Pedro falou pela boca de Leão". Do mesmo modo os Padres do III Concílio de Constantinopla (680) aclamaram o decreto do Papa Agatão que condenava o monotelitismo, dizendo: "Pedro falou pela boca de Agatão".
Como se vê, desde os primeiros séculos a Igreja romana é reconhecida como o "centro da fé" e como a "norma segura da ortodoxia". Quanto mais avançamos, tanto mais explícitos são os termos que nos manifestam a universalidade desta crença, proclamada como dogma no I Concílio Vaticano.
Finalmente, podemos afirmar que nunca um Papa, na história da Igreja, proclamou, segundo a fórmula da infalibilidade, um erro doutrinário.

Unidade da mesma Igreja
Apenas com um chefe visível, infalível, se pode cumprir a unidade do "corpo místico de cristo".
Em relação à doutrina:
1) "Quem não está comigo é contra mim"(Mt 12,30)
2) "Um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos" (Ef 4, 3-6)
3) "Não rogo apenas por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste"(Jo 17,20-21).
4) "Recomendo-vos, irmãos, que tomeis cuidado com os que produzem divisões contra a doutrina que aprendestes. Afastai-vos deles" (Rm 16, 17).
5) "Se alguém vos anunciar um evangelho diferente, seja execrado, isto é, seja excomungado"(G. 1,7-9).
Em relação ao culto:
1) "Porque há um só pão, um só corpo somos nós, embora muitos, visto participarmos todos do único pão" (1Cor 10,17)
2) "A multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma"(At 4, 32)
3) "Esforçai-vos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz" (Ef. 4,3).
Em relação à unidade de Governo:
1) "Irmãos, conjuro-vos que sejais sempre perfeitamente unidos num só sentimento e num mesmo pensar" (1 Cor 1,10)
2) "Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Estas tenho de reunir, e elas ouvirão a minha voz. E então haverá um só rebanho e um só pastor" (Jo. 10,16; Mt 16, 15-16).
O próprio fato de S. Paulo ter procurado a unidade na questão da circuncisão deixa patente a existência de uma Igreja una. No concílio que decidiu essa questão, em Jerusalém, foi S. Pedro quem falou primeiro e quem deu a última palavra sobre a questão: "Então toda a assembléia silenciou"(At 15, 7-12), obedecendo ao Chefe do Colégio Apostólico.
Nas Sagradas Escrituras, é só folhear os Atos dos Apóstolos e verificar o crescimento da Igreja (a mesma e una) desde o início até os dias de hoje.
A Igreja cresceu rápida, veloz, ao ponto que S. Paulo pôde compará-la com "um edifício vastíssimo, tendo os apóstolos por alicerce e Cristo como pedra angular." (Ef. 2, 20)
Tertuliano se atrevia a escrever no seu Apologético, dirigido ao imperador romano: "Somos de ontem, e já enchemos as cidades, as ilhas, os castelos, os acampamentos, as aldeias e os campos; só deixamos vazios os vossos templos. Se nos retirassem, o império ficaria deserto".
A Igreja de Cristo vai crescendo e se espalhando, "multitudo ingens", diz Tácito, falando do tempo de Nero (Anais 15, 44), formando uma "imensa multidão", até que, afinal, dominando e vencendo a tirania dos imperadores pagãos, logre o reconhecimento oficial, com o reinado de Constantino Magno, primeiro imperador cristão.
Foi nesse tempo, em 325, que se reuniu o primeiro concílio dos bispos católicos, em Nicéia, ao qual compareceram 318 bispos, sob a presidência de Ósio, bispo de Córdova, assistido de dois legados do Papa (de Roma), S. Sivestre.
Portanto, a história e a bíblia são claros ao narrar a expansão da mesma Igreja, fundada por Nosso Senhor sobre S. Pedro, em unidade.

De Simão Pedro a Bento XVI

S.S. BEMTO XVI

De Simão Pedro a Bento XVI

• Pedro (/67)• Lino (67/76)• Anacleto (76/88)• Clemente (88/97)• Evaristo (97/105)• Alexandre I (105/15)• Sixto I (115/25)• Telésforo (125/36)• Higino (136/40)• Pio I (140/55)• Aniceto (155/66)• Sotero (166/75)• Eleutério (175/89)• Victor I (189/99)• Zeferino (199/17)• Calixto (217/22)• Urbano I (222/30)• Ponciano (230/35)• Antero (235/36)• Fabiano (236/50)• Cornélio (251/53)• Lúcio I (253/54)• Estevão I (254/57)• Sixto II (257/58)
• Dionísio (259/68)• Félix I (269/74)• Eutiquiano (275/83)• Caio (283/96)• Marcelino (296/04)• Marcelo I (308/09)• Eusébio (309/10)• Melquíades (311/14)• Silvestre I (314/35)• Marcos (336)• Júlio I (337/52)• Libério (352/66)• Dâmaso (366/84)• Sirício (384/99)• Anastásio I (399/01)• Inocêncio I (401/17)• Zózimo (417/18)• Bonifácio I (418/22)• Celestino I (422/32)• Sixto III (432/40)• Leão I (440/61)• Hilário (461/68)• Simplício (469/83)• Félix II (483/92)
• Gelásio I (492/96)• Anastásio II (496/98)• Símaco (498/14)• Hormisda (514/23)• João I (523/26)• Félix IV (526/30)• Bonifácio II (530/32)• João II (533/35)• Agapito I (535/36)• Silvério (536/37)• Vigílio (537/55)• Pelágio I (556/61)• João III (561/74)• Bento I (575/79)• Pelágio II (579/90)• Gregório I (590/04)• Sabiniano (604/06)• Bonifácio III (607)• Bonifácio IV (608/15)• Adeodato (615/18)• Bonifácio V (619/25)• Honório I (625/38)• Severino (640)• João IV (640/42)
• Teodoro I (642/49)• Martinho I (649/55)• Eugênio I (654/57)• Vitalino (657/72)• Adeodato II (672/76)• Domno (676/78)• Agatão (678/81)• Leão II (682/83)• Bento II (684/85)• João V (685/86)• Conon (686/87)• Sérgio I (687/01)• João VI (701/05)• João VII (705/07)• Sisínio (708)• Constantino I (708/15)• Gregório II (715/31)• Gregório III (731/41)• Zacarias (741/52)• Estevão II (752/57)• Paulo I (757/67)• Estevão III (768/72)• Adriano I (772/95)• Leão III (795/16)
• Estevão IV (816/17)• Pascoal I (817/24)• Eugênio II (824/27)• Valentino (827)• Gregório IV (827/44)• Sérgio II (844/47)• Leão IV (847/55)• Bento III (855/58)• Nicolau I (858/67)• Adriano II (867/72)• João VIII (872/82)• Marino I (882/84)• Adriano III (884/85)• Estêvão V (885/91)• Formoso (891/96)• Bonifácio VI (896)• Estevão VI (896/97)• Romano (897)• Teodoro II (897)• João IX (898/00)• Bento IV (900/03)• Leão V (903)• Sérgio III (904/11)• Anastásio III (911/13)• Landon (913/14)• João X (914/28)• Leão VI (928)• Estevão VII (928/31)• João XI (931/35)• Leão VII (936/39)• Estevão VIII (939/42)• Marino II (942/46)• Agapito II (946/55)• João XII (955/64)• Bento V (964/65)• João XIII (965/72)• Bento VI (973/74)• Bento VII (974/83)• João XIV (983/84)• Bonifácio VII (984/85)• João XV (985/96)• Gregório V (996/99)• Silvestre II (999/03)• João XVII (1003)• João XVIII (1004/09)• Sérgio IV (1009/12)• Bento VIII (1012/24)• João XIX (1024/32)• Bento IX (1032/44)• Silvestre III (1045)• Bento IX (1045) 2.ª vez• Gregório VI (1045/46)• Clemente II (1046/47)• Bento IX (1047/48) 3.ª vez• Dâmaso II (1048)• Leão IX (1049/54)• Vitor II (1055/57)
• Estevão IX (1057/58)• Nicolau II (1059/61)• Alexandre II (1061/73)• Gregório VII (1073/85)• Victor III (1086/87)• Urbano II (1088/99)• Pascoal II (1099/18)• Gelásio II (1118/19)• Calixto II (1119/24)• Honório II (1124/30)• Inocêncio II (1130/43)• Celestino II (1143/44)• Lúcio II (1144/45)• Eugênio III (1145/53)• Anastásio IV (1153/54)• Adriano IV (1154/59)• Alexandre III (1159/81)• Lúcio III (1181/85)• Urbano III (1185/87)• Gregório VIII (1187)• Clemente III (1187/91)• Celestino III (1191/98)• Inocêncio III (1198/16)• Honório III (1216/27)• Gregório IX (1227/41)• Celestino IV (1241)• Inocêncio IV (1243/54)• Alexandre IV (1254/61)• Urbano IV (1261/64)• Clemente IV (1265/68)• Gregório X (1271/76)• Inocêncio V (1276)• Adriano V (1276)• João XXI (1276/77)• Nicolau III (1277/80)• Martinho IV (1281/85)• Honório IV (1285/87)• Nicolau IV (1288/92)• Celestino V (1294)• Bonifácio VIII (1294/03)• Bento XI (1303/04)• Clemente V (1305/14)• João XXII (1316/34)• Bento XII (1334/42)• Clemente VI (1342/52)• Inocêncio VI (1352/62)• Urbano V (1362/70)• Gregório XI (1370/78)• Urbano VI (1378/89)• Bonifácio IX (1389/04)• Inocêncio VII (1404/06)• Gregório XII (1406/15)• Martinho V (1417/31)• Eugênio IV (1431-47)• Nicolau V (1447/55)• Calixto III (1455/58)• Pio II (1458/64)
• Paulo II (1464/71)• Sixto IV (1471/84)• Inocêncio VIII (1484/92)• Alexandre VI (1492/03)• Pio III (1503)• Júlio II (1503/13)• Leão X (1513/21)• Adriano VI (1522/23)• Clemente VII (1523/34)• Paulo III (1534/49)• Júlio III (1550/55)• Marcelo II (1555)• Paulo IV (1555/59)• Pio IV (1559/65)• Pio V (1566/72)• Gregório XIII (1572/85)• Sixto V (1585/90)• Urbano VII (1590)• Gregório XIV (1590/91)• Inocêncio IX (1591)• Clemente VIII (1592/05)• Leão XI (1605)• Paulo V (1605/21)• Gregório XV (1621/23)• Urbano VIII (1623/44)• Inocêncio X (1644/55)• Alexandre VII (1655/67)• Clemente IX (166/69)• Clemente X (1670/76)• Inocêncio XI (1676/89)• Alexandre VIII (1689/91)• Inocêncio XII (1691/00)• Clemente XI (1700/21)• Inocêncio XIII (1721/24)• Bento XIII (1724/30)• Clemente XII (1730/40)• Bento XIV (1740/58)• Clemente XIII (1758/69)• Clemente XIV (1769/74)• Pio VI (1775/99)• Pio VII (1800/23)• Leão XII (1823/29)• Pio VIII (1829/30)• Gregório XIV (1831/46)• Pio IX (1846/78)• Leão XIII (1878/03)• Pio X (1903/14)• Bento XV (1914/22)• Pio XI (1922/39)• Pio XII (1939/58)• João XXIII (1958/63)• Paulo VI (1963/78)• João Paulo I (1978)• João Paulo II (1978/05)• Bento XVI (2005)
Fonte: TODOS OS PAPAS... cujo Reino não terá fim, de Joshuah de Bragança Soares, All Service